Nova Basílica pode impulsionar turismo e mercado imobiliário de Trindade, diz ADU-GO
Por Luan Monteiro — Jornal Opção

A construção da Nova Basílica do Divino Pai Eterno tem potencial para ampliar o turismo religioso, movimentar o mercado imobiliário e estimular a geração de empregos em Trindade. Para que esses efeitos se convertam em desenvolvimento econômico duradouro, porém, o município precisa antecipar investimentos em mobilidade, saneamento, infraestrutura e organização territorial, avalia a Associação dos Desenvolvedores Urbanos de Goiás (ADU-GO).
A avaliação foi feita pela superintendente executiva da entidade, Lorena Sousa, ao Jornal Opção. Segundo ela, a nova estrutura pode ampliar o número de visitantes, o tempo de permanência na cidade e o consumo em setores como hotelaria, gastronomia, comércio, serviços e construção civil. O resultado, entretanto, dependerá da capacidade de Trindade de acompanhar a expansão da atividade turística com planejamento e segurança jurídica para novos investimentos.
“Trindade já tem um turismo religioso consolidado, e a Nova Basílica pode ampliar esse potencial. Isso abre oportunidades para diferentes segmentos da economia, mas o potencial, por si só, não se transforma automaticamente em crescimento”, afirmou Lorena.
Na sexta-feira, 16, representantes da ADU-GO, do Sindicato dos Condomínios e Imobiliárias (Secovi Goiás) e da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) visitaram as obras do templo. Durante a visita, o grupo conheceu as etapas da construção e recebeu explicações técnicas sobre a execução do projeto.
De acordo com Durval Gouveia, diretor da VGVIX, empresa responsável pela execução da obra, a construção foi dividida em setores. Atualmente, os trabalhos se concentram em um dos braços da estrutura em formato de cruz e na praça ao redor. A concepção vista de cima se assemelha a um medalhão com uma cruz no interior.
A previsão apresentada durante a visita é de que partes concluídas possam ser liberadas para a realização de missas diárias antes do término integral do empreendimento. A possibilidade, contudo, depende das condições técnicas e das autorizações necessárias. A abertura parcial poderia antecipar a circulação de fiéis e parte dos efeitos econômicos associados à visitação.
A ADU-GO participa diretamente da revisão do Plano Diretor de Trindade, processo que, na avaliação da entidade, representa uma oportunidade para preparar a cidade para as transformações relacionadas à nova basílica. O planejamento deve considerar os deslocamentos de visitantes e moradores, a capacidade dos serviços públicos, a expansão urbana e a distribuição de atividades comerciais, turísticas e residenciais.
Lorena afirma que o município precisa se preparar tanto para as grandes celebrações religiosas quanto para o movimento de visitantes ao longo do ano. Entre as necessidades apontadas estão melhorias nos acessos, transporte público, estacionamento, circulação de pedestres e acessibilidade, além da ampliação ou modernização de redes de água, esgoto, drenagem e energia.
“É preciso garantir que a cidade consiga receber esse público sem comprometer a qualidade de vida dos moradores. A infraestrutura deve ser planejada para atender às novas demandas, com investimentos que permaneçam como benefícios para a população”, dise a superintendente.
A dirigente também defende que a revisão do Plano Diretor avalie a capacidade de infraestrutura das diferentes regiões, os usos permitidos para cada área e a possibilidade de formação de novos polos urbanos. Para ela, regras claras podem contribuir para dar previsibilidade aos empreendimentos privados, sem dispensar exigências técnicas e ambientais.
O superintendente do Secovi Goiás, Floriano Gomes da Silva Neto, também avalia que a basílica pode fortalecer o turismo religioso e estimular atividades ligadas à hospedagem, ao comércio, aos serviços, ao lazer e ao mercado imobiliário. Na avaliação dele, a movimentação econômica pode resultar em novos negócios, renda e oportunidades de trabalho.
Mercado imobiliário pode atrair novos empreendimentos
A expectativa de crescimento do fluxo turístico tende a despertar o interesse de investidores por áreas com bons acessos e potencial para atividades comerciais e de serviços. Entre as possibilidades estão hotéis, meios de hospedagem, estabelecimentos comerciais e empreendimentos imobiliários associados à expansão da cidade.
