Mercado Pago e a privatização encoberta da Caixa a favor dos amigos de Milei

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Por Jean BarrosoEsquerda Diário

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O processo de privatização da Caixa econômica não é de hoje, e segue uma lógica comum à governos tanto da frente ampla quanto do golpismo e do bolsonarismo. Ainda que não seja com a abertura de capital, como o Banco do Brasil, ou da venda total como foi feito com o antigo Banespa, que virou Santander, ela segue de forma mascarada privatizando pedaços das operações da Caixa.

O processo de privatização da Caixa econômica não é de hoje, e segue uma lógica comum à governos tanto da frente ampla quanto do golpismo e do bolsonarismo. É assim que, desde agosto de 2018, esse banco, que é público, passou à terceirizar o resgate de apostas online à fintech Mercado Pago, do Grupo Mercado Livre, que a amigos de Milei como Marcos Galperin, e a grandes fundos de especulação internacional, como The Vanguard Group, BlackRock, Fidelity Investments, Baillie Gifford.

O limite para o resgate online de apostas é de até R$ 2.259,20; enquanto que mensalmente, enquanto que sobre o saque também se aplicam as regras de isenção de imposto de renda, só podendo ser sacadas virtualmente as apostas isentas de IR. O valor é idêntico ao limite estabelecido para saques via pix, que, ao contrário da operação no Mercado Pago, não incorre em nenhuma taxa. Valores acima do mencionado exigem a ida presencial à uma agência da Caixa Econômica para sacar.

De bônus, o Mercado Pago ganha ainda uma imensa carteira de clientes, aos quais oferece produtos como Cartão Black e uma linha de crédito que, a depender, pode exceder em taxas o valor do cheque especial de um banco comum, e além destes, diversos outros produtos do Grupo Mercado Livre.

Nas apostas online, o Brasil teria movimentado cerca de R$ 37 bilhões em 2025, segundo o estudo “Análise do Mercado de Bets no Brasil”, feito pela Tendências Consultoria em parceria com a Peers Consulting+Technology. Já o estudo da Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) apontou que, para o mesmo período, o estrago teria sido o dobro, de R$ 62,5 Bilhões.

Não se trata, aqui, de uma discussão moralista em defesa da proibição das apostas. Trata-se de uma denúncia do uso da estrutura de um banco público, um banco que existe para gerenciar as poupanças dos trabalhadores e trabalhadores, assim como encargos trabalhistas e direitos sociais garantidos em lei, sendo colocada através da privatização para auxiliar a que grandes grupos capitalistas explorem economicamente um grupo social vulnerável, roubando seus salários e direitos ao operar transações realizadas mediante uma promessa “mágica” de melhoria das condições materiais via bets. Isso se insere ainda no contexto de que, apesar de se sentir uma crise econômica grave, o Brasil tem o mesmo modelo argentino de endividamento de sua população.

Isso tudo é só um retrato de um “longa metragem” das reformas neoliberais que afetaram os bancos públicos, de forma a gerar dividendos e enriquecer os donos da dívida pública, enquanto o banco ataca o plano de saúde dos bancários, e mantém o achatamento dos seus salários.

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Uma saída que questione a usurpação dos bancos públicos por grandes grupos capitalistas internacionais só pode sair da mobilização dos trabalhadores bancários, como na greve que atualmente segue contra a intransigência da direção da Caixa e do governo de Frente Ampla que segue a cartilha neoliberal, avançando para a defesa de uma Caixa à serviço do povo, e não de um punhado de capitalistas.

Fonte: Esquerda Diário

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