Mulheres discutem caminhos para clima, bioeconomia e desenvolvimento da Amazônia em Belém
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Como transformar a riqueza ambiental da Amazônia em desenvolvimento econômico sem abrir mão da conservação da floresta e da valorização de quem vive e produz conhecimento na região? Essa é uma das questões que estarão no centro do IV Fórum Varanda da Amazônia, que será realizado nos dias 6 e 7 de outubro, em Belém (PA).
Com o tema “Amazônia: Substantivo Feminino”, o encontro reunirá mulheres com trajetórias em áreas como ciência, conservação, políticas públicas, bioeconomia, mudanças climáticas, comunidades tradicionais e cultura. A proposta é aproximar diferentes formas de conhecimento e experiências ligadas ao território amazônico.
Criado pela cantora Fafá de Belém, o Fórum chega à quarta edição. Em 2026, Mariana Belém assume a coordenação e a estruturação estratégica da programação, além de conduzir o encontro como mestre de cerimônias.
Entre as participantes estão a ambientalista Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental (ISA) e do Observatório do Clima; a socióloga Violeta Loureiro, da Universidade Federal do Pará (UFPA); a liderança quilombola Érica Monteiro, da Malungu/Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq); a pesquisadora Ellen de Nazaré Souza Gomes, da UFPA; e Renata Faber, da Exame. Também participam representantes de organizações ligadas ao extrativismo e à comunicação sobre a Amazônia.
Conhecimento produzido no território
A programação parte da ideia de que a Amazônia não deve ser compreendida apenas a partir de perspectivas externas. A produção científica se encontra, no Fórum, com conhecimentos tradicionais e experiências construídas diretamente nos territórios.
A trajetória de Adriana Ramos, que atua há mais de duas décadas com conservação e políticas públicas, estará entre os pontos de discussão. Também serão apresentadas experiências relacionadas à pesquisa acadêmica, à atuação socioambiental e aos conhecimentos acumulados por comunidades tradicionais.
A discussão envolve ainda o papel de pesquisadores, organizações e comunidades locais na produção de conhecimento que orienta decisões sobre a região. Em uma área estratégica para a biodiversidade e para o enfrentamento das mudanças climáticas, o encontro pretende colocar em debate como essas diferentes perspectivas podem contribuir para respostas mais conectadas às realidades amazônicas.
Bioeconomia e valor para a região
Outro eixo do Fórum será a relação entre conservação e desenvolvimento econômico. A discussão sobre bioeconomia, financiamento sustentável e agenda climática parte do desafio de transformar a biodiversidade e os conhecimentos existentes na região em novas cadeias produtivas, negócios e oportunidades de trabalho.
A questão envolve também a distribuição do valor gerado por essas atividades. O debate buscará abordar como estruturar cadeias produtivas ligadas à floresta, atrair investimentos e ampliar negócios sustentáveis, mantendo uma parcela maior da riqueza gerada no próprio território.
A perspectiva apresentada pelo Fórum é que a expansão de atividades econômicas sustentáveis depende não apenas da existência de recursos naturais, mas também de financiamento, inovação, infraestrutura e acesso a mercados. Nesse contexto, a participação de produtores, empreendedores e comunidades locais é apresentada como parte da construção das novas cadeias econômicas.
Cultura e a narrativa sobre a Amazônia
A cultura será outro componente da programação. A jornalista paraense Ísis Drumond participará das conversas sobre representação e sobre a maneira como a Amazônia é apresentada ao restante do país. A discussão dialoga com a própria origem do Fórum. O projeto nasceu em 2023 como desdobramento da Varanda de Nazaré, criada por Fafá de Belém em 2010 durante o Círio de Belém.
Segundo a organização, ao longo de 16 anos a iniciativa passou a reunir mais de 1.500 profissionais ligados a áreas como produção, técnica, logística, alimentação, transporte, hospitalidade, comunicação, cultura e economia criativa.
Prêmio Muiraquitã de Honra
Nesta edição, o Fórum também marca o lançamento do Prêmio Muiraquitã de Honra. A iniciativa terá periodicidade anual e, em sua primeira edição, pretende reconhecer mulheres cujas trajetórias estejam relacionadas à proteção da floresta e ao desenvolvimento regional. O nome faz referência ao mito das Icamiabas e busca associar a premiação a trajetórias de mulheres que atuam em áreas como conhecimento, empreendedorismo e participação pública na Amazônia.
Para Fafá de Belém, a proposta do Fórum é reunir mulheres que conhecem a região por diferentes perspectivas e colocá-las em diálogo.
“São mulheres que não aparecem apenas como personagens da Amazônia. São autoras dessa história”, afirma a cantora.
O IV Fórum Varanda da Amazônia terá início às 17h30 do dia 6 de outubro. No dia 7, a programação começa às 10h, no espaço Mercedários, em Belém. As inscrições são realizadas pelo site da Varanda de Nazaré.
Serviço
IV Fórum Varanda da Amazônia — “Amazônia: Substantivo Feminino”
📅 6 e 7 de outubro de 2026
📍 Mercedários — Boulevard Castilhos França, s/n, Campina, Belém (PA)
🔗 Inscrições: Varanda de Nazaré
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Fonte: umsoplaneta