Mendonça passa da ‘investigação’ à ‘transparência seletiva’

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Por Hiroshi BogéaOpinião em Pauta

O presidente do STF, Edson Fachin, deu prazo de 24 horas para que o ministro André Mendonça quebre o sigilo da investigação sobre Flávio Bolsonaro no caso do Banco Master.

Apesar da determinação de Fachin pela quebra do sigilo de toda a investigação, no final da noite de 10/9, até a publicação desta matéria, Mendonça, que é relator do caso, não havia liberado a parte do inquérito que trata do candidato à Presidência pelo PL.

A Procuradoria-Geral da República enviou pedido a Fachin pela retirada do sigilo de toda a documentação do caso Master. A PGR argumenta que liberar parte da documentação poderia “induzir à ideia equivocada de transparência”.

 

Flávio elogia Mendonça

Na manhã de 11/9, os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin já haviam se manifestado pela liberação de toda a investigação. Moraes criticou o que chamou de retirada “seletiva” do sigilo da investigação por Mendonça. Ele relatou que foram retirados 180 documentos e arquivos digitais dos materiais liberados para exame dos ministros do STF.

Já Zanin solicitou a acesso a materiais de uma determinada mídia, necessário para a análise dos requerimentos apresentados pela PGR que também serão analisados na sessão plenária do STF, marcada para a próxima terça-feira, 15 de setembro.

Em campanha no Amazonas, Flávio Bolsonaro elogiou a atuação do ministro André Mendonça: “Eu queria muito que todos do Supremo fossem iguais ao Mendonça, não pesasse para lado nenhum.”

“Estamos numa eleição presidencial e não é novidade para ninguém que vão tentar fazer de tudo para desestabilizar e inventar coisas onde não tem”, afirmou o candidato. Mas, a julgar por suas declarações anteriores sobre o caso, a situação pode se complicar para Flávio.

R$ 72 milhões de Vorcaro para filme

Quando indigado se teria pedido dinheiro a Vorcaro, Flávio negou e afirmou que o repórter seria um “militante”. Logo a seguir, quando o portal Intercept Brasil publicou a ligação de Flávio para Vorcaro pedindo dinheiro para o filme Dark Horse, ele foi obrigado a reconhecer.

Em entrevista à Rede Globo, Flávio assegurou que o dinheiro era privado e que a última parcela liberada por Vorcaro teria sido em maio de 2025. Mais adiante, a Revista Piauí divulgou que Vorcaro teria liberado outra parcela de 1,6 milhão de dólares para o filme, em setembro de 2025, com base em relatório do Coaf sobre o Banco Master.

Flávio tem evitado responder sobre o assunto, que considera “mais que esclarecido” e superado. Ele é investigado no STF por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no caso Dark Horse, cujo relator é o ministro Flávio Dino.

Já foram rastreados R$ 72 milhões doados por Vorcaro para o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. A estréia seria em setembro de 2026, mas o lançamento foi cancelado.

Eduardo leva vida boa nos EUA

Até agora, Flávio não deu qualquer esclarecimento sobre a contratação da produtora Go Up, em nome de Karina Ferreira da Gama, que sofre outra investigação por contrato não cumprido para o fornecimento de wi-fi à Prefeitura de São Paulo.

Tampouco está claro o repasse de 12,3 milhões de dólares para o fundo de investimentos Havengate, entre janeiro e setembro de 2025. O dinheiro saía da empresa Entre Investimentos e Participações Ltda, de Antônio Carlos Freixo Júnior, e era enviado para o Havengate.

O fundo é administrado nos Estados Unidos por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. Numa mensagem obtida pela PGR, o próprio Eduardo orienta a um interlocutor que “… o ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo.”

O padrão de vida de Eduardo Bolsonaro, que vive numa mansão do Texas em valor estimado em R$ 6 milhões e aluguel de R$ 30 mil mensais, é motivo de dúvidas. Afinal, Eduardo perdeu o mandato de deputado federal e foi exonerado da PF.

Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações de BBC Brasil, Intercept Brasil, Revista Piauí, G1, UOL Notícias.

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Fonte: Opinião em Pauta

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