Mascaro defende a união entre o “combativo Lula” e o “médico Alckmin”
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Em reflexão sobre os rumos estratégicos do campo progressista e a disputa pela consciência popular brasileira, o jurista e filósofo político Alysson Mascaro defendeu, na TV 247, que a resposta à ofensiva da extrema-direita não passa por concessões estéticas ou discursos vazios, mas sim pelo resgate da autoridade concreta e da firmeza política.
Para Mascaro, o eixo dessa reconexão popular reside na síntese entre duas figuras complementares: o perfil combativo do Lula das bases sindicais e a postura sóbria e resolutiva do Geraldo Alckmin “médico”.
O falso amálgama e a crítica à esquerda liberal
Ao analisar a correlação de forças na sociedade brasileira, Mascaro recorre ao conceito gramsciano de bloco histórico para explicar por que a direita tem demonstrado capacidade de aglutinação, unindo setores empresariais, bases religiosas e currais eleitorais tradicionais em torno de um discurso afirmativo.
Em contrapartida, o jurista alerta para o esvaziamento político do campo progressista, que nas últimas décadas passou a ser hegemonizado por uma vertente de corte liberal inspirada no modelo norte-americano:
“Essa esquerda liberal abomina a luta econômica concreta, abomina a luta de classes e as pautas de soberania nacional contra o imperialismo. Ela fica presa a uma disputa estética e de redes sociais, que não dialoga com o trabalhador que pega condução cheia e precisa colocar comida na mesa.”
Segundo o professor, enquanto o eleitorado conservador expressa suas posições com firmeza, a esquerda fragmentou suas bases e passou a oferecer o que o filósofo Ernst Bloch classificava como “esperança abstrata” — um discurso de conciliação ingênuo que não oferece respostas materiais às angústias cotidianas do povo.
A demanda por ordem e a realidade das periferias
Um dos pontos centrais da análise de Mascaro é o diagnóstico sobre a segurança pública e a vida cotidiana nas periferias urbanas. O trabalhador que rala em jornadas exaustivas e teme perder o celular no ponto de ônibus quer ordem, estabilidade e garantia de integridade para a sua família.
“O povo trabalhador quer ordem. Ele não quer ouvir discursos etéreos de quem nunca pisou na periferia. Ele precisa ver quem vai tomar a decisão e resolver o problema.”
Nesse cenário, Mascaro sustenta que a disputa não se vence recuando nos afetos, mas sim demonstrando que quem realmente garante a ordem, a paz social e a estabilidade das famílias trabalhadoras é um projeto nacional e popular, e não o projeto que precariza o trabalho e destrói serviços públicos.
A síntese: o combatente e o médico
É justamente nessa conjuntura que ganha relevância a fórmula que Mascaro sintetiza como o “velho Lula” e o “médico Alckmin”:
- O combativo Lula sindicalista: O líder talhado nas greves e nas lutas do ABC paulista, capaz de falar a língua da classe operária, peitar as pressões dos grandes interesses econômicos e empunhar a bandeira da soberania nacional.
- O médico Alckmin: A figura que projeta sobriedade institucional, