Mudança no cálculo do PIB do Brasil segue recomendação da ONU
Por Luiz Fernando Menezes — Aos Fatos | Em busca da verdade na política – feed
Não é verdade que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vai adicionar atividades ilícitas no cálculo do PIB (Produto Interno Bruto), soma de todas as riquezas produzidas pelo país, para beneficiar o governo, como afirmam postagens. Segundo o órgão, a atualização segue as recomendações da classificação internacional da ONU (Organização das Nações Unidas).
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 7.000 curtidas no Instagram e centenas de compartilhamentos no Facebook até a tarde desta quinta-feira (17).
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Governo desesperado para melhorar o PIB mudou as regras de análise. Agora, tráfico de drogas e bets vão ser consideradas pelo IBGE no cálculo do PIB.

São enganosas as publicações que afirmam que o governo Lula decidiu maquiar o dado de crescimento econômico mudando o cálculo do PIB para incluir os ganhos do setor de jogos de azar e do tráfico de drogas. Na verdade, a atualização, que está prevista para entrar em vigor em 2028, adequa o cálculo brasileiro ao padrão internacional.
Em nota enviada ao Aos Fatos, o IBGE disse que a revisão “envolve a avaliação periódica de recomendações internacionais, a incorporação de novas fontes de dados e a revisão de estruturas estatísticas de referência”.
O instituto explica ainda que a atualização, que começou a ser desenvolvida em 2023, visa adequar o indicador à classificação internacional recomendada pela ONU.
De fato, segundo o Sistema de Contas Nacionais, documento de 2025 das Nações Unidas:
“Ações ilegais que se enquadram nas características de transações (notadamente a característica de haver acordo mútuo entre as partes) são, portanto, tratadas da mesma forma que ações legais. A produção ou o consumo — incluindo exportações e importações — de certos bens ou serviços, como entorpecentes, pode ser ilegal, mas as transações de mercado envolvendo tais bens e serviços devem ser registradas nas contas”.
Essa recomendação de contabilizar o mercado ilegal para medir a economia de um país existe desde a versão de 2008 do mesmo documento.
Mas isso não significa que o IBGE consegue rastrear a atividade ilegal. Carla Beni, professora de Economia da FGV (Fundação Getulio Vargas), explicou ao Aos Fatos que são feitas estimativas para calcular quanto de receita essas atividades geram.
Outros países também usam a mesma metodologia há anos. Desde 2014, por exemplo, Itália, Reino Unido e Espanha passaram a contabilizar tráfico de drogas, prostituição e contrabando no cálculo do PIB. Mais tarde, todos os 27 países da União Europeia adotaram a mesma medida.
Vale ressaltar, no entanto, que essa é apenas uma das mudanças previstas na adequação ao padrão internacional. O ponto principal é o ano-base — referência utilizada pelos órgãos estatísticos para os cálculos —, que era 2010 e passará para 2021. As últimas revisões aconteceram em 2015 (quando foi adotado o ano-base de 2010) e 2007 (quando foi adotado o ano-base 2000).
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Origem. As peças desinformativas distorcem o sentido de um artigo publicado pelo economista Bráulio Borges na Folha de S.Paulo no dia 15 de setembro. De fato, ele explica no texto que o cálculo do PIB pelo IBGE irá incluir “estimativas de jogos de azar (incluindo as bets) e de atividades ilegais, como contrabando e drogas”, mas elogia a nova metodologia, que chama de “avanço estatístico bem-vindo”.
O caminho da apuração
Aos Fatos procurou o IBGE e as notas metodológicas referentes à atualização do cálculo do PIB para explicar a decisão e o contexto da revisão. A reportagem conversou também com a professora de economia da FGV, Carla Beni, para tirar dúvidas sobre a atualização.
Aos Fatos também entrou em contato com a Secom, que não respondeu até a publicação desta checagem.