Moraes alerta que Mendonça abriu seletivamente o sigilo e segue acobertando criminosos

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Por Hora do PovoHora do Povo

Mendonça continua tentando esconder os crimes envolvendo Flávio Bolsonaro. Ele só tirou sigilo do que lhe interessava. Liberou apenas 15 procedimentos de forma parcial, excluindo 180 peças e documentos digitais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou nesta sexta-feira (11) um ofício ao presidente da Corte, Edson Fachin, alertando que houve uma “escolha seletiva” na retirada do sigilo, por parte de André Mendonça, dos inquéritos e procedimentos ligados ao Banco Master.

Moraes pediu a derrubada imediata de todo e qualquer sigilo dos documentos. O ministro também solicitou o julgamento conjunto de duas petições em curso no tribunal sobre o caso. A que trata das mensagens trocadas por Vorcaro com o próprio Alexandre de Moraes e a que reúne relatórios que apontam quebra de imparcialidade, improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade por parte de Mendonça na condução das operações “Sem Desconto” e “Compliance Zero”.

A análise da situação de Moraes está prevista para a próxima terça-feira (15). Fachin ainda está definindo qual será o rito da análise relacionada ao colega. No documento enviado a Fachin, Moraes afirma que, ao cumprir solicitação da presidência do STF, Mendonça — a quem classificou como “diretamente interessado no julgamento” — liberou apenas 15 procedimentos de forma parcial, excluindo 180 peças e documentos digitais.

“O julgamento fracionado das PETs 16.704 e 16.662 (…) somado à escolha seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos e o direcionamento subjetivo de um dos interessados de quais documentos de cada PET deverão ser entregues aos Ministros julgadores, com a supressão de 180 (cento e oitenta) documentos, obstaculiza gravemente a análise probatória”, escreveu Moraes.

Ele pediu ainda que a Diretoria de Tecnologia da Informação do STF certifique a quantidade exata de procedimentos existentes relacionados à investigação. Moraes criticou o fato de ter sido pautada apenas a análise da petição relacionada a ele, sobre relação com Vorcaro, deixando de fora a que trata da conduta de André Mendonça. Esta última é a que reúne relatórios de inteligência da Polícia Federal sobre a atuação de Mendonça na condução das operações “Sem Desconto” e “Compliance Zero”.

Entre os pontos citados por Moraes contra Mendonça na comunicação original de 3 de setembro estão: usurpação da direção das investigações policiais com quebra da cadeia de armazenamento de provas; condução irregular de tratativas de colaboração premiada e direcionamento de apurações contra alvos, incluindo o próprio Moraes e o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, por motivações pessoais e políticas.

Moraes ressaltou que o próprio presidente Edson Fachin havia reconhecido conexão entre os dois temas para evitar decisões contraditórias. Por isso, formalizou os pedidos a Fachin: Realização de julgamento conjunto; levantamento total e irrestrito do sigilo de todos os procedimentos e intimação de todos os ministros do STF citados nos autos, para que possam prestar esclarecimentos e assegurar a defesa de suas prerrogativas;

O embate ocorre após André Mendonça retirar, na quinta-feira (10), o sigilo das principais apurações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido de Fachin. Contudo, a liberação manteve em segredo outras frentes, como apurações ligadas ao financiamento do filme “Dark Horse” — cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro que colocou sob apuração da Polícia Federal conversas entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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Fonte: Hora do Povo

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