Mendonça levanta sigilo de investigação sobre ‘Dark Horse’
Por Maiara Marinho — Carta Capital
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O ministro também retirou o sigilo de investigações relacionadas aos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA)
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decidiu derrubar o sigilo de casos derivados do processo que investiga fraudes no Banco Master, após pedido feito pela Procuradoria Geral da República. Na manifestação publicada nesta sexta-feira 11, o ministro levantou o sigilo de mais 38 processos, totalizando 53 com sigilo levantado no âmbito das apurações.
Entre eles, estão ações que versam sobre o financiamento ao Dark Horse – cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que envolve o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Mensagens relevadas pelo The Intercept Brasil demonstraram a relação próxima do banqueiro com Flávio, que, em ligações telefônicas, chegou a cobrar o pagamento de 134 milhões de reais para a produção do filme.
De acordo com as apurações da Polícia Federal, o senador atuou como contato direto com o banqueiro Daniel Vorcaro para solicitar verbas, as quais seriam posteriormente administradas pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
Ao pedir o fim do sigilo sobre o caso, o vice-procurador-geral Hindenburgo Chateaubriand Filho disse que “o que se verifica da listagem encaminhada é que nela não se contêm grande parte dos procedimentos atualmente correlatos à investigação mais ampla da chamada Operação Compliance Zero”.
Segundo Chateaubriand Filho, embora a medida tenha sido motivada “por alguma razão escusável de ordem administrativa”, “pode induzir à ideia equivocada de que a transparência que animou a medida proposta, perca, ao fim e ao cabo, o seu sentido último”.
Além do caso envolvendo Flávio, o ministro levantou o sigilo de investigações relacionadas aos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA), bem como ao ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).
No que se refere a Ciro Nogueira, o procedimento apura sua alegada atuação no Congresso em benefício do Master e de Vorcaro. A Polícia Federal indica a ocorrência de repasses de benefícios financeiros ao parlamentar, acusação que ele nega categoricamente.
Quanto a Cláudio Castro, as investigações concentram-se em supostas inconsistências na transferência de 3,6 bilhões de reais realizada pelo Rioprevidência, entidade previdenciária dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, ao Banco Master. A equipe de investigação afirma que a gestão do fundo articulou alterações para liberar as transações de elevado risco.
Por fim, a apuração sobre Jaques Wagner foca em sua proximidade com Augusto Lima, antigo sócio do Master. Os investigadores sustentam a hipótese de pagamento de vantagens indevidas por meio de transferências a uma companhia pertencente a parentes do senador e da compra de um imóvel de alto padrão em Salvador.
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Fonte: Carta Capital