Mauro Vieira reforça apoio à UNRWA em reunião na ONU

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reforçou nesta quinta-feira (24), em Nova York, o apoio brasileiro à Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras para os Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) e chamou atenção para a crise humanitária em Gaza, a morte de mais de 390 funcionários da organização e as campanhas que buscam enfraquecer sua atuação.

Segundo nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), o chanceler co-presidiu uma reunião ministerial dedicada à sustentação política e financeira da agência durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. A ONU confirmou a realização do encontro e a participação brasileira.

De acordo com o Itamaraty, Brasil, Espanha e Jordânia organizaram a reunião, que contou com a presença do secretário-geral da ONU, António Guterres, e do presidente da 81ª sessão da Assembleia Geral, Khalilur Rahman. O encontro teve como objetivo reunir apoio internacional à UNRWA e preservar as condições necessárias para que a agência cumpra o mandato estabelecido pela Assembleia Geral. A ONU informa que a organização atende quase 6 milhões de refugiados palestinos em Gaza, Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, Jordânia, Líbano e Síria.

Durante sua intervenção, Vieira afirmou que a situação humanitária na Faixa de Gaza continua a impor condições de vida precárias à população. O chanceler recordou que se aproxima o primeiro aniversário do anúncio do Plano Abrangente para Pôr Fim ao Conflito em Gaza e destacou que cerca de 2 milhões de pessoas permanecem expostas a deslocamentos, falta de moradia adequada, restrições no acesso a serviços básicos e insegurança.

A transcrição oficial da ONU registra que Vieira descreveu a situação na Faixa de Gaza como uma crise humanitária que ainda atinge aproximadamente 2 milhões de pessoas. O ministro também afirmou que algumas dinâmicas observadas no território palestino nos últimos três anos passaram a aparecer na Cisjordânia, com deslocamento forçado de palestinos e destruição de infraestrutura civil.

Vieira lembra funcionários mortos da UNRWA

O chanceler também abordou as mortes de trabalhadores da agência. Segundo o Itamaraty, Vieira lembrou que mais de 390 funcionários da UNRWA morreram enquanto prestavam assistência aos refugiados palestinos.

O número já havia aparecido em manifestações anteriores de dirigentes da própria agência. Em março, o então chefe da UNRWA, Philippe Lazzarini, pediu uma investigação internacional sobre a morte de mais de 390 integrantes da organização durante a guerra em Gaza.

Vieira mencionou o tema ao recordar a presidência brasileira da Comissão Consultiva da UNRWA. O Brasil mantém participação histórica nesse colegiado e já havia anunciado, em 2023, que assumiria uma das vice-presidências a partir de julho de 2024 e a presidência a partir de julho de 2025.

O ministro também condenou iniciativas que, segundo o governo brasileiro, buscam comprometer a legitimidade e a capacidade de atuação da agência. O chanceler mencionou campanhas de desinformação, difamação e pressão jurídica contra a instituição.

Brasil, Espanha e Jordânia defendem continuidade da agência

A reunião de Nova York procurou consolidar apoio político e financeiro à UNRWA e reafirmar o mandato que a Assembleia Geral da ONU atribuiu à organização. A agência surgiu a partir da Resolução 302, aprovada em 1949, e iniciou suas operações em maio de 1950.

A UNRWA mantém serviços de educação, atendimento médico, proteção e assistência humanitária para refugiados palestinos. Segundo informações apresentadas durante o encontro, a organização atende quase 6 milhões de pessoas e mantém atividades educacionais para mais de meio milhão de crianças em mais de 700 escolas.

Representantes dos três países organizadores defenderam a manutenção do trabalho da agência. O ministro das Relações Exteriores da Espanha afirmou durante a reunião que a UNRWA exerce uma função central na assistência aos refugiados palestinos e pediu apoio político e financeiro dos Estados-membros. A Jordânia também participou da condução do encontro.

Guterres pede apoio político e financeiro

António Guterres usou sua participação para defender a continuidade das operações da UNRWA. O secretário-geral agradeceu a Brasil, Jordânia e Espanha pela organização da reunião e pediu apoio político e financeiro dos países-membros para que a agência consiga manter seus serviços.

Segundo Guterres, a UNRWA enfrenta um déficit de caixa de US$ 100 milhões. O secretário-geral afirmou que a escassez de recursos coloca operações em risco e ameaça serviços destinados a milhões de refugiados palestinos. Ele também citou restrições às atividades da agência e dificuldades para o trabalho de seus funcionários.

O secretário-geral declarou ainda que a Assembleia Geral renovou o mandato da UNRWA por mais três anos em dezembro. Para Guterres, os países precisam garantir recursos e condições operacionais para a instituição executar as atribuições determinadas pelas Nações Unidas.

Brasil mantém atuação na Comissão Consultiva

A presença brasileira na estrutura de apoio à UNRWA antecede a atual crise em Gaza. Documentos diplomáticos registram a participação do país na Comissão Consultiva e o apoio brasileiro à continuidade dos serviços prestados pela agência aos refugiados palestinos.

Em 2024, o Itamaraty também se posicionou contra medidas que dificultassem as operações da UNRWA nos territórios palestinos ocupados. Na ocasião, o governo brasileiro destacou a atuação da agência nas áreas de educação, saúde e assistência humanitária e defendeu condições para a continuidade de seus trabalhos.

A reunião desta quinta-feira ocorreu durante a semana de alto nível da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova York entre 22 e 29 de setembro. Khalilur Rahman, de Bangladesh, preside a atual sessão.

Ao colocar a situação da UNRWA na agenda ministerial, Brasil, Espanha e Jordânia buscaram concentrar apoio internacional em torno da continuidade da assistência aos refugiados palestinos. O encontro reuniu representantes de governos e dirigentes das Nações Unidas em meio aos desafios financeiros e operacionais que afetam a agência e às condições enfrentadas pela população palestina em Gaza e em outras áreas atendidas pela instituição.

Fonte: Brasil 247

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