Morre Sônia Carneiro, jornalista que acompanhou Diretas e Constituinte

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Congresso em Foco

21/9/2026 15:44

A jornalista Sônia Carneiro, que acompanhou alguns dos principais capítulos da redemocratização brasileira e fez da cobertura política em Brasília uma parte central de sua trajetória profissional, morreu no domingo (20), aos 74 anos. O velório será realizado na terça-feira (22).

Repórter da Rádio Jornal do Brasil e do Jornal do Brasil, Sônia esteve no Congresso durante os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte e acompanhou o processo que resultou na Constituição de 1988. Mais recentemente, integrou a assessoria do senador Jaques Wagner (PT-BA).

Natural do Rio de Janeiro, Sônia Carneiro começou a trabalhar na Rádio Jornal do Brasil em 1971 e construiu parte importante da carreira em Brasília, em uma época em que ainda eram poucas as mulheres dedicadas diariamente à cobertura dos centros de poder.

Na década de 1980, já acumulava experiência na cobertura da Câmara dos Deputados e do Senado quando os constituintes começaram a elaborar a nova Carta brasileira.

Entre pessoas que Sônia acompanhou de perto estava Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte.

Testemunha

Sônia participou de algumas das principais coberturas políticas de sua geração. Acompanhou o movimento das Diretas Já, os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, a CPI de PC Farias e o processo que levou ao impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992.

Foi durante o governo Collor que protagonizou um dos episódios mais lembrados de sua carreira jornalística. Em uma coletiva, diante de rumores que circulavam na época sobre a saúde do presidente, perguntou diretamente a Fernando Collor se ele tinha HIV. A pergunta teve grande repercussão e marcou a relação tensa entre o governo e a imprensa naquele período.

Em 1992, Sônia recebeu o Prêmio Imprensa Estrangeira, concedido pela Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE), em reconhecimento ao seu trabalho jornalístico.

Sua trajetória foi marcada pela proximidade com os acontecimentos e por décadas de experiência nos corredores do poder em Brasília, em um período em que o trabalho dos setoristas tinha papel central na apuração cotidiana da política nacional.

Repercussão

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, lamentou a morte da jornalista em uma publicação na rede social X e destacou sua trajetória e o pioneirismo feminino na cobertura política.

“Foram mais de 50 anos dedicados à profissão e, como mulher, foi também pioneira na cobertura do Congresso Nacional”, escreveu Motta.

O presidente da Câmara também manifestou solidariedade aos familiares e amigos de Sônia.

Sônia Carneiro, pioneira na cobertura do Congresso, morre aos 74 anos.

O senador Jaques Wagner (PT) também publicou uma homenagem para Sônia.

“Foram mais de 30 anos de convivência e parceria. Uma relação que nasceu no trabalho, mas que há muito tempo já tinha ultrapassado qualquer vínculo profissional. Soninha faz parte da minha caminhada. Falar de Soninha é falar de confiança, teimosia, competência e ousadia. Uma jornalista excepcional, que acreditava, insistia e fazia acontecer, sempre com a convicção de que era possível fazer mais e melhor”, escreveu.

Sônia Carneiro, pioneira na cobertura do Congresso, morre aos 74 anos.

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