Ministros enaltecem compromisso de Márcio Chaer com valores democráticos

0

Por Mateus Silva Alves — Consultor Jurídico

WhatsApp-Image-2026-06-10-at-19.12.23.jpeg

As mais altas autoridades do Poder Judiciário brasileiro prestaram suas homenagens ao jornalista Márcio Chaer, que morreu no começo da tarde deste sábado (3/10), em São Paulo. As palavras dos ministros do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores exaltam a coragem e o pionerismo do diretor da revista eletrônica Consultor Jurídico, além de sua defesa permanente dos valores da democracia. 

Enquanto o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, destacou a bravura de Chaer (“Márcio era um defensor das instituições e um entusiasta da difusão do conhecimento. Fugia do superficial. Nos momentos mais agudos da vida nacional, teve coragem e destemor para sustentar posições contramajoritárias, sempre leal aos fatos e ao senso de justiça”), o presidente da corte, ministro Edson Fachin, recordou o talento do jornalista para a inovação (“Pioneiro na comunicação especializada da Justiça, Marcio Chaer enxergou com lucidez a importância de aproximar o Direito da sociedade, promovendo um jornalismo analítico”).

O ministro do Supremo Dias Toffoli declarou que Chaer “foi um homem de bem, um amigo das instituições jurídicas brasileiras, um defensor da democracia e da dignidade das liberdades constitucionais da comunicação”. Já seu colega de corte Cristiano Zanin afirmou que o diretor da ConJur “empunhava, como poucos, a defesa do Estado de Direito Democrático no Brasil. Seu legado permanecerá vivo”.

Leia a seguir a íntegra das manifestações dos ministros:

Ministro Gilmar Mendes, decano do Superior Tribunal Federal:

Recebi com profunda tristeza a notícia do falecimento de Márcio Chaer, fundador do Consultor Jurídico. Jornalista qualificado, foi um dos pioneiros do jornalismo especializado em assuntos jurídicos no país. Mais do que um profissional que eu admirava e acompanhava, perdi um querido amigo. Seu caráter íntegro e sua generosidade permanecerão na lembrança de todos que com ele conviveram.

Em 25 de julho de 1997, o ConJur publicou seu primeiro texto. O Judiciário brasileiro ainda era solene e distante, e pouco do que se decidia nos tribunais chegava ao público. Márcio ajudou a mudar isso. Construiu uma plataforma que democratizou o acesso à informação especializada de qualidade. Eram textos gratuitos, de amplo acesso. Deu voz a muitos estudiosos do Direito e subsídios para o trabalho de todos os profissionais da área. Não há um advogado, um juiz ou um promotor no país que não tenha frequentado esse site e percorrido o universo de informações que ali vicejava.

Com o tempo, o projeto ganhou capilaridade e alcance: em 2007, Márcio criou o Anuário da Justiça, que passou a registrar perfis, decisões e tendências dos tribunais e se firmou como referência de consulta. O ConJur ultrapassou também as fronteiras do país, e suas páginas passaram a receber textos de grandes nomes do Direito estrangeiro, como o italiano Luigi Ferrajoli, os argentinos Eugenio Raúl Zaffaroni e Raúl Gustavo Ferreyra e os portugueses Jorge Miranda e Carlos Blanco de Morais. Assim, Márcio posicionou a revista na vanguarda da cobertura jurídica. Poucos fizeram tanto para aproximar o jornalismo e o Direito, e o público da informação qualificada.

Márcio era um defensor das instituições e um entusiasta da difusão do conhecimento. Fugia do superficial. Nos momentos mais agudos da vida nacional, teve coragem e destemor para sustentar posições contramajoritárias, sempre leal aos fatos e ao senso de justiça. Foi assim na cobertura da Lava Jato, quando abriu espaço, num momento em que poucos o faziam, para a crítica aos abusos e às violações de direitos fundamentais. Para ele, o jornalismo era também uma forma de defender as garantias individuais e o Estado de Direito. Sob sua direção, o ConJur tornou-se um dos bastiões de resistência contra a desinformação, ao oferecer conteúdo de qualidade.

Ao redor do ConJur, Chaer reuniu gerações de jornalistas e juristas renomados e cultivou amizades que atravessaram décadas. Tenho a honra de ter convivido com ele. À sua família, aos amigos e à equipe do ConJur, expresso minhas sinceras condolências e meu respeito por aquele que foi, e continuará sendo, uma referência para o jornalismo e para o Direito no Brasil.

