Netanyahu está isolado, mas se sentiu à vontade para defender genocídio em Gaza, diz analista

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Por Gabriela Carvalho — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

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O salão da Assembleia das Nações Unidas ficou vazio durante a fala do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, depois que diversas delegações de países participantes, entre eles o Brasil, deixaram o local. A imagem gerou repercussão internacional, mas, apesar do peso simbólico, o líder israelense fez o discurso com tranquilidade, defendeu o genocídio que seu governo promove em Gaza, criticou o prefeito de Nova York, sede da ONU, e agradeceu o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A analista Ana Carolina Marson, professora de relações internacionais, destaca que a reação das nações diante da presença de Netanyahu mostra a falta de apoio que a ação expansionista no território tem no cenário global, contudo, não é algo inédito. Além disso, apesar de ponderar que a ação dos delegados que deixaram a plateia seja significativa, o israelense discursou normalmente. “Existe um isolamento israelense, mas ele tem o apoio dos EUA e Netanyahu se sente muito à vontade para continuar agindo em Gaza. Diante da crise do multilateralismo, essa ação é muito mais um símbolo do que, de fato, algo concreto”, avalia em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Portanto, Marson observa que, apesar de uma posição importante de grande parte das nações, alguns Estados precisam agir de “forma mais coercitiva” diante do genocídio na Palestina.

Sobre o debate que indicaria a necessidade de uma reforma do sistema ONU, Ana Carolina Marson observa que, desde o surgimento da instituição, em 1945, na esteira da Guerra Fria, há dificuldades. “Os Estados Unidos e a então União Soviética entraram nesse embate e o Conselho de Segurança praticamente não funcionou durante o período da Guerra Fria. Quando nós entramos, já na década de 1990, começaram a acontecer uma série de guerras civis, genocídios, Ruanda, Bósnia, Somália, situações para as quais a ONU deveria estar pronta para agir, mas não agiu, e agora nós vemos essa crise escancarada”, avalia. “Historicamente, já existe uma inação por parte da ONU”, continua.

A analista recorda o ano de 2003, quando foi levada ao Conselho de Segurança a questão da guerra ao terror de George W. Bush e o seu processo de invasão do Iraque. “Há um descaso das potências em relação às organizações internacionais e o desconforto dos países do sul global em relação à estrutura desse sistema ONU. O pedido do Brasil de reforma do Conselho de Segurança é antigo, não é de agora. Então, agora o que nós vemos é essa crise mais acentuada junto, que vem ligada à crise do multilateralismo e à crise da globalização”, argumenta.

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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