Milei ataca Lula nos EUA e manifesta apoio a Flávio Bolsonaro

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – O presidente da Argentina, Javier Milei, atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante um evento em Washington, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (14), e manifestou apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições brasileiras, marcado para 25 de outubro. Junto com o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato do PL, o argentino chamou Lula de “ditador comunista” e defendeu sua derrota nas urnas.

Em seu discurso, Milei também reforçou sua aliança com o presidente dos EUA, Donald Trump, às vésperas das eleições legislativas americanas de 3 de novembro, segundo reportagem da jornalista Paula Lugones, correspondente do jornal argentino Clarín em Washington. O presidente argentino participou como convidado de honra da Gala da Herança Hispânica, realizada no Andrew Mellon Auditorium. 

Em um discurso de aproximadamente 20 minutos, o ultradireitista defendeu uma articulação política entre governos latino-americanos alinhados à direita e à administração Trump, além de reiterar seu apoio à família Bolsonaro.

Milei chamou Lula de “ditador comunista”

Em sua manifestação, Milei mencionou países latino-americanos nos quais identificou avanços de forças políticas alinhadas ao seu governo. Entre eles, citou Equador, Bolívia, Honduras, Chile, Peru e Colômbia.

Na sequência, o argentino fez referência direta à eleição presidencial brasileira e expressou apoio a Flávio Bolsonaro, candidato que enfrentaria Lula no segundo turno.

“E agora meu querido amigo Flávio Bolsonaro, que com a força do céu ao seu lado tenho certeza de que dentro de poucos dias se encontrará novamente diante do ditador comunista Lula da Silva”, declarou, em tradução do discurso em espanhol.

Eduardo Bolsonaro

Condenado a quatro anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal em junho deste ano por coação judicial, Eduardo Bolsonaro também compareceu à cerimônia em Washington. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e irmão de Flávio, ele participou das atividades organizadas durante a noite e posou para fotografias com Milei.

Segundo o Clarín, os dois mantinham contato frequente e trocaram cumprimentos durante o evento, sem realizar uma reunião reservada específica. Durante o encontro, Milei voltou a atacar Lula, desta vez utilizando uma expressão ainda mais agressiva. “Vamos tirar o ditador comunista a pontapés”, afirmou o presidente argentino, segundo o relato do jornal.

Antes da cerimônia, Eduardo Bolsonaro conversou com o Clarín sobre a participação de Milei na campanha eleitoral brasileira. Questionado sobre a influência da visita do presidente argentino ao Brasil durante o primeiro turno, Eduardo defendeu a atuação política do aliado.

“Onde há liberdade, Milei está ao lado. E no Brasil a liberdade está com Flávio Bolsonaro”, declarou. Eduardo também afirmou que pretendia aproveitar o encontro para agradecer pessoalmente ao presidente argentino pelo apoio à candidatura de seu irmão.

A participação do ex-parlamentar na cerimônia ocorreu após decisões da Justiça brasileira relacionadas à sua atuação nos EUA.

Segundo o Clarín, o ex-deputado, que residia no Texas, recebeu em junho uma condenação de quatro anos de prisão por realizar articulações destinadas a estimular sanções americanas contra integrantes do governo Lula e a elevação de tarifas sobre produtos brasileiros.

Em 8 de outubro, um ministro do STF também determinou sua prisão e deportação, conforme a reportagem argentina.

Milei reforçou apoio a Trump antes das eleições legislativas

Além dos ataques a Lula, Milei dedicou parte do discurso à defesa do presidente dos EUA, Donald Trump.

O argentino afirmou que o resultado das eleições legislativas americanas, marcadas para 3 de novembro, teria consequências para a orientação política dos Estados Unidos e de outros países.

“Por isso também é tão importante, não apenas para os Estados Unidos, mas para todo o Ocidente, que o rumo do presidente Trump saia fortalecido nas eleições de novembro. Não podemos ceder um milímetro em nossa reconquista do hemisfério”, afirmou Milei, em tradução do espanhol.

O presidente argentino apresentou sua aliança com Trump como parte de um projeto de aproximação entre governos que defendiam políticas econômicas liberais e posições contrárias ao socialismo.

