Nem todas surfaram o ‘trade Flávio’: Rede D’Or (RDOR3) e outras 5 ações são as favoritas para juros menores

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Por Giovanna Figueredo — Seu Dinheiro

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O primeiro turno das eleições deu um gás para a bolsa brasileira que não era visto em um único dia há pelo menos seis anos. Na segunda-feira (5), o Ibovespa, principal índice de ações, saltou 7,7%, alcançou uma nova máxima história, e alguns papéis superaram o percentual de 20% de alta. Mas, depois da disparada, ainda há ação barata para investir?

Na visão do Itaú BBA, sim. Segundo os analistas, após o rali histórico, os investidores devem olhar para empresas que ainda negociam com desconto e que podem se beneficiar de uma queda dos juros.

Para recapitular: nas urnas de domingo (4), Flávio Bolsonaro ficou com 47% dos votos, enquanto Lula recebeu 45%.

Os percentuais foram contrários ao que apontavam as pesquisas, o que animou o mercado financeiro pela expectativa de um cenário mais favorável para a economia, com maior disciplina fiscal, juros mais baixos e um ambiente mais amigável para o empresariado.

No pregão logo após o resultado, o setor que mais subiu na bolsa foi o financeiro, com a perspectiva positiva para o mercado de capitais.

Para se ter ideia, 48% da alta do Ibovespa na segunda-feira (5) foi motivada por ações como Itaú (ITUB4), B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11) e Bradesco (BBDC4).

Praticamente tudo valorizou em peso na bolsa, mas alguns papéis ainda estão um pouco atrás da média do Ibovespa — apesar de também terem acumulado alta — e se mostram em um ponto de entrada atrativo no cenário atual, ainda mais considerando a eventual queda dos juros.

Dentre as ações favoritas do Itaú BBA neste cenário está a Rede D’Or (RDOR3).

Os analistas enxergam a companhia como um nome de qualidade que combina o potencial de se beneficiar com a queda dos juros, boa qualidade operacional, previsibilidade de lucros e atratividade para investidores estrangeiros.

Ainda cabe mais alta na bolsa?

Após o rali das eleições, o Itaú BBA defende que a relação risco-retorno ficou menos atrativa do que era há algumas semanas, mas ainda existe espaço para valorização em um cenário de melhora econômica.

Nos cálculos do banco, um cenário fiscal mais favorável tem potencial para levar o índice a 246 mil pontos. Em relação ao fechamento de segunda-feira (5), a valorização pode chegar a 19%.

Outras equipes de análise já mencionam o potencial de alta de até 45% no Ibovespa. Confira nesta matéria do Seu Dinheiro.

Outro motivo de otimismo para o Itaú BBA é um possível retorno do capital estrangeiro. A bolsa brasileira ainda está abaixo das médias históricas de alocação tanto no caso dos gringos quanto dos investidores locais.

Se esses dois grupos retomassem aos níveis médios, a bolsa poderia receber cerca de R$ 270 bilhões, segundo o Itaú BBA, o que poderia impulsionar os papéis por aqui.

As ações que ficaram para trás

Para aproveitar essa pernada de alta que ainda pode estar por vir na bolsa, o Itaú BBA recomenda empresas que não acompanharam totalmente o rali do Ibovespa neste ano.

Além de Rede D’Or, a equipe recomenda outras ações consideradas de alta qualidade que ainda negociam abaixo do que os analistas consideram justo. São elas:

  • Equatorial (EQTL3)
  • Localiza (RENT3)
  • Sabesp (SBSP3)

Segundo o banco, esses papéis têm boa execução operacional, geração de caixa previsível e fundamentos sólidos, mas não acompanharam totalmente o desempenho do Ibovespa no ano.

Cabe destacar que, até o último fechamento, o índice acumulava alta de 28% em 2026.

Em relação a esse patamar, a Rede D’Or, por exemplo, valorizou 19% abaixo do índice e é negociada com 20% de desconto em comparação à média histórica.  

Já a Localiza, valoriza 4% abaixo do índice e com desconto de 14% em relação ao próprio histórico.

No caso de Equatorial e Sabesp, o Itaú BBA enxerga um atrativo adicional por fazerem parte do setor de utilities, que é um dos favoritos do banco para capturar os lucros de uma eventual queda de juros.

Quem ganha mais se os juros continuarem caindo?

Além de selecionar os papéis que ficaram para trás, o Itaú BBA recomenda outras ações que podem se beneficiar se a curva de juros continuar cedendo nos próximos meses.

O banco espera que a Selic seja reduzida em dois pontos percentuais em 2027, a 11,75% ao ano.

Neste cenário, empresas endividadas tendem a gastar menos com despesas financeira e investidores costumam aceitar pagar múltiplos mais altos por companhias com potencial de crescimento quando o custo do dinheiro diminui.

Para o Itaú BBA, duas ações sensíveis aos juros podem se destacar nesse ambiente: a Dasa (DASA3) e a Ânima (ANIM3), de saúde e educação, respectivamente.

Segundo o banco, como as duas empresas têm níveis mais elevados de endividamento, uma redução do custo da dívida tende a aliviar as despesas financeiras e aumentar o lucro de forma mais relevante do que em companhias menos alavancadas.

Nas contas do banco, uma queda de dois pontos percentuais na Selic poderia aumentar em cerca de 40% os lucros para duas empresas em 2027.

No setor de educação como um todo o banco também tem perspectiva positiva.

“Dasa e Ânima se destacam pela sensibilidade a juros mais baixos, enquanto a maioria das empresas de educação oferece uma combinação atraente de redução contínua da alavancagem e avaliações descontadas”, afirmam com menção também à Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3).

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Fonte: Seu Dinheiro

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