Novos vazamentos do celular de Vorcaro e escândalos em série mantêm STF sob tensão

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Por Flávia MaiaJOTA

O acesso ao material bruto obtido nas investigações sobre Daniel Vorcaro deixou ainda mais tensa a relação entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A série de vazamentos tem aumentado o clima de animosidade entre os pares. Nos bastidores, acusações e desconfianças alimentam o mal-estar na Corte, e não há sinal de que a temperatura irá baixar.

Reportagem desta segunda-feira (21/9) do portal Metrópoles acirrou ânimos. O texto traz trechos de conversas encontradas no celular de Vorcaro em que se cita um contrato de advocacia de R$ 427 milhões com a “Turma KN”.

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O valor seria pago em caso de êxito nas ações de interesse do ex-banqueiro em tribunais superiores que poderiam destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios no setor sucroalcooleiro. Segundo a reportagem, KN seria uma menção ao ministro Kassio Nunes Marques e ele teria votado a favor do setor no STF. 

Parte da Corte sustenta que a reportagem reforça que o ministro André Mendonça vem agindo de forma seletiva na condução do inquérito do Master e com objetivos eleitorais. Em reserva ao JOTA , um ministro questionou se o colega não viu isso durante as investigações. 

Outra fonte disse que não tinha como Mendonça saber, pois só recentemente pediu acesso à íntegra do celular e a investigação era conduzida pela Polícia Federal. 

Ministros também defendem que a citação a Nunes Marques demonstra que o caso Master pode atingir outros magistrados da Corte, demonstrando que é preciso analisar os fatos de forma conjunta, não separada – o julgamento para a abertura de investigação de Moraes foi paralisado durante uma questão de ordem que pede a análise conjunta deste caso com o de Mendonça.

Em outra frente, ministros alegam que a reportagem é um vazamento seletivo com objetivo de atingir Nunes Marques e a estabilidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido por ele, às vésperas da eleição. Esse grupo afirma que o contrato citado na reportagem diz respeito a ações no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e não no Supremo. 

No dia do julgamento de Moraes, Nunes Marques se declarou impedido por conta da presidência da Justiça Eleitoral. Horas antes, havia vazado na imprensa mensagens do celular de Vorcaro de um suposto contrato de R$ 500 mil firmado entre empresas do ex-banqueiro e Kevin Marques, filho do magistrado. 

Também apareceram reportagens afirmando que o ministro viajou em uma aeronave operada por uma empresa ligada a Vorcaro – o ministro negou as acusações e disse que o trajeto atendeu a um convite de aniversário.

Outra parcela de ministros culpa a presidência de Edson Fachin pela má condução da situação, o que vem culminando em reações cada dia mais fora do controle. A leitura é que o STF “explodiu” por conta das decisões erradas tomadas por Fachin — como a de iniciar o julgamento de Moraes próximo das eleições, sem um rito claramente definido e separado do de Mendonça. 

Longe de um fim, a crise no STF parece escalar cada vez mais com citações a vários ministros. Os escândalos em série alimentam apoiadores e detratores de Mendonça e Moraes e mostram que, se a ideia da vista era decantar a situação e diminuir a tensão, o que está ocorrendo é justamente o contrário: uma Corte com fissuras cada dia maiores.

Fonte: JOTA

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