Mendonça não abriu mão de sigilo bancário
Por Luiza Vezzá — Aos Fatos | Em busca da verdade na política – feed
É falso que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça abriu seu sigilo bancário para contribuir com as investigações do caso Master. Não há registros públicos que atestem essa alegação que circula nas redes. Até o momento, o magistrado apenas apresentou duas notas fiscais para rebater acusações de que teria ganhado um terno do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 2.100 interações no Instagram e no Facebook até a tarde desta quinta-feira (10).
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Mendonça foi a única figura pública ligada ao caso Master a abrir o próprio sigilo bancário de maneira espontânea
Não é verdade que André Mendonça tenha decidido abrir espontaneamente o próprio sigilo bancário para contribuir nas investigações do caso Master. Não há registros públicos que atestem essa alegação na imprensa ou em canais oficiais.
O ministro, na verdade, apresentou apenas duas notas fiscais, que somam R$ 26,4 mil, para desmentir alegações de que teria sido presenteado por Vorcaro com um terno.
Segundo reportagem do ICL Notícias, publicada em 3 de setembro, mensagens indicariam que o advogado do então banqueiro, Ciro Rocha Soares, teria levado o ministro para fazer um terno em 8 de fevereiro de 2025. “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”, disse Ciro Rocha em mensagem de áudio.
Após a reportagem, Mendonça apresentou duas notas fiscais emitidas pela alfaiataria Vasco Vasconcellos, em São Paulo. Uma delas, em 8 de fevereiro de 2025, data que coincide com o envio do áudio, e outra no dia 28 do mesmo mês. A primeira registra um pagamento de R$ 16,5 mil à loja e a segunda, de R$ 9.900.
As notas fiscais foram emitidas no nome da esposa de Mendonça, Janey Nagliatti de Mendonça.
Embora os documentos possam comprovar uma transação comercial, isso não significa dizer que o ministro abriu mão de seu sigilo bancário, uma medida excepcional que expõe toda a movimentação financeira privada de uma pessoa ou empresa.
Desde 2012, o STF divulga mensalmente informações sobre os rendimentos dos ministros. Em julho de 2026, último dado disponível, Mendonça recebeu remuneração líquida de R$ 30.473,47. No entanto, o repositório não aponta o quantitativo de bens ou aplicações financeiras, por exemplo.
Os posts desinformativos passaram a circular após Mendonça retirar o sigilo do relatório da PF que detalha ligações entre Vorcaro e autoridades, o que detonou uma crise institucional sem precedentes no STF e em outros órgãos, como a PGR e a PF.
Mensagens extraídas do celular do banqueiro e divulgadas pelo ICL Notícias revelam que Mendonça teve ao menos um encontro com Vorcaro, em março de 2025.
O ministro admitiu ter encontrado Vorcaro “uma única vez”, mas negou que o assunto tivesse relação com o Master. Segundo o magistrado, o encontro foi realizado no instituto Iter, do qual era sócio-fundador. Na semana passada, Mendonça anunciou que deixaria o instituto.
O caminho da apuração
Aos Fatos buscou informações sobre suposta quebra de sigilo bancário do ministro e não encontrou registros.
A reportagem também compilou os principais movimentos de Mendonça acerca da crise recente envolvendo o STF para complementar o contexto da checagem.