Myriam Bregman repudiou ataques misóginos do peronismo e convocou o país à Marcha da Indignação

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Por Virgílio GrassoEsquerda Diário

A deputada federal do PTS na Frente de Esquerda e dos Trabalhadores Unidade (FITU) convocou para a mobilização deste sábado, 19/9. “A marcha vai ser grande, mas a questão é que tenha continuidade”, destacou. Acrescentou que “o importante é que em cada luta os trabalhadores que ficarem na rua, ou as mulheres, quando formos atacadas sintam que não estão sós”.

Myriam, liderança da esquerda argentina que veio ao Brasil lançar, com mais de 1000 pessoas nacionalmente, seu livro “Moderada Nunca”, sustentou que existe um desgaste do Governo de Javier Milei, mas ponderou que esse retrocesso não acontecerá por si só: convocou a organizar a indignação social e a enfrentar as políticas oficiais.

– “O desafio é dar continuidade à marcha deste sábado. A marcha vai ser grande, vai ser importante, mas a questão é que não seja descontinuada, que a partir disso cada luta, cada combate, os trabalhadores que ficarem na rua ou as mulheres quando formos atacadas sintam que não estão sós, que há todo um coletivo que vai apoiá-los e que podemos nos coordenar.”

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– “As lideranças sindicais ajudaram enormemente o Milei. Uma ajuda enorme, inestimável; acho que não vai bastar a vida toda de Milei e sua turma para agradecer, pois mantiveram cada luta limitada ao seu próprio curral. Mas chegou o momento de esta Marcha da Indignação (19S) servir para unificar as lutas.”

– “Nesses dias houve eleições em uma fábrica alimentícia emblemática, a Mondelez, ex-Stani, Terrabusi. Vencemos a eleição interna; [Rodolfo] Daer organizou uma fraude. Tampouco reconhecem essa vitória. Cortam hoje a possibilidade de os trabalhadores se organizarem e de lutarem por aumento salarial. Quando reclamam, dizem que têm de esperar, e outros dizem: ‘Fique tranquilo que eu vou ganhar as eleições no fim de 2027 e talvez discuta a situação’. A situação atual faz com que você não consiga pagar o aluguel, não consiga comprar remédios; é uma situação muito crítica”.

– “No mundo há uma crise com essa espécie de pêndulo que vai de governos de extrema-direita a governos reformistas que não promovem reformas, desencantam e a extrema-direita volta. Começa a surgir a palavra socialismo, começam a aparecer candidatos que questionam o genocídio que está sendo levado a cabo em Gaza por parte de Israel com o apoio dos Estados Unidos, começam candidatos que questionam a falta de moradia e dizem que é preciso afetar os interesses imobiliários”.

– “Que na Argentina esse processo seja encabeçado por forças que se reconhecem claramente anticapitalistas e trotskistas faz com que digam: ‘bom, o que é isso do trotskismo? Por que na Argentina se dá esse fenômeno?’ Começou a chamar a atenção quando aparecem institutos de pesquisa como Atlas Intel e outros, que claramente não têm nada a ver com a esquerda, ou menções em meios como The Economist”.

– “Mas a gente não pode ficar satisfeita com isso e dizer ‘já deu, vamos relaxar aqui e pensar nas eleições’. É preciso pensar em como está hoje o povo trabalhador, no quanto estamos sofrendo, no endividamento, na impossibilidade de chegar ao fim do mês. Para mim isso não dá mais para aguentar, por isso é a Marcha da Indignação, porque essa indignação precisa ser transformada em uma força material capaz de dar fim a essa situação e acabar com este governo de Javier Milei”.

– “Nós temos que pensar em como colocar em pé uma força política nova, uma ferramenta política da classe trabalhadora que verdadeiramente coloque esses interesses no centro. Não podemos ficar repetindo as velhas fórmulas da política tradicional que só pensa em termos miseráveis de conseguir uma cadeira a mais no parlamento.”

Diante dessa situação, Bregman convocou a mobilização e destacou a convocatória para uma “marcha da indignação” no dia 19 de setembro. “Acreditamos que realmente é preciso derrotar este plano, não dá para continuar esperando”, sustentou.

– “O principal aspecto da nossa força política é que ela diz a verdade, não vende ilusões, porque todos se mostram como presidenciáveis e dizem que com eles o salário vai subir. Nós temos um plano de ação e dizemos que é preciso lutar por ele, que ninguém vai te dar nada de presente e que não há saída pelas mãos do FMI.”

– “O fato de as aposentadorias estarem baixas hoje está assinado com o FMI, não é apenas uma maldade que passou pela cabeça de Milei. Que o combustível suba e que as tarifas dos serviços públicos aumentem está assinado com o FMI. A esquerda te propõe a verdade: que você tem que se organizar e lutar, porque ficando em casa você não vai transformar essa realidade.”

– “O que o peronista Cúneo [parte da foça política de Kicillof, governador de Buenos Aires] faz é misoginia, é violência. Ele demonstra claramente esse tipo de expressão o tempo todo. O problema é que, como sente que é reconhecido, como sente que aceitam sua filiação ao peronismo de Buenos Aires, que o governador da Província de Buenos Aires o incorpora em sua força política, isso dá respaldo para ele continuar fazendo isso. Não sou a única mulher que ele ataca, mas evidentemente direciona muitos de seus ataques a mim. Fala da origem judaica do meu sobrenome, ou seja, é antissemita, é misógino, é machista”.

Fonte: Esquerda Diário

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