JP Morgan ‘manda vender’ ação do Banco do Brasil (BBAS3) após rali eleitoral — e elege outro bancão para comprar agora
Por Camille Lima — Seu Dinheiro

O Banco do Brasil (BBAS3) foi um dos grandes beneficiados pelo rali das eleições. Mas a euforia do mercado não convenceu o JP Morgan. Depois da forte valorização da ação, o banco norte-americano decidiu pisar no freio com o banco estatal.
Os analistas rebaixaram o BB para recomendação underweight, equivalente à venda. Apesar da tímida alta no preço-alvo, de R$ 22 para R$ 23, o banco norte-americano ainda prevê um potencial de queda de 13% das ações BBAS3 na bolsa até o fim de 2027.
Hoje (6), as ações do Banco do Brasil operam em forte queda, devolvendo parte dos ganhos da sessão passada e reagindo à tese mais negativa dos analistas. Por volta das 14h05, os papéis caíam 6,08%, cotados a R$ 24,73.
Na mesma revisão, o JP Morgan fez justamente o movimento contrário com o Bradesco (BBDC4). O banco elevou a recomendação de neutra para overweight, equivalente à compra, e colocou preço-alvo de R$ 26 para a ação — uma alta potencial de 19% frente ao último fechamento.
Para o JP Morgan, o BB ainda tem obstáculos importantes para transformar o cenário mais favorável em resultados, enquanto o Bradesco já começa a mostrar sinais mais concretos de recuperação.
O rali do Banco do Brasil veio antes da recuperação
Na visão do JP Morgan, o problema do Banco do Brasil é que a alta recente das ações aconteceu em um momento em que a recuperação operacional da instituição ainda deve levar tempo. Os papéis BBAS3 acumulam alta de mais de 11% na B3 desde o início do ano.
O banco norte-americano estima que 2027 ainda será um ano difícil para o BB, com uma recuperação mais consistente esperada apenas a partir de 2028. A exposição relevante ao agronegócio é um dos principais motivos para essa cautela.
A carteira rural foi duramente afetada pela piora da qualidade do crédito, e o JP Morgan espera que esse movimento continue pressionando os lucros, a rentabilidade e a distribuição de dividendos.
“Sua recuperação pode levar alguns anos, e a ação deve continuar negociando entre 0,7 vez e 0,8 vez o valor patrimonial da ação (P/VPA)”, afirmam os analistas. “O Banco do Brasil parece caro mesmo após a redução do custo de capital próprio, e por isso rebaixamos a recomendação diante dos ventos contrários de curto prazo e do potencial de valorização relativamente limitado.”
O JP Morgan adotou uma visão mais negativa para a inadimplência (NPL) rural após os dados de julho e agosto. “Um real mais forte dificilmente trará benefícios, e o risco relacionado ao El Niño permanece, apesar da melhora moderada dos preços das commodities”, diz o banco norte-americano.
Embora os analistas continuem vendo o BB como uma franquia sólida, sua rentabilidade e posição de capital atualmente são mais fracos do que no passado, o que deve limitar uma expansão de múltiplos, na visão do banco.
Ao mesmo tempo, uma eventual queda da Selic tende a beneficiar menos o Banco do Brasil do que os grandes bancos privados, já que a composição da carteira da estatal limita parte do ganho que uma redução dos juros poderia trazer para o resultado.
“Em nossa visão, juros menores, embora ajudem a inadimplência, também devem pressionar a margem financeira (NIM), especialmente porque historicamente o Banco do Brasil se beneficiou de juros mais altos devido ao seu baixo custo de captação e excesso de liquidez”, afirma o banco norte-americano.
Na leitura dos analistas, mesmo que o mercado possa continuar tratando BBAS3 como um trade para mudanças políticas, o menor ROE torna o carrego desse investimento menos atrativo em comparação com outras oportunidades no Brasil.
“Dada a melhor relação risco-retorno no Brasil atualmente, preferimos utilizar BBAS3 como uma fonte relativa de recursos para adicionar exposição overweight em outras empresas sob nossa cobertura”, diz o JP Morgan.
Bradesco (BBDC4) recebe selo de compra
Do outro lado da disputa, o Bradesco (BBDC4) aparece com uma história de recuperação mais adiantada, na leitura do JP Morgan.
““Embora permaneçamos cautelosos em relação ao ambiente operacional de curto prazo, acreditamos que o Bradesco oferece uma tese de recuperação mais atraente daqui para frente, com valuation e sentimento de mercado já precificando grande parte dos desafios imediatos”, avalia o banco.
Os analistas destacam a evolução do plano de recuperação operacional da instituição, com melhora da rentabilidade, redução do custo de risco e recuperação das margens nos últimos trimestres.
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É justamente essa combinação que levou o JP Morgan a elevar a recomendação de neutra para overweight (compra) e o preço-alvo de R$ 22 para R$ 26.
Pelas projeções da casa, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do Bradesco deve sair de 15,9% em 2026 para 16,1% em 2027 e 16,8% em 2028. O lucro líquido ajustado, por sua vez, deve avançar de R$ 28,1 bilhões neste ano para R$ 30,5 bilhões em 2027 e R$ 34,8 bilhões em 2028.
O banco também considera que algumas preocupações que pesavam sobre a tese do Bradesco ficaram menos relevantes após a forte melhora de suas perspectivas. O JP Morgan calcula que o papel negocia a cerca de 1,2 vez o valor patrimonial, abaixo do múltiplo de 1,5 vez que considera justo.
“As tendências de curto prazo são menos atraentes, mas ainda vemos o Bradesco relativamente melhor posicionado do que o Banco do Brasil. Com potencial de valorização semelhante, preferimos Itaú, mas acreditamos que o BBDC4 também pode gerar valor”, dizem os analistas.
O banco favorito dos analistas
Apesar da mudança de tese em BB e Bradesco, o JP Morgan não abandonou o favoritismo daquele que considera um dos nomes mais sólidos entre os bancões: o Itaú Unibanco (ITUB4).
A instituição manteve recomendação overweight para o papel e preço-alvo de R$ 60, o que representa um potencial de alta de cerca de 21% em relação ao fechamento anterior.
A preferência está ligada à rentabilidade elevada do Itaú e à capacidade do banco de capturar uma eventual recuperação da atividade econômica e do mercado de capitais.
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Fonte: Seu Dinheiro