Ministro Edson Fachin, presidente do STF:

O Supremo Tribunal Federal recebe com profundo pesar a notícia do falecimento do jornalista Márcio Chaer, ocorrido neste sábado.

Fundador e diretor do portal Consultor Jurídico (ConJur), Márcio Chaer deixa um importante legado ao jornalismo especializado na cobertura do Poder Judiciário. Profissional apaixonado pelo que fazia, construiu ao longo da vida um caminho marcado pela dedicação à informação de qualidade e ao fortalecimento das instituições republicanas.

Pioneiro na comunicação especializada da Justiça, Marcio Chaer enxergou com lucidez a importância de aproximar o Direito da sociedade, promovendo um jornalismo analítico. Sob o seu comando, o ConJur, fundado em 1997, não apenas inovou na difusão da informação jurídica, mas consolidou-se como um espaço, sempre aberto ao pluralismo de ideias, ao debate crítico e à publicação de reflexões fundamentais para a teoria e a prática do Direito. Outra importante iniciativa é o desenvolvimento do Anuário da Justiça, lançado na sede desta Corte como um divisor de águas para a gestão e o conhecimento do sistema de Justiça brasileiro. Produzido desde 2007, o Anuário faz um raio-x dos trabalhos da Justiça no ano anterior, com destaque para a atuação de ministros e ministras e para as principais decisões dos tribunais superiores.

O Supremo Tribunal Federal presta suas condolências e solidariedade aos familiares, amigos, colegas de redação e a toda a equipe do ConJur.

Ministro Dias Toffoli, do STF:

O jornalista Márcio Chaer, falecido no dia de hoje, foi um homem de bem, um amigo das instituições jurídicas brasileiras, um defensor da democracia e da dignidade das liberdades constitucionais da comunicação. Em sua trajetória, iniciada nos principais órgãos jornalísticos brasileiros dos anos 1970-1980, construiu uma sólida reputação profissional. Com a fundação da revista Consultor Jurídico, escreveu uma página pioneira na imprensa ao criar um novo objeto para a Comunicação Social: o jornalismo setorial especializado no sistema de Justiça. Pessoalmente, perco um amigo certo das horas incertas, uma pessoa leal e íntegra, mas que nunca desertou de sua vocação e dos valores do jornalismo ético. Em tempos como os atuais, a perda de Márcio Chaer é ainda mais significativa. Aos familiares, meus sinceros pêsames, especialmente ao seu filho Léo.

Ministro Cristiano Zanin, do STF:

Não há como falar de Márcio Chaer sem falar da história do Judiciário brasileiro. O jornalista, que nos deixa de forma trágica neste sábado (3), era um profundo conhecedor dos temas afeitos à justiça e ao direito no país.

Há quase 30 anos, inaugurou a revista eletrônica Consultor Jurídico (ConJur), pioneira na cobertura especializada sobre o Poder Judiciário. Ao longos de todo esse período, o portal se transformou em referência para quem busca informações confiáveis sobre o que acontece nos tribunais e na advocacia no Brasil.

Chaer empunhava, como poucos, a defesa do Estado de Direito Democrático no Brasil. Seu legado permanecerá vivo.

Ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE:

O Tribunal Superior Eleitoral lamenta a partida do jornalista Márcio Chaer, que valorizou e profissionalizou a cobertura jornalística do Poder Judiciário. Ele ajudou a mostrar à sociedade o valor das decisões e julgamentos da Justiça brasileira. Em nome da Justiça Eleitoral, desejo conforto aos amigos e familiares e afirmo que Márcio Chaer deixou sua marca no Judiciário brasileiro.

Ministro Luís Felipe Salomão, presidente do Superior Tribunal de Justiça:

O Superior Tribunal de Justiça e o Conselho da Justiça Federal manifestam extremo pesar pelo falecimento de Márcio Chaer, um dos principais jornalistas brasileiros e que por quase três décadas conduziu de forma competente e pioneira o sítio eletrônico Consultor Jurídico (ConJur). Sua atuação revolucionou a cobertura do Poder Judiciário. Um pouco de todos que defendem e respeitam a Justiça brasileira vai com ele. Que a família e os amigos se sintam confortados, pois Chaer foi um grande guerreiro. O exemplo de seriedade e comprometimento de Márcio Chaer com o jornalismo e com o Judiciário permanecerão para sempre na história do país.

O post Ministros enaltecem compromisso de Márcio Chaer com valores democráticos apareceu primeiro em Consultor Jurídico.

Fonte: Consultor Jurídico

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *