Moraes pede a Fachin liberação integral dos dados do celular de Vorcaro ao plenário do STF
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, nesta sexta-feira (11), que disponibilize imediatamente ao colegiado a íntegra dos dados extraídos do celular do empresário Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.
Moraes também requereu o acesso à indexação dos arquivos produzida pela Polícia Federal por meio dos sistemas Cellebrite e IPED. O aparelho, um iPhone 17 Pro, está identificado no Termo de Apreensão nº 4473731/2025 e é mencionado em documento da Petição 16.662.
O ministro sustentou que todos os integrantes do colegiado precisam examinar o mesmo conjunto de provas. “Não cabe ao Ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento”, afirmou Moraes no ofício encaminhado a Fachin.
O pedido foi apresentado depois de o ministro André Mendonça, relator da Petição 15.556, informar que uma cópia de segurança dos dados extraídos do telefone havia sido entregue pela PF ao seu gabinete em um envelope lacrado. O conteúdo está armazenado em um disco rígido criptografado.
Mendonça declarou que a cópia “permanece lacrada e intocada até o presente momento”. A entrega foi registrada em ofício da Polícia Federal datado de 8 de março de 2026. A extração dos arquivos consta do Laudo nº 4281/2026, produzido pelo setor técnico da corporação em São Paulo.
Moraes incorporou ao documento o argumento apresentado pelo ministro Cristiano Zanin em outro ofício. Segundo Zanin, o lacre não impede o compartilhamento porque o material guardado no gabinete de Mendonça é uma cópia, sem risco para a cadeia de custódia da mídia original.
O pedido de Moraes abrange tanto a íntegra da mídia apreendida quanto a organização dos dados efetuada pelos sistemas utilizados pela PF. A solicitação busca assegurar que os ministros tenham acesso direto aos arquivos antes de deliberarem sobre as petições relacionadas ao caso.
Disputa sobre o acesso aos autos
O novo ofício amplia a divergência no Supremo sobre quais documentos das investigações do caso Master devem ser compartilhados com os ministros e tornados públicos. Mendonça afirmou nesta sexta-feira que disponibilizou integralmente os procedimentos vinculados ao julgamento marcado para terça-feira (15), mas manteve sob sigilo materiais relacionados a investigações em andamento e dados pessoais, bancários e fiscais dos investigados. A manifestação foi divulgada após Fachin estabelecer prazo de 24 horas para a revisão dos sigilos.
A Petição 15.556 está relacionada à terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras vinculadas ao antigo Banco Master. Em manifestação anterior, Moraes acusou Mendonça de promover uma seleção subjetiva dos documentos e pediu a retirada integral do sigilo dos procedimentos relacionados à operação.
A discussão sobre o celular ganhou relevância depois da divulgação de um relatório parcial da PF que relaciona 52 mensagens atribuídas a Vorcaro e supostamente encaminhadas a Moraes. Segundo os investigadores, as respostas do interlocutor não foram recuperadas. O ministro nega ter mantido contato com o antigo controlador do Master.
Fonte: Brasil 247