Lorena, entretanto, pondera que ainda é prematuro apontar regiões específicas que poderão registrar maior valorização sem estudos técnicos sobre infraestrutura, acessibilidade, oferta de serviços públicos e regras de ocupação do solo.
“A valorização não precisa significar necessariamente a ampliação do perímetro urbano. É importante avaliar primeiro as áreas já urbanizadas ou que contam com infraestrutura, para aproveitar melhor a estrutura existente e evitar uma expansão desordenada”, afirmou ao Jornal Opção.
A superintendente também alerta que o crescimento imobiliário precisa respeitar áreas ambientalmente sensíveis e a capacidade de atendimento dos serviços públicos. Empreendimentos devem ser compatíveis com a infraestrutura disponível e contribuir para a integração entre bairros, espaços públicos e atividades econômicas.
Na avaliação da entidade, a falta de planejamento pode elevar os custos para o poder público e para os próprios moradores, especialmente quando a expansão ocorre sem redes adequadas de saneamento, drenagem, energia e transporte.
Mobilidade e serviços estão entre os desafios
Entre os principais pontos de atenção estão a capacidade de circulação nas vias durante as grandes concentrações de peregrinos e a conexão entre a Nova Basílica, o atual santuário e as áreas comerciais e turísticas de Trindade.
Segundo Lorena, diagnósticos técnicos são necessários para identificar quais estruturas já atendem à demanda e quais precisarão de modernização. O objetivo é evitar que o aumento do movimento provoque congestionamentos, dificuldades de acesso e sobrecarga nos serviços municipais.
A dirigente defende ainda que o desenvolvimento econômico associado à obra alcance os moradores e os empreendedores locais. Para isso, considera importante estimular a participação de pequenos negócios, prestadores de serviços e trabalhadores da cidade nas oportunidades criadas pelo turismo.
Entre as medidas apontadas estão a qualificação profissional, o incentivo ao empreendedorismo, o fortalecimento do comércio e a melhoria dos espaços públicos. A intenção é integrar os novos investimentos à economia já existente, de modo que a movimentação não fique restrita a empreendimentos isolados. “O crescimento precisa gerar benefícios para quem já vive em Trindade. O turismo pode se transformar em uma fonte permanente de empregos e renda, desde que haja condições para que os negócios locais participem desse processo”, afirmou.
Obra depende de doações
Um dos fatores que influenciam o ritmo da construção é o modelo de financiamento. A obra depende integralmente de doações dos fiéis, o que faz o avanço dos trabalhos acompanhar a disponibilidade de recursos.
Para Lorena, essa característica reforça a necessidade de um planejamento urbano que considere diferentes cenários de execução, sem depender de uma data definitiva para a conclusão do empreendimento. A infraestrutura pode ser planejada com antecedência e implantada gradualmente, de acordo com o avanço da obra e a demanda efetivamente observada.
A eventual abertura de setores antes da conclusão total também exigirá preparação. Além das condições de segurança, será necessário organizar acessos, circulação de veículos e pedestres, estacionamento, acessibilidade e serviços de apoio, em articulação com os órgãos públicos responsáveis.
A superintendente avalia que uma abertura gradual, desde que tecnicamente planejada e autorizada, poderá ajudar a antecipar parte dos efeitos turísticos e econômicos e permitir ajustes na recepção dos visitantes.
A ADU-GO defende a atuação conjunta da Prefeitura de Trindade, do governo estadual, da Igreja e das entidades empresariais para organizar as intervenções necessárias. Enquanto o município responde pelo ordenamento territorial, o Estado pode contribuir com ações de infraestrutura regional, mobilidade e desenvolvimento turístico. A Igreja, por sua vez, detém informações sobre as etapas da obra e a dinâmica das peregrinações.
A participação de entidades do setor imobiliário e da construção civil pode contribuir com conhecimento técnico e diálogo com investidores, segundo Lorena. Para ela, a articulação precisa estabelecer prioridades e responsabilidades de curto, médio e longo prazo.
A expectativa da entidade é que a Nova Basílica seja acompanhada por mudanças estruturais capazes de beneficiar não apenas o turismo religioso, mas também os moradores e a economia de Trindade. “Precisamos pensar no legado da obra para além do templo monumental. O desafio é preparar a cidade para um novo ciclo de desenvolvimento, com infraestrutura, organização urbana e oportunidades que beneficiem a população e Goiás”, completou Lorena.
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Fonte: Jornal Opção