‘Já estamos em processo de resistência e combate a um golpe’, avalia analista internacional

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Por Larissa BohrerBrasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

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Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) enviado ao governo federal, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta riscos de interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro, que terá seu primeiro turno no dia 4 de outubro. O documento aponta uma escalada das pressões do governo de Donald Trump sobre o Brasil e relaciona a atuação de Washington a uma estratégia mais ampla para reorientar politicamente a América Latina.

A analista internacional Ana Prestes avalia que a instabilidade do presidente Donald Trump impede que a forma diplomática com que o presidente Lula (PT) sempre manteve relações com os EUA surta o efeito desejado. “O Trump vai e volta. Ele voltou atrás dos próprios acordos que fez com o presidente Lula. Ele desconsidera. É uma relação com muitas oscilações, pontos altos e baixos”, afirma. “Já estamos em processo de resistência e combate a um golpe. Como ele exatamente vai acontecer a partir do primeiro turno, não temos clareza, mas há uma movimentação golpista”, destaca.

Nesta semana, Lula participa da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que começa nesta terça-feira (22), em Nova York (EUA), e terá um espaço de fala. Prestes acredita que o presidente adotará um discurso de defesa do multilateralismo. “É uma necessidade urgente o retorno do multilateralismo para o centro do palco das discussões entre as nações. Porque o multilateralismo tem sido jogado fora especialmente por ações unilaterais dos EUA, em especial neste segundo governo Trump. Acredita-se que Lula não fará menção direta à Casa Branca, mas vai deixar claro que Brasil passa por eleições e que são eleições importantes para a estabilidade democrática e a soberania brasileira, e que há ameaças a essa democracia e a essa soberania”, afirma. “Também acho que ele falará sobre seu legado, especialmente do último mandato”, pontua.

Na avaliação, nenhum país da América Latina está preparado para o nível de ataque que os Estados Unidos têm feito. Ela cita o episódio de 3 de janeiro, em que o governo Trump atacou a Venezuela e sequestrou o presidente Nicolás Maduro. Ana Prestes alerta que a dúvida sobre como as movimentações golpistas vão se dar acaba gerando um cenário de imprevisibilidade. “É um desafio muito grande para o Brasil, que está tendo uma Suprema Corte que está sendo fragilizada, e isso faz parte do movimento golpista. Eu acredito que estamos no meio do furacão de um movimento golpista, que já atingiu o STF e pode atingir o TSE. Eu acho que a legitimidade das nossas eleições já está em questão, justamente por conta dessa guerra híbrida orquestrada por grupos externos, a partir da Casa Branca, Marco Rubio e outros com a família Bolsonaro”, analisa.

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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