Mendonça diz que acesso total ao celular de Vorcaro vai tumultuar julgamento de Moraes
Por Flávia Maia — JOTA
O ministro André Mendonça enviou um despacho para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, dizendo que a abertura de todas as informações contidas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro servirá apenas para “tumultuar o julgamento” do pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O ministro defendeu que o acesso na íntegra serve para “interesses que não os da Justiça”.
Ainda segundo Mendonça, o acesso ao material bruto vai colocar em risco a investigação, “dando ensejo à suscitação de questionamentos de toda ordem, para desviar o feito especificamente apregoado para julgamento de seu caminho natural”. Na sequência, Mendonça usa um trecho da decisão de Fachin que diz que: “a gravidade dos fatos não autoriza atalhos”.
O acesso aos dados do celular de Vorcaro vem sendo solicitado pelos ministros Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, que defendem que apenas com todo conteúdo em mãos será possível realizar o julgamento do dia 15.
Mendonça também solicita que Fachin ouça os quatro delegados da Polícia Federal que assinaram a investigação que deu origem ao inquérito do Banco Master. Mendonça também sugere que Fachin os questione sobre “eventuais constrangimentos sofridos ao longo das investigações”. Os delegados que Mendonça pede as oitivas são: Daniel Mostardeiro Cola, Wedson Cajé Lopes, Victor Arruda de Oliveira e Guilherme Alves de Siqueira.
Entenda
A crise no STF vem se agravando desde que se tornou público relatório da Polícia Federal, feito a mando do ministro André Mendonça, que mostrou que o ministro Alexandre de Moraes trocou mensagens e supostamente se encontrou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente por fraudes no Banco Master.
Com os achados da PF, Mendonça pediu para o presidente do STF, Edson Fachin, abrisse investigação contra o colega. Em resposta à investida de Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse que a apuração é nula porque o plenário não foi consultado sobre a investigação, conforme determina a lei.
Na sequência, Moraes também pediu a abertura de um inquérito contra Mendonça alegando “fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade” com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos. O pedido se deu no polêmico inquérito das fake news.
Dias depois, Mendonça afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e Flávio Dino o reintegrou no dia seguinte.
Pressionado pelos colegas, Palácio do Planalto e pela guerra de liminares entre ministros, o presidente do STF, Edson Fachin, tomou uma série de medidas para tentar estancar a crise. Entre elas a retirada de Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news, que passa a ser gerido pela presidência, e a suspensão das liminares dos ministros André Mendonça e Flávio Dino – o primeiro afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o segundo, o reintegrou.
Fachin também marcou para o dia 15 de setembro o julgamento sobre o pedido de abertura de investigação contra Moraes pelas mensagens trocadas com o ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, e os supostos encontros. Já o julgamento do pedido de investigação contra Mendonça será no dia 23 de setembro.
Fonte: JOTA