Morre Amelinha Teles, vítima da ditadura, aos 81 anos
Por Ana Luiza Basilio — Carta Capital
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A ativista foi presa e torturada em 1972
Morreu nesta terça-feira 15 a escritora e ativista de direitos humanos Maria Amélia de Almeida Teles. Amelinha Teles, como era conhecida, atuou como militante do PCdoB e foi presa e torturada durante o período da ditadura militar no Brasil.
A morte foi confirmada por pessoas próximas, que não divulgaram informações sobre a causa. A ativista tinha 81 anos.
O velório será realizado na quarta-feira 16, das 12h às 17h, no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo.
Amelinha era diretora da União de Mulheres de São Paulo. Também integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e foi assessora da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”.
Nascida em Contagem (MG) em 1944, Maria Amélia de Almeida Teles começou a se envolver com a política ainda na juventude, influenciada por seu pai, que era militante comunista. Em 1964, logo após o golpe militar, foi presa pela primeira vez em Belo Horizonte. A partir de 1965, devido à forte perseguição política, mudou-se para São Paulo e passou a viver na clandestinidade com seu companheiro, César Teles, atuando no PCdoB.
O capítulo mais dramático de sua vida ocorreu em dezembro de 1972. Amelinha, seu marido César e sua irmã Criméia (que estava grávida) foram sequestrados e levados para o DOI-CODI de São Paulo. Seus filhos, Edson e Janaína (então com 4 e 5 anos), também foram sequestrados. No centro de detenção, Amelinha foi submetida a torturas bárbaras comandadas diretamente pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Os filhos foram levados para vê-la desfigurada na cadeira de dragão (instrumento de choque elétrico), uma das maiores crueldades registradas no período. Ela passou meses presa antes de ser libertada.
Em 2005, a família Teles moveu uma ação declaratória contra Carlos Alberto Brilhante Ustra, que em 2008 foi o primeiro agente da ditadura a ser declarado torturador.
Nas redes sociais, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) lamentou a morte da ativista e enalteceu o seu legado. “Recebo com muita tristeza a notícia do falecimento da querida Amelinha Teles. Uma mulher histórica, referência para tantas gerações que lutam pela vida das mulheres e pela democracia. Sua história de resistência à tortura e combate à ditadura é uma das mais importantes da história brasileira”, escreveu.
Também registrou pesar a vereadora Luna Zarattini (PT). “Hoje o Brasil perde uma de suas maiores e mais corajosas lutadoras. A nossa inesquecível Amelinha Teles nos deixou”.
Ana Luiza Basilio
Repórter do site de CartaCapital
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Fonte: Carta Capital