“Não podemos perder o boom”: Daniel anuncia Secretaria de Minas e Energia e mira avanço das terras raras em Goiás
Por Bruna Ariadne — Jornal Opção

O governador de Goiás e candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB), anunciou nesta quarta-feira, 23, que pretende criar a Secretaria Estadual de Minas e Energia caso seja reconduzido ao cargo. A proposta foi apresentada durante o Goiás Mineral 2026, em Goiânia, e coloca a exploração de terras raras e outros minerais estratégicos entre as prioridades de um eventual novo mandato.
A nova pasta, segundo Daniel, deverá concentrar políticas hoje distribuídas em diferentes estruturas do governo e ampliar a interlocução com o setor mineral. O candidato também defendeu que Goiás avance no processamento das matérias-primas dentro do próprio Estado, em vez de concentrar a atividade apenas na extração.
“Quero aqui comunicar que, sendo reeleito, irei criar a Secretaria de Minas e Energia para que a gente possa simbolizar o nosso compromisso, o nosso desejo de poder tomar medidas e ações fortes, impactantes”, afirmou.
O anúncio ocorre em um momento de maior atenção sobre as reservas de minerais críticos existentes em Goiás, especialmente as terras raras, utilizadas em cadeias industriais de alta tecnologia, equipamentos eletrônicos e tecnologias relacionadas à transição energética.
Daniel afirmou que pretende posicionar Goiás nas discussões nacionais e internacionais envolvendo esses minerais. “Goiás será protagonista desse debate no nosso país e no mundo inteiro”, declarou.
Das minas ao processamento
Ao falar sobre a proposta, Daniel defendeu que o Estado aproveite a expansão da mineração para atrair também etapas posteriores da cadeia produtiva. A intenção, segundo ele, é estimular o processamento dos minerais em território goiano e ampliar a geração de emprego e renda ligada à atividade.
“Se não formos ousados, comprometidos, corremos um grande risco de ficar para trás nessa história com um ativo de grande riqueza que temos aqui no nosso Estado”, disse.
Na avaliação do governador, o crescimento da demanda internacional por minerais estratégicos abre uma janela de oportunidade para Goiás. “Não podemos perder o boom da história”, afirmou.
O Estado já possui uma estrutura específica voltada aos minerais críticos. A Autoridade Estadual de Minerais Críticos de Goiás (Amic-GO) foi instituída em 2025 e regulamentada em junho deste ano, com atribuições relacionadas à governança do setor, credenciamento de empreendimentos, zonas especiais e instrumentos de fomento. A criação de uma secretaria representaria, portanto, uma nova estrutura administrativa dedicada à mineração e à energia.
Energia também entra na proposta
Além da mineração, Daniel afirmou que a secretaria deverá atuar em políticas relacionadas à oferta de energia, aos biocombustíveis e às fontes renováveis.
A questão energética tem sido apontada pelo próprio governador como um dos desafios para a atração de novos investimentos em Goiás. Nesta quarta-feira, durante sabatina em Anápolis, Daniel citou regiões onde a disponibilidade de energia ainda é considerada insuficiente para atender novos empreendimentos.
No Goiás Mineral, o candidato afirmou que a estrutura específica também deverá facilitar o diálogo entre o governo e o setor produtivo.
“Sendo reeleito, espero ouvir as soluções, as boas sugestões que eu sei que todos os senhores e as senhoras têm para colaborar com um governo mais eficiente, um governo mais colaborativo com o setor produtivo e, principalmente, o setor mineral no nosso Estado”, declarou.
Daniel também defendeu que a expansão da atividade seja conciliada com as exigências ambientais. “Nós precisamos avançar para construir soluções que vão permitir o avanço da nossa produção, lógico, respeitando o meio ambiente, tomando todas as precauções necessárias”, disse.
Nordeste Goiano no centro da mineração
O Nordeste Goiano também foi citado por Daniel ao falar dos efeitos que a exploração de minerais estratégicos pode provocar nas regiões produtoras. A área concentra projetos relacionados às terras raras e, segundo o governador, deverá receber atenção para que o avanço da mineração seja acompanhado por infraestrutura e desenvolvimento regional.
“O governo vai fazer todos os esforços necessários para garantir também um desenvolvimento equilibrado da cidade e da região”, afirmou.
Daniel disse ainda que existe expectativa de que os investimentos no setor ajudem a movimentar a economia de uma região que historicamente apresenta indicadores econômicos inferiores aos de áreas mais desenvolvidas do Estado.
“O Nordeste Goiano anseia por isso. Uma região que ficou durante muito tempo esquecida e vem recebendo muitos investimentos estruturantes”, afirmou.
Setor aponta desafios
O Goiás Mineral 2026 reuniu representantes de empresas, especialistas e integrantes do poder público para discutir minerais críticos, inovação e os próximos passos da atividade em Goiás.
Durante o encontro, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, destacou que o avanço da mineração também envolve desafios, inclusive na área ambiental.
“Nós estamos conhecendo o presente e, ao mesmo tempo, com as ações, com políticas públicas assertivas, com a participação do governo, construindo o futuro”, afirmou.
Segundo Rocha, o debate não deve se restringir aos minerais críticos. “Temos acompanhado o trabalho do seu governo com atenção especial à questão da mineração, não só aos setores de minerais críticos, mas à mineração como um todo. Temos vários desafios, alguns desafios inclusive na parte ambiental”, disse.
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