Ministro Leonardo Barchini: “A escola vai salvar o Brasil”

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Por Dafne Ashton — Brasil 247

247 – O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o próximo ciclo da educação brasileira deve ser marcado pela ampliação da jornada escolar e pela concentração dos esforços na aprendizagem dos estudantes. Em entrevista ao programa Boa Noite 247, da TV 247, ele sustentou que, depois de décadas em que o principal desafio foi colocar crianças e adolescentes dentro das salas de aula, o país precisa avançar na capacidade da escola pública de acompanhar os estudantes durante mais tempo e ampliar as oportunidades de formação.

“A escola por si só vai nos defender e vai nos salvar. É só a gente continuar investindo na escola, que ela, por si só, tem esse poder”, afirmou Barchini.

A declaração sintetizou o eixo defendido pelo ministro durante a entrevista: a escola pública como instrumento para enfrentar desigualdades acumuladas ao longo da história brasileira e como espaço de aprendizagem, convivência e formação de crianças e adolescentes. Para Barchini, a expansão do ensino em tempo integral será uma das principais etapas desse processo.

O ministro argumentou que o Brasil passou grande parte do século XX tentando enfrentar um problema anterior ao debate sobre qualidade: a exclusão de parcelas da população do sistema educacional. Segundo ele, a prioridade durante décadas foi ampliar o acesso e garantir a permanência dos estudantes. Com a expansão das matrículas, afirmou, o centro da política educacional precisa se deslocar progressivamente para a aprendizagem.

“No Brasil, o desafio até aqui foi acesso e fluxo. Agora, o nosso desafio é aprendizagem”, disse.

Barchini defendeu que o aumento do período de permanência dos alunos na escola será necessário para enfrentar essa nova etapa. A política federal considera como tempo integral a jornada de pelo menos sete horas diárias ou 35 horas semanais. O próprio planejamento estratégico do MEC estabelece como objetivo ampliar essas matrículas e associa a expansão à necessidade de infraestrutura, recursos e formação integral dos estudantes.

Para o ministro, aumentar a jornada não significa apenas acrescentar horas ao período escolar. A proposta, segundo ele, é utilizar esse tempo para combinar o ensino de disciplinas como português e matemática com esporte, cultura, arte e outras atividades de formação.

A defesa ocorre em meio à expansão do Programa Escola em Tempo Integral, instituído em 2023. A política foi criada para apoiar financeiramente estados e municípios na abertura de vagas com jornada ampliada. Documentos do MEC estabeleceram como meta a criação de aproximadamente 3,2 milhões de matrículas até 2026. No primeiro ciclo do programa, 965.121 matrículas foram declaradas pelas redes estaduais e municipais, das quais 684.225 já apareciam como comprovadas até o Censo Escolar de 2024, segundo nota técnica do ministério.

Na avaliação apresentada por Barchini à TV 247, a ampliação do tempo escolar ganhou importância diante das mudanças sociais que atingem crianças e adolescentes. O ministro citou a exposição às redes sociais e às telas, além da violência e do narcotráfico, como elementos que tornam mais complexa a formação dos jovens.

“A gente precisa expandir o tempo, a exposição do tempo desses jovens, das crianças na escola, para que finalmente a gente tenha uma escola que possa produzir aprendizagem”, declarou.

A proposta defendida pelo ministro também atribui à escola em tempo integral uma função social que ultrapassa o desempenho acadêmico. Segundo Barchini, uma jornada ampliada pode permitir que crianças e adolescentes tenham acesso regular à alimentação, atividades esportivas, cultura e espaços de convivência durante o período em que suas famílias trabalham.

Esse aspecto foi destacado especialmente em relação às mulheres. Barchini afirmou que a ausência histórica de uma rede ampla de creches e escolas em tempo integral transferiu para as mães parte do custo da insuficiência da infraestrutura educacional brasileira.

“Defender o tempo integral é defender essa emancipação”, afirmou.

Na avaliação do ministro, quando uma criança permanece na escola durante todo o dia, a política educacional também interfere na organização das famílias. A mãe pode permanecer no mercado de trabalho, continuar os estudos ou desenvolver outras atividades sem assumir sozinha o cuidado dos filhos durante o horário escolar.

“É muito importante que a mãe possa sair de manhã de casa para o seu trabalho, para o seu estudo ou para viver. E que seu filho, sua filha tenha cinco refeições numa escola em tempo integral”, disse.

Barchini afirmou ainda que a jornada ampliada precisa oferecer condições para que o estudante aprenda conteúdos curriculares e tenha contato com outras dimensões da formação. “Aprenda português, aprenda matemática, mas também tenha lazer, tenha esporte, tenha cultura, tenha arte”, declarou.

A ampliação da educação integral já integra os objetivos formais da política educacional federal. Entre as metas apresentadas pelo MEC estão ampliar a oferta de matrículas em tempo integral na rede pública, garantir a aprendizagem no ensino fundamental e médio e assegurar a alfabetização das crianças até o fim do segundo ano do ensino fundamental.

Outro instrumento citado por Barchini para sustentar a permanência dos jovens na escola foi o Pé-de-Meia. O programa concede incentivo financeiro condicionado à frequência e à conclusão das etapas do ensino médio. Dados divulgados pelo MEC em 2026 apontam 5,6 milhões de participantes desde a criação da política e uma redução de 43% na taxa de abandono entre o universo acompanhado pelo ministério.

Na entrevista, entretanto, Barchini colocou a expansão da jornada escolar no centro do próximo estágio da política educacional. Sua avaliação é que o país começa a reunir condições demográficas e financeiras para direcionar mais recursos por estudante e dedicar maior atenção à aprendizagem.

O ministro relacionou essa possibilidade também à redução do número de crianças e adolescentes provocada pela mudança da estrutura etária da população. Com menos matrículas no futuro e financiamento educacional mantido, argumentou, será possível elevar o investimento por aluno e reorganizar a infraestrutura disponível.

Para Barchini, essa mudança deve ser aproveitada para alterar um modelo no qual parte dos estudantes permanece apenas algumas horas por dia na escola. O objetivo apresentado pelo ministro é fazer da ampliação da jornada um instrumento para melhorar a aprendizagem e, simultaneamente, ampliar a proteção social das crianças e as possibilidades de inserção profissional e educacional de suas famílias.

Ao resumir sua posição, Barchini voltou à ideia que atravessou sua participação no Boa Noite 247: diante das transformações tecnológicas, sociais e econômicas enfrentadas pelas novas gerações, a resposta do Estado deve passar pelo fortalecimento da escola pública.

“Não existe projeto de desenvolvimento, projeto de nação, que não passe pela educação”, afirmou. “A gente precisa retomar a centralidade da educação.”

Fonte: Brasil 247

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