Meta nega favorecimento a Flávio Bolsonaro e atribui falhas em perfil de Lula a problema global

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – A Meta, controladora do Instagram e do Facebook, negou ter interferido na disputa presidencial brasileira em benefício de Flávio Bolsonaro (PL) e atribuiu a uma falha técnica global os problemas registrados na contabilização das visualizações de publicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A empresa afirmou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o incidente não prejudicou a distribuição dos conteúdos publicados pelo petista.

As explicações foram apresentadas nesta segunda-feira (12), em resposta a uma ação movida pela coligação de Lula. A campanha presidencial acusa a companhia de restringir o alcance de suas publicações, dificultar o impulsionamento de propaganda eleitoral e favorecer o adversário do presidente no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

Na manifestação encaminhada à Justiça Eleitoral, o Facebook Serviços Online do Brasil, representante da Meta no país, informou que uma instabilidade afetou os sistemas responsáveis pela contagem de visualizações e reproduções dos vídeos publicados no formato Reels, do Instagram. O problema teria ocorrido em 7 de outubro, entre 15h50 e 20h49.

Segundo a empresa, durante esse período, os números exibidos nas publicações poderiam aparecer zerados ou permanecer congelados, mesmo com os vídeos continuando a ser distribuídos normalmente aos usuários da plataforma.

A Meta sustentou que a falha não foi direcionada ao presidente brasileiro e atingiu criadores de conteúdo em mais de cem países. A companhia também declarou que, no dia do incidente, a distribuição das publicações da conta oficial de Lula ficou “substancialmente acima de sua própria linha de base recente”.

A explicação, no entanto, é contestada pela campanha petista, que aponta uma sucessão de dificuldades técnicas envolvendo os perfis oficiais do presidente e de seus apoiadores ao longo do processo eleitoral.

TSE cobra esclarecimentos após denúncia da campanha de Lula

A manifestação da Meta ocorreu após determinação do ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, que exigiu esclarecimentos sobre as dificuldades relatadas pela equipe responsável pela campanha digital de Lula.

A coligação presidencial acusa a companhia de praticar “seletividade algorítmica” e “restrição” de alcance das publicações favoráveis ao petista. A ação também questiona a suposta “omissão” da plataforma diante de contas que utilizariam inteligência artificial para produzir ataques ao presidente.

Outro ponto levantado pela campanha envolve a permanência de “conteúdos sintéticos” nas redes sociais, apesar das restrições estabelecidas pela Justiça Eleitoral para o uso desse tipo de material durante as eleições.

Na resposta apresentada ao tribunal, a Meta se recusou a disponibilizar informações individualizadas sobre contas de terceiros mencionadas na ação. A empresa argumentou que os responsáveis por esses perfis não integram o processo judicial e possuem direito à proteção de seus dados.

A companhia também solicitou um prazo adicional de 48 horas para informar quais medidas foram aplicadas, desde 16 de agosto, aos perfis oficiais de Lula. Segundo a empresa, a apresentação dessas informações depende de uma consulta aos registros internos das plataformas.

Após a resposta da Meta, a coligação de Lula e a Procuradoria-Geral Eleitoral terão prazo de 24 horas para apresentar suas manifestações à Justiça Eleitoral.

Campanha de Lula questiona explicações e aponta falta de transparência

A equipe do presidente contesta a versão da empresa e sustenta que os problemas não se limitam à exibição do número de visualizações.

Em nota divulgada após o acionamento do TSE, a campanha informou que ficou impossibilitada de utilizar o recurso de impulsionamento de publicações do feed do Instagram, ferramenta considerada importante para ampliar o alcance da propaganda eleitoral.

O impulsionamento permite que campanhas paguem para distribuir suas publicações a um público maior, de acordo com as regras estabelecidas pela legislação eleitoral e pelas plataformas digitais.

A equipe petista também questionou a ausência de evidências de que os problemas relatados tenham atingido outros candidatos na disputa presidencial brasileira.

“Mais uma vez, afirma a Meta, foi um ‘problema técnico’”, rebateu a campanha.

Na avaliação da coligação de Lula, a repetição dos episódios e a falta de informações detalhadas sobre suas causas alimentam suspeitas de interferência no processo eleitoral.

A campanha considera que as dificuldades enfrentadas nas plataformas podem comprometer a igualdade de condições entre os candidatos, especialmente na reta final da disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro.

As acusações, entretanto, são contestadas pela Meta, e as informações apresentadas até o momento não demonstram, por si só, que tenha ocorrido uma interferência deliberada da empresa em favor de uma candidatura.

Meta rejeita acusações de favorecimento eleitoral

Antes de apresentar sua manifestação formal ao TSE, a Meta já havia divulgado uma nota pública rejeitando as denúncias feitas pela coligação presidencial.

A empresa classificou as alegações como “simplesmente falsas” e afirmou que elas “não encontram respaldo nos fatos”.

“Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos”, declarou a assessoria da companhia.

A posição da Meta é de que as instabilidades identificadas decorreram de problemas operacionais e não de decisões destinadas a beneficiar ou prejudicar candidatos.

A campanha de Lula, por sua vez, cobra informações que permitam verificar a extensão das falhas, seus impactos sobre a divulgação de conteúdos eleitorais e a eventual existência de tratamento desigual entre os concorrentes.

Problemas nas redes sociais já haviam sido denunciados em setembro

O novo questionamento à Meta ocorre após outras reclamações apresentadas pela campanha de Lula durante o período eleitoral.

Em setembro, a equipe do presidente já havia solicitado explicações formais à companhia, alegando que a conta utilizada para administrar anúncios eleitorais no Facebook estava submetida a restrições.

Na ocasião, segundo comunicado oficial divulgado pelo PT, o perfil de Lula também chegou a ficar desabilitado na véspera da reclamação, ampliando as preocupações da campanha com a estabilidade de seus canais digitais.

Os episódios passaram a integrar o conjunto de reclamações da coligação sobre o funcionamento das plataformas da Meta durante a corrida presidencial.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a controvérsia coloca sob análise do TSE tanto as explicações técnicas da companhia quanto as denúncias apresentadas pela campanha de Lula.

A Justiça Eleitoral deverá avaliar as informações fornecidas pela empresa e as manifestações das partes para decidir se são necessárias novas diligências ou medidas relacionadas ao funcionamento das ferramentas de divulgação e propaganda eleitoral nas plataformas digitais.

Fonte: Brasil 247

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