Mulher de Ramagem faz campanha a partir dos EUA com totens de papelão no Rio

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Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – Candidata a uma vaga na Câmara dos Deputados, Rebeca Ramagem (PL) conduz sua campanha eleitoral à distância, dos Estados Unidos, enquanto equipes percorrem as ruas do Rio de Janeiro com totens de papelão que reproduzem imagens dela e do marido, o ex-deputado Alexandre Ramagem.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (20), Rebeca vive nos Estados Unidos com Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo sobre a trama golpista e considerado foragido da Justiça brasileira.

“[Faço a campanha] Do exílio a que a perseguição empurrou a minha família, a oito horas de voo do Rio. Não foi escolha: tive contas e salário bloqueados sem responder a processo algum. Na vitória, desembarco no meu Brasil para cumprir meu mandato do primeiro ao último dia”, afirmou Rebeca à Folha, em entrevista por mensagem intermediada por sua equipe.

Ramagem teve a prisão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após deixar o Brasil. Ele foi condenado a 16 anos e um mês de prisão no processo da trama golpista e passou a ser considerado foragido pelo STF.

Rebeca não informou à reportagem o endereço onde vive atualmente nos Estados Unidos.

Totens levam imagem do casal às ruas

Sem a candidata presencialmente no Rio, a campanha passou a recorrer a reproduções em tamanho real de Rebeca e Alexandre Ramagem. Os totens aparecem em atividades eleitorais e também têm sido divulgados nas redes sociais por candidatos do PL fluminense.

No lançamento da candidatura do deputado Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio, realizado no Maracanãzinho, as figuras de papelão apareceram ao lado de Fernanda Bolsonaro, mulher do senador Flávio Bolsonaro (PL).

“Se me impedem de estar em todo lugar, minha imagem e minhas propostas estão chegando onde nós não alcançamos. Os totens saíram à semelhança dos donos: faça chuva ou sol continuam de pé”, afirmou Rebeca.

Apesar da declaração, um adesivaço previsto para ocorrer na Tijuca duas semanas antes foi cancelado em razão do mau tempo.

As ações presenciais são coordenadas por antigos assessores de Alexandre Ramagem na Câmara. Integrantes da equipe usam camisas com fotografias do casal e a expressão “Faça Justiça”. Rebeca também afirma realizar reuniões virtuais com eleitores.

PL destinou R$ 1,5 milhão à campanha

A campanha de Rebeca recebeu R$ 1,5 milhão do PL. De acordo com a Folha, o valor supera os repasses destinados a Rogéria Bolsonaro e a deputados federais do partido que disputam a reeleição.

Alexandre Ramagem também ocupa espaço constante nas redes sociais da mulher desde o começo da corrida eleitoral.

A exposição do ex-deputado durante a campanha e sua condenação levaram a Procuradoria Regional Eleitoral a questionar o registro de Rebeca por suposto vínculo com organização criminosa.

Durante o julgamento no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), o desembargador Paulo Cesar Salomão criticou a participação de Ramagem na divulgação da candidatura.

“O vínculo com o condenado não se presume a partir do casamento, mas se extrai das escolhas da própria candidata que decidiu apresentar candidatura com ele como protagonista e porta-voz. Isso é o que me choca. É um tapa na cara do Judiciário. Um sujeito foragido fazendo campanha para uma candidata”, afirmou Salomão, segundo a Folha.

O magistrado chegou a comparar o caso com o de uma candidatura apresentada pela mulher de um líder do Comando Vermelho que havia sido indeferida pela Justiça Eleitoral.

TRE manteve candidatura por 5 votos a 2

Rebeca classificou a manifestação do desembargador como uma “acusação grosseira” e afirmou que seu caso teria sido analisado “pela capa”.

Ao final do julgamento, no entanto, o TRE-RJ deferiu sua candidatura por 5 votos a 2.

“Fui delegada, hoje sou procuradora. A alegação é dissociada dos autos e da minha carreira e história. Tentaram tirar da urna, no tapetão, aquilo que não conseguem vencer no voto. O Tribunal Eleitoral do Rio não deixou”, disse.

A candidata afirma não responder a processos. Segundo seu relato, suas contas foram bloqueadas e ela foi alvo de busca e apreensão por determinação de Moraes quando viajou aos Estados Unidos para encontrar o marido no fim do ano passado.

Questionada sobre sua manutenção financeira fora do Brasil, disse que a família utiliza “as economias de uma vida de trabalho lícito”.

“A pergunta certa é outra: com que base cortaram, sem processo, o salário de uma servidora concursada com duas filhas?”, declarou.

Afastamento como procuradora

Rebeca é procuradora do estado de Roraima e está afastada do cargo desde o fim do ano passado.

De acordo com as informações publicadas pela Folha, foram acumulados períodos de férias e licença-prêmio, enquanto permanecem pendentes 45 dias de licença médica ainda não confirmados pelo órgão estadual.

“Há apenas uma discussão judicial sobre perícia presencial, em grau de recurso. Estranho exigirem explicações de quem teve o salário cortado sem processo, e não de quem o cortou”, afirmou.

Nas redes sociais, Rebeca também passou a relacionar seu caso às recentes controvérsias envolvendo o STF. A candidata sustenta que os acontecimentos reforçam as críticas que vem fazendo às medidas adotadas contra sua família.

“Cada arbitrariedade confirma o que denunciamos. Medidas estendidas a mim e às minhas filhas sem processo e sem amparo constitucional. E o que importa ao eleitor: minha situação jurídica é limpa e regular. Posso ser eleita, diplomada e empossada”, disse.

Fonte: Brasil 247

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