Mensagens mostram Vorcaro preocupado com ofensiva do goiano Joesley Batista contra Banco Master

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Por Giovanna Campos — Jornal Opção

Mensagens mostram Vorcaro preocupado com ofensiva do goiano Joesley Batista contra Banco Master

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostram que o banqueiro estava preocupado com a atuação dos irmãos Joesley e Wesley Batista durante as negociações para a venda do banco ao Banco de Brasília (BRB). Em conversa com o advogado Walfrido Warde, em maio de 2025, Vorcaro afirmou que precisava “frear” Joesley para evitar uma “guerra”.

Os diálogos, revelados pelo Valor Econômico, ocorreram enquanto o Banco Master buscava a aprovação do Banco Central para uma operação estimada em R$ 12 bilhões com o BRB.

Em uma conversa de 13 de maio, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, relatou a Vorcaro que Joesley e Wesley Batista haviam feito movimentos para tentar impedir a aquisição do Master pelo banco público.

Segundo Costa, os irmãos Batista teriam conversado com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), para alertá-lo de que a operação poderia não dar certo e poderia provocar problemas financeiros ao BRB.

Naquele momento, Costa interpretava a movimentação dos empresários como uma tentativa de enfraquecer o Banco Master para retomar negociações envolvendo a compra de determinados ativos da instituição. De acordo com ele, a abordagem aos integrantes do governo teria colocado em risco as negociações.

Vorcaro pede ajuda a advogado

Dois dias depois, em 15 de maio, Vorcaro procurou Walfrido Warde para discutir como reagir à atuação de Joesley.

“Tenho que frear esse Joesley senão vai entrar numa guerra. A maior que já houve na história”, escreveu o banqueiro.

Warde perguntou como poderia ajudar. Vorcaro respondeu que precisava pensar em uma estratégia porque, segundo ele, Joesley “vai pra cima”.

O advogado aconselhou o banqueiro a procurar o empresário e conversar diretamente com ele.

Em seguida, Vorcaro afirmou: “Temos que blindar PR”. Nas mensagens, a sigla PR é interpretada como uma referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Logo depois da conversa, Vorcaro e Warde fizeram duas chamadas de voz, com duração de 1 minuto e 57 segundos e de 1 minuto e 2 segundos.

No dia seguinte, Warde voltou a procurar Vorcaro. O advogado disse ter uma informação que considerava importante para “alvejar os inimigos” e afirmou que se tratava de uma “oportunidade única”. Ele sugeriu que os dois conversassem pessoalmente.

Vorcaro respondeu que iria ao encontro.

J&F nega interesse no Banco Master

Uma fonte ouvida pela reportagem afirma que o interesse de Joesley Batista nas negociações teria se concentrado na Kovr Participações, empresa que mantinha ativos relacionados ao Banco Master.

Segundo essa fonte, os irmãos Batista não pretendiam comprar o Banco Master, mas tinham interesse em determinados ativos da instituição.

A J&F, grupo empresarial dos irmãos Batista, negou que tivesse interesse na compra do Banco Master ou que tenha atuado para interferir na negociação com o BRB.

Em nota, a empresa afirmou que analisou ativos do Master oferecidos em 2025, mas desistiu da negociação depois que seus assessores jurídicos concluíram que eles não tinham o valor esperado pelos vendedores.

A J&F também afirmou que não tinha interesse na operação envolvendo o Banco Master e o BRB.

Mensagens anteriores citam proximidade com governos

Os irmãos Batista aparecem em outra conversa localizada no celular de Vorcaro, desta vez de julho de 2024.

Na ocasião, Fernando Mascarenhas, então diretor comercial do Banco Master, comentou uma conversa sobre a relação da instituição com políticos da Bahia. Segundo ele, havia sido mencionado que o Master era próximo do governo, assim como os irmãos Batista.

Vorcaro respondeu que essa proximidade era “marketing” para o banco e sugeriu que a informação fosse enviada ao presidente Lula e à base aliada.

As mensagens mostram que Vorcaro discutia com seus interlocutores estratégias para preservar relações políticas e institucionais enquanto o Banco Master buscava ampliar seus negócios.

Negociação com o BRB

A negociação entre o Banco Master e o BRB avançou ao longo de 2025 e envolvia uma operação estimada em cerca de R$ 12 bilhões. O negócio dependia de avaliações e autorizações do Banco Central.

As mensagens reveladas agora mostram a tensão existente nos bastidores enquanto diferentes grupos empresariais analisavam ativos do Master.

Posteriormente, o Banco Master entrou no centro de investigações sobre supostas fraudes financeiras. Vorcaro acabou preso no âmbito das apurações. A investigação também passou a envolver outras pessoas e instituições relacionadas às operações do banco.

As conversas extraídas do celular do banqueiro, porém, registram apenas as tratativas e estratégias discutidas entre Vorcaro e seus interlocutores. A existência das mensagens, por si só, não comprova a prática de crime por parte das pessoas mencionadas.

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Fonte: Jornal Opção

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