Montadora chinesa quer ajudar ES a produzir carros elétricos 100% nacionais

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Publicado em 15 de Outubro de 2026 às 16:20

Maurílio Mendonça

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A FAW Group, montadora de veículos mais antiga da China, quer tornar o Espírito Santo um Estado produtor de carros elétricos 100% nacionais. A parceria com a E-Motors, empresa de Minas Gerais, começa com a montagem de carros elétricos mais populares, com peças importadas da China. Mas a intenção é que tudo seja produzido no Brasil.

A afirmação é de Jeff Li, CEO da Ritoo, empresa que vai representar a FAW Group no Brasil. “Queremos estabelecer uma joint venture no Brasil e fabricar o carro localmente, evoluindo do DKD para FKD e depois para CKD”, explica Li.

Uma joint venture é quando duas ou mais empresas realizam um empreendimento em conjunto, estratégia adotada para alcançar um objetivo comercial em comum. No caso da Ritoo (via FAW Group) e da E-Motors, esse objetivo está na produção de veículos elétricos mais populares.

Para conseguir tal objetivo, a estratégia adotada pelas companhias é de já começar a montagem dos carros, em Jaguaré, no Norte do Espírito Santo, a partir do modelo FKD. A montagem dos carros vai ser baseada em módulos e subconjuntos maiores do veículo, como pré-montados.

O modelo DKD é quando o veículo já vem praticamente pronto, com poucas peças desmontadas; e o CKD, quando o carro está totalmente desmontado.

Para chegar ao CKD, será necessário trazer a tecnologia chinesa, já que nessa modalidade praticamente tudo é produzido no próprio país onde o veículo é montado, uma vez que grande parte dos componentes do carro é comprado com fornecedores locais.

Primeiro, vamos trazer a cadeia de suprimentos da China para, depois, adaptar toda a produção ao mercado brasileiro

Jeff Li,  CEO da Ritoo (empresa que representa a FAW Group no Brasil)

De acordo com Mercídio Givisiez, CEO da E-Motors, essa mudança de FKD para CKD ocorrerá gradualmente. “Vai depender muito de como o próprio mercado reagirá à produção de um novo veículo. Acredito que mais empresas vão surgir para oferecer os insumos produzidos em nosso país”, prevê.

Givisiez aponta que uma das primeiras peças a ser “nacionalizada” será o pneu. “Aos poucos, teremos a cadeia de suprimentos bem próxima de nós, também contribuindo com o surgimento de novas empresas e de mais empregos no Espírito Santo”, disse o empresário.

A experiência da FAW Group no setor automotivo vem de décadas. Atualmente, é a fabricante de automóveis e caminhões mais antiga da China, fundada em 1953. A empresa também produz veículos de luxo.

Exatamente por já estar bem estabelecida, Li explica que a intenção da empresa chinesa não é apenas vender o carro no mercado brasileiro, mas também trazer a fabricação e a tecnologia para o Brasil. Por isso, também, o objetivo é fazer todo o trabalho em parceria com uma empresa nacional, a E-Motors.

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“Vamos usar a nossa capacidade e toda a cadeia de suprimentos que temos na China para colaborar com a E-Motors, permitindo que ela se torne uma espécie de Nio ou Li Auto no Brasil”, diz o CEO da Ritto, citando como referência outras duas marcas chinesas de carros elétricos e híbridos.

Mas o empresário reconhece que, para isso, é necessário tempo, esforço e muito processo. “O nosso objetivo é ajudar o povo brasileiro a criar sua própria marca, tecnologia, ecossistema e veículos na indústria de elétricos”, reforça Jeff Li.

Segundo o CEO da Ritoo, assim como a China recebeu, nos últimos 30 anos, montadoras europeias e americanas, desta vez será o Brasil a atrair as montadoras chinesas. “Nós aprendemos a desenvolver veículos, a criar o ecossistema da cadeia de suprimentos, e estabelecemos marcas locais. Enxergamos, agora, a mesma oportunidade no Brasil”, ressalta Li.

A empresa chinesa fez algo semelhante, recentemente, no México, ajudando uma empresa local a produzir o primeiro carro elétrico mexicano, o Olinia 1. Essa empresa projetou o carro, organizou o ecossistema da cadeia de suprimentos e lançou o veículo, apresentado mundialmente em junho deste ano.

“Acredito que conseguiremos usar toda a tecnologia e plataformas que temos na China para ajudar a E-Motors a fazer o mesmo, no Espírito Santo”, reitera Jeff Li.

Segundo as estimativas iniciais, a empresa deve começar a produção dos carros em novembro, com o pedido de homologação para liberar a comercialização do primeiro modelo, o Emova Pop. A previsão é que as vendas iniciem entre o final de fevereiro e o início de março de 2027, com o carro custando R$ 75 mil.

O veículo é compacto, com duas portas e capacidade para até dois passageiros. Com peso inferior a 600 quilos, o microcarro elétrico terá autonomia de até 200 quilômetros. O modelo segue os mesmos parâmetros dos carros já comercializados pela FAW Group em países europeus. Mas é diferente do modelo chinês, que tem quatro portas e capacidade para até quatro passageiros.

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