Documentário sobre Bolsonaro recebeu R$ 84 mil de produtora de Dark Horse
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A produtora responsável por um documentário favorável a Jair Bolsonaro (PL), lançado nos cinemas em maio, recebeu R$ 84 mil de uma entidade presidida por Karina Gama, dona da Go Up, empresa que produziu o filme “Dark Horse”, investigado pela Polícia Federal. A informação foi publicada nesta quinta-feira (17) pela Folha de São Paulo.
Segundo dados da PF, a Dori Filmes, produtora de “A Colisão dos Destinos”, recebeu os valores da ANC (Academia Nacional de Cultura) entre maio de 2025 e maio de 2026. A Dori pertence a Doriel Francisco da Silva, diretor do documentário sobre Bolsonaro.
“A Colisão dos Destinos” estreou com a proposta de apresentar a “história não contada” do ex-presidente. O filme retrata Bolsonaro como uma figura simples, perseguida por não ceder à corrupção e destinada por Deus a chegar ao cargo mais alto da República. Na produção, aparecem depoimentos favoráveis de parlamentares bolsonaristas, como Mario Frias (PL-SP), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Helio Lopes (PL-RJ), além do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Além dos R$ 84 mil recebidos da ANC, a Dori Filmes também recebeu R$ 22 mil de verba de cota parlamentar de Mario Frias entre abril e julho de 2024. Em maio, Frias disse à Folha ter atuado apenas como colaborador pontual do documentário, “auxiliando na articulação de agenda com a família do presidente Jair Bolsonaro e também como um dos depoentes”.
A revelação amplia as conexões entre produtoras, emendas parlamentares e obras audiovisuais ligadas ao campo bolsonarista, em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal sobre o filme “Dark Horse”. A produção se tornou um dos principais focos de desgaste para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, que pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para concluir o projeto.
Segundo a PF, há indícios de atuação de uma organização criminosa suspeita de “direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular”. A investigação também mira repasses ligados à produtora Go Up, de Karina Gama.
Mario Frias passou a ser alvo de uma operação da Polícia Federal na semana passada, sob suspeita de desvio de R$ 750 mil em emendas destinadas à Go Up. De acordo com a PF, o deputado também transferiu R$ 645 mil à produtora de Karina Gama, valor considerado incompatível com os rendimentos de parlamentar. Frias negou irregularidades e classificou a operação como uma “cortina de fumaça”.
A Folha afirmou ter procurado Frias, Karina Gama, Doriel Francisco da Silva e a Associação Passos da Liberdade, mas não obteve resposta. Na semana passada, Karina disse em nota que não cometeu nenhum ilícito e que “investigação não é acusação, muito menos condenação”.
Doriel Francisco da Silva também aparece associado a outro projeto, da Associação Passos da Liberdade, que recebeu R$ 860 mil em emendas de Frias, Marcos Pollon (PL-MS) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Os recursos tinham como destino a produção de um documentário de média metragem chamado “Genocidas”.
Segundo o site da Passos da Liberdade, o projeto resultou no documentário “Nós”, descrito como uma obra sobre “regimes totalitários do século 20, com censura, perseguição política, centralização do poder, engenharia social, controle da linguagem e restrição progressiva das liberdades individuais”.
Na campanha eleitoral deste ano, a Dori Filmes também presta serviços à candidatura de Vilmar Rigo (Novo), conhecido como “Bolsonaro da Shopee”, que disputa uma vaga de deputado federal em Mato Grosso. De acordo com dados do TSE, a empresa recebeu R$ 20 mil da campanha por despesas declaradas com produção audiovisual.
A produtora é responsável por um vídeo divulgado no YouTube do candidato, que apresenta a trajetória do pecuarista nascido em Erechim (RS). A direção também é de Doriel Francisco.
À Folha, Rigo disse que escolheu a produtora após conhecer o trabalho feito em “A Colisão dos Destinos” e por ser apoiador de Jair Bolsonaro. “Sou admirador do trabalho do Doriel, que faz algumas coisas para várias empresas no Brasil. Tive conhecimento, assisti ao filme [‘A Colisão dos Destinos’]. Gostei, me interessou”, afirmou.
Rigo também disse desconhecer a menção da produtora em apurações envolvendo Mario Frias. Segundo ele, o apelido “Bolsonaro da Shopee” foi dado por Nikolas Ferreira, que o marcou nas redes sociais em 2023, quando o perfil do candidato passou a ganhar seguidores. Atualmente, Rigo tem 187 mil seguidores no Instagram.
Fonte: Brasil 247