Mulheres lideram formalização de negócios e superam homens em CNPJ
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A busca por formalização e autonomia no mercado de trabalho brasileiro tem no público feminino seu principal vetor de crescimento. Em 2025, a taxa de formalização no CNPJ entre as mulheres que atuam como empregadoras ou trabalhadoras por conta própria alcançou 36,7%, superando o percentual registrado entre os homens, que ficou em 34,2%, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
O resultado reafirma uma tendência estrutural observada em todos os anos da série histórica iniciada em 2012: as mulheres mantêm, de forma consistente, taxas de formalização de seus negócios superiores às dos homens. Em relação a 2024, quando o indicador registrou 35,2% para as mulheres e 32,7% para os homens, ambos os sexos apresentaram expansão, mas a vantagem feminina seguiu preservada.
A predominância da formalização feminina manifesta-se nos dois segmentos do empreendedorismo. Entre os trabalhadores por conta própria, o avanço do registro no CNPJ ocorreu para ambos os sexos ao longo da série, atingindo o auge histórico em 2025. Naquele ano, 29,3% das trabalhadoras autônomas possuíam CNPJ, enquanto a taxa entre os homens autônomos foi de 25,9%. Em 2012, no início da medição, esses índices eram de 15,8% para mulheres e 14,6% para homens.
A distância entre os gêneros torna-se ainda mais expressiva no segmento dos empregadores. Em 2025, 85,8% das mulheres que comandavam negócios com funcionários tinham registro formal no CNPJ, enquanto a proporção entre os empregadores homens foi de 79,0%. Em 2012, os percentuais eram de 82,4% para as mulheres e 73,1% para os homens.
O avanço da formalidade feminina insere-se em um quadro nacional de expansão dos trabalhadores independentes, que somaram 30,6 milhões de pessoas em 2025. Do total de empregadores e conta própria no país, 35,0% operavam com CNPJ — o maior nível da série histórica.
O grau de instrução é um elemento impulsionador desse processo. A Pnad Contínua revelou que, em 2025, mais da metade (50,8%) dos trabalhadores por conta própria com ensino superior completo no país já trabalhavam formalizados. Em contrapartida, a taxa de formalização despenca para 11,1% entre os autônomos sem instrução ou com ensino fundamental incompleto. Entre os empregadores graduados, a formalização chegou a 91,8%.
No âmbito da participação sindical, a presença feminina também apresenta recortes regionais próprios. Embora a taxa nacional de sindicalização dos homens (8,9%) tenha ficado ligeiramente acima da feminina (8,7%) em 2025, a Região Nordeste destacou-se como a única do país onde a proporção de mulheres associadas a sindicatos superou a de homens, registrando 9,6% entre as trabalhadoras contra 8,9% entre os trabalhadores.
Nas demais regiões do país, a taxa de sindicalização masculina permaneceu superior à feminina: no Sul, a proporção foi de 9,9% para homens e 9,4% para mulheres; no Sudeste, 9,0% contra 8,6%; no Centro-Oeste, 8,4% frente a 7,4%; e no Norte, 7,5% contra 6,4%.
Fonte: Brasil 247