Minoria entre CEOs, mulheres superam média de publicações no LinkedIn em 24%

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Por Allan Ravagnani — Carta Capital

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Estudo da FGV EAESP com 225 presidentes de empresas mostra que elas somam só 17 nomes, mas geram mais interações que a média do grupo

Mesmo em minoria no comando das grandes empresas brasileiras, as mulheres CEOs publicam com mais frequência no LinkedIn do que a média dos presidentes corporativos. As executivas fazem, em média, 44,82 postagens por ano, volume 24% acima das 36,07 publicações registradas no conjunto de 225 líderes analisados.

Os números são de um levantamento da FGV EAESP. Das 225 lideranças acompanhadas, 17 são mulheres, o equivalente a 7,56% da amostra.

Ainda assim, elas também superam o grupo em engajamento. Cada executiva acumula, em média, 98.760 interações por ano, contra 95.297 na média geral dos líderes pesquisados.

Para Lilian Carvalho, professora da FGV EAESP e uma das responsáveis pelo estudo, presença digital e posição hierárquica nem sempre caminham na mesma proporção. Segundo ela, ocupar espaço na liderança corporativa e ocupar espaço no debate público são movimentos distintos.

“As mulheres ainda são poucas nas posições de CEO, mas, quando chegam a essas cadeiras, os dados mostram uma atuação digital bastante ativa. Elas publicam com maior frequência e conseguem gerar um nível de interação que supera a média da amostra”, afirma.

O levantamento acompanhou 225 presidentes de grandes companhias, instituições financeiras e empresas de alto crescimento entre 2025 e 2026. Entraram na análise a frequência de publicação, o engajamento e as linhas de conteúdo adotadas, além dos temas e dos sentimentos presentes nas postagens.

Para escolher os executivos, os pesquisadores usaram o método Delphi, que se apoia em consultas sucessivas e anônimas a profissionais como diretores de recursos humanos, headhunters e analistas de mercado.

Além disso, o estudo indica que a influência na rede vai além do tamanho da audiência. Entre os dez executivos de maior destaque, o número de seguidores e a eficiência das publicações variam bastante.

É o caso de Ana Sanches, que figura no Top 10 com uma base menor que a de outros integrantes do ranking e, mesmo assim, registra a maior taxa de engajamento proporcional do grupo, de 132,61%.

“Isso ajuda a desmontar a ideia de que influência digital é simplesmente uma corrida por seguidores ou pelo maior número de posts”, diz Lilian. Segundo a professora, pesa mais a capacidade de sustentar uma conversa com a audiência. “No caso das mulheres analisadas, chama atenção justamente a combinação entre constância e resposta do público”, completa.

Por trás do recorte feminino está uma mudança mais ampla na relação dos presidentes brasileiros com as redes sociais. Na primeira edição da pesquisa, em 2022, quase metade dos executivos analisados ficava fora da plataforma.

Hoje, os 225 monitorados mantêm perfis ativos e, juntos, produziram cerca de 8 mil publicações em um ano.

Entre os setores, as diferenças também aparecem. Os bancos lideram em engajamento total, com 742,4 mil interações, enquanto veículos e peças têm a maior eficiência por publicação, com média de 1.487 interações por post.

Já o setor de tecnologia e telecomunicações registra média de 67,3 publicações anuais por executivo.

Para Lilian, com a alta liderança instalada no LinkedIn, o desafio passa a ser diferenciar visibilidade de influência. “Estar na rede deixou de ser a principal questão. O desafio agora é entender o que o executivo faz com esse espaço, se consegue estabelecer uma voz própria e se existe uma audiência disposta a interagir com aquilo que ele diz. Os dados mostram que frequência, tamanho da base e influência não são necessariamente a mesma coisa”, afirma.


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Fonte: Carta Capital

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