“Não é uma vacina recomendada na rotina a partir de 2 anos”, diz infectologista sobre quando imunização contra HPV é indicada

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Por Luan MonteiroJornal Opção

“Não é uma vacina recomendada na rotina a partir de 2 anos”, diz infectologista sobre quando imunização contra HPV é indicada

O Ministério da Saúde passou a recomendar a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) para crianças a partir dos 2 anos de idade vítimas de violência sexual. A mudança consta em nota técnica publicada nesta semana pela pasta e amplia a recomendação, que contemplava vítimas de violência sexual dos 9 aos 45 anos.

A medida considera, entre outros fatores, o aumento das notificações de violência sexual entre crianças menores de 9 anos e a vulnerabilidade desse público à infecção pelo HPV. Segundo o Ministério da Saúde, a violência sexual na infância está associada a um risco maior de aquisição de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), incluindo o HPV.

Ao Jornal Opção, o infectologista Marcelo Daher explicou que a vacinação passa a integrar o conjunto de medidas de prevenção adotadas após uma situação de violência sexual. “Frente ao número de casos de abuso sexual de crianças no Brasil e ao risco de infecção pelo HPV, você faz para essas crianças, ou para essas pessoas vítimas de abuso sexual, uma série de profilaxias. Elas tomam um antibiótico, tomam remédio para HIV, tomam uma série de medicamentos. E a vacina do HPV é uma coisa que está disponível e que a gente não utilizava”, afirmou.

Segundo o especialista, embora a vacina contra o HPV seja aplicada rotineiramente em uma faixa etária diferente, sua utilização em vítimas de violência sexual busca reduzir o risco de infecções futuras. A recomendação não significa que a vacina seja indicada de forma geral para todas as crianças de 2 anos. “Não é uma vacina recomendada na rotina a partir de 2 anos. São situações realmente especiais”, continuou Daher.

Marcelo Daher é médico infectologista | Foto: Arquivo Pessoal

O infectologista também afirmou que a vacina é considerada segura para essa faixa etária quando utilizada dentro da indicação específica. “A vacina é segura. A gente só faz a partir de 9 anos porque o risco de exposição ao HPV é maior, a partir do início da vida sexual. Mas, com os dados que nós já temos hoje, a nível mundial, de proteção não só contra o HPV, mas contra câncer de traqueia, a partir de 9 anos, a partir de 2 anos, ela pode ser feita com tranquilidade”, explica.

Casos de violência sexual aumentam

Segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde, houve crescimento expressivo das notificações de violência sexual entre crianças e adolescentes ao longo de uma década. Na primeira infância, entre 0 e 4 anos, os registros passaram de 1.671 casos em 2014 para 7.845 em 2024, aumento de mais de quatro vezes.

Entre crianças de 5 a 14 anos, as notificações cresceram de 6.594 para 29.135 no mesmo período. Já entre adolescentes de 15 a 19 anos, passaram de 1.632 para 6.869.

Para o Ministério da Saúde, a recorrência da violência sexual também é um fator considerado na ampliação da recomendação. Uma vítima pode estar sujeita a novas exposições ao HPV no futuro, o que reforça a importância da prevenção.

HPV está associado a diferentes tipos de câncer

A infecção pelo HPV é associada a diversos tipos de câncer. O principal deles é o câncer do colo do útero, que tem o HPV como principal causa. “O câncer de colo de útero é o principal, que é o que a vacina protege. O causador desse câncer é o HPV”, explicou Daher.

O vírus também está relacionado a cânceres de ânus, vagina, pênis, vulva e orofaringe, além de poder provocar verrugas anogenitais e lesões nas vias aéreas superiores.

Entre essas manifestações está a papilomatose traqueal, doença causada pelo HPV que pode comprometer as vias respiratórias. De acordo com Daher, a vacinação também tem papel de proteção contra essa condição. “A papilomatose traqueal é causada pelo HPV e a vacina vai proteger também”, afirmou o especialista.

A nota técnica do Ministério da Saúde afirma ainda que a infecção pelo HPV representa um importante problema de saúde pública devido à elevada prevalência e à associação com diferentes tipos de câncer e outras doenças.

Segundo o documento, além dos riscos diretamente relacionados à exposição ao vírus, vítimas de violência sexual na infância podem apresentar consequências que aumentam sua vulnerabilidade às ISTs ao longo da vida, incluindo problemas emocionais, dificuldades de aprendizagem e comportamentos de risco.

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Fonte: Jornal Opção

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