Não há razão para Lula se expor ao debate na ‘Globo’, avalia Marcos Coimbra

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Por Leonardo Miazzo — Carta Capital

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Se o presidente for, ‘dará palanque para figuras menores’, afirma sociólogo. A dois dias do encontro, o petista ainda não anunciou se comparecerá à emissora

O presidente Lula (PT) não tem motivos para participar do debate entre candidatos a presidente na TV Globo, na próxima quinta-feira 1º, indicou o sociólogo Marcos Coimbra, diretor do instituto Vox Populi, em entrevista a CartaCapital.

“Se Lula for, terá de dar palanque para figuras menores, de ultradireita, que ficarão lá só para acusar e atacar”, avalia. “Não vejo nenhuma razão para Lula se expor a esse tipo de situação. Ele apenas será desrespeitado por gente sem educação e sem adesão a valores democráticos.”

Em teoria, diz Coimbra, é sempre positivo que candidatos participem de atividades nas quais ouvem cobranças e perguntas. No Brasil, contudo, isso não passa de ficção, acrescenta. “Há muitos anos, candidatos com determinada probabilidade de vitória preferem não ir porque (o debate) não é mais que uma espécie de palanque para candidaturas de nenhum significado social real.”

O canal de CartaCapital no YouTube publicará nesta quarta-feira 30 a íntegra da entrevista com Marcos Coimbra.

A Globo convidou, além de Lula, os candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD). É obrigatório convidar postulantes de partidos que elegeram mais de cinco representantes para o Congresso Nacional em 2022.

Até a tarde desta terça-feira 29, Lula não havia decidido se participará do debate. Ele optou por não comparecer a outros encontros organizados por emissoras nos últimos meses, a exemplo da Band, do SBT e da Record.

Desde a redemocratização, o peso dos debates presidenciais variou conforme o contexto político e a estratégia dos candidatos mais competitivos.

Em 1989, primeira eleição direta para o Palácio do Planalto após a ditadura, houve oito encontros. Fernando Collor (então no PRN), líder das pesquisas, não participou de qualquer confronto no primeiro turno e encarou Lula apenas nos debates finais do segundo turno – quando a edição do programa na Globo foi amplamente favorável ao suposto “caçador de marajás ” .

Cinco anos depois, Lula e Fernando Henrique Cardoso se encontraram apenas uma vez. Em 1998, não houve qualquer debate entre presidenciáveis. Líder isolado nas pesquisas e candidato à reeleição, FHC se recusou a participar dos programas, que foram cancelados.

A eleição de 2002, primeira vitória de Lula, registrou apenas quatro debates. Quatro anos mais tarde, já na condição de presidente e favorito à reeleição, o petista faltou a todos os encontros do primeiro turno e participou de três na segunda rodada contra seu atual vice-presidente Geraldo Alckmin (à época no PSDB).

O auge dos debates remonta a 2010. A disputa que elegeu Dilma Rousseff (PT) teve 13 confrontos, um recorde desde a redemocratização: foram nove no primeiro turno e quatro no segundo. Em 2014, quando a presidenta derrotou Aécio Neves (PSDB), houve nove.

A marca do pleito de 2018 foi a ausência dos dois protagonistas. Jair Bolsonaro (então no PSL) deixou de comparecer aos debates após sofrer uma facada em Juiz de Fora (MG), enquanto Lula estava preso e impedido de concorrer devido a condenações que o Supremo Tribunal Federal anularia em 2021, ao reconhecer a incompetência e a parcialidade de Sergio Moro na Lava Jato.

Já em 2022 ocorreu o primeiro confronto direto entre Lula e Bolsonaro em debates presidenciais. Houve três encontros no primeiro turno, promovidos por Band, SBT e Globo, além de dois embates no segundo turno, na Band e na Globo.


Leonardo Miazzo

Editor de CartaCapital

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Fonte: Carta Capital

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