Ao longo do pronunciamento, também criticou movimentos de esquerda na América Latina e declarou que pretendia continuar defendendo suas posições em outros países.

A manifestação aconteceu durante a quinta viagem de Milei aos Estados Unidos em 2026. Desde sua eleição à Presidência argentina, o dirigente havia realizado 20 visitas ao país, conforme o Clarín.

Evento reuniu empresários e representantes do conservadorismo

A Gala da Herança Hispânica contou com pouco mais de 200 participantes no Andrew Mellon Auditorium, localizado no centro de Washington.

Segundo a reportagem, alguns convidados pagaram aproximadamente US$ 3 mil para participar da cerimônia.

Milei compareceu acompanhado de sua irmã, Karina Milei, do chanceler argentino Pablo Quirno e do embaixador Alec Oxenford.

A organização ficou a cargo da Latino Wall Street, plataforma voltada à educação financeira, e do veículo La Derecha Diario.

O jornal argentino foi fundado e dirigido pelo consultor Fernando Cerimedo, que atuou como assessor digital de Milei e enfrentava uma acusação de tentativa de assassinato de sua esposa na Bolívia, onde estava preso, segundo o Clarín.

Em agosto, Cerimedo vendeu sua participação no veículo ao jornalista espanhol Javier Negre, um dos apresentadores da cerimônia.

Durante o evento, Milei recebeu um reconhecimento por sua liderança e atuação internacional no contexto da herança hispânica.

Entre os participantes estavam Matt e Mercedes Schlapp, dirigentes da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC).

Também compareceram integrantes da administração Trump, como o tesoureiro dos Estados Unidos, Brandon Beach, o vice-secretário de Saúde Brian Christine e Alice Marie Johnson, responsável por questões relacionadas a perdões presidenciais na Casa Branca.

A cerimônia não contou com a presença dos principais integrantes do primeiro escalão do governo americano.

Trump enfrentava eleições legislativas em novembro

Enquanto Milei participava do evento em Washington, Donald Trump cumpria compromissos políticos em outras regiões dos Estados Unidos.

O presidente estadunidense intensificou sua participação na campanha para as eleições legislativas de 3 de novembro, quando os eleitores renovariam a Câmara dos Representantes e parte do Senado.

Segundo o Clarín, integrantes do governo republicano demonstravam preocupação com a insatisfação dos eleitores em relação ao custo de vida.

A inflação também integrava o debate eleitoral. O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos registrou alta anual de 3,7% em setembro, segundo os dados mencionados na reportagem.

A relação entre Milei e Trump incluía manifestações de apoio durante campanhas eleitorais e iniciativas de cooperação econômica.

O presidente argentino apoiou Trump quando o republicano disputava a Presidência americana. Posteriormente, o governo dos Estados Unidos anunciou um pacote de assistência financeira de US$ 20 bilhões à Argentina durante o período eleitoral do país sul-americano.

Milei tinha encontros econômicos e diplomáticos previstos antes de voltar à Argentina

A programação do presidente argentino em Washington previa compromissos relacionados à economia e à política externa nesta quinta-feira (15).

Pela manhã, Milei participaria de um evento na Câmara de Comércio dos Estados Unidos, onde receberia o prêmio de Campeão Global da Livre Empresa.

Na ocasião, apresentaria uma palestra sobre crescimento econômico após décadas de políticas que classificava como populistas. O secretário de Energia estadunidense, Chris Wright, apresentaria o dirigente argentino durante a cerimônia.

A agenda ocorria em um momento de preocupação nos EUA com a inflação e os preços dos combustíveis, influenciados também pela guerra no Oriente Médio.

À tarde, Milei participaria de uma reunião na Embaixada da Argentina dedicada ao combate ao antissemitismo.

O encontro ocorreria durante a presidência temporária argentina da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) e contaria com a participação do rabino Yehuda Kaploun, enviado especial de Trump para assuntos relacionados ao antissemitismo.

O presidente argentino deveria deixar Washington por volta das 21h desta quinta-feira e desembarcar em Buenos Aires na manhã de sexta-feira (16), às 8h30.

Fonte: Brasil 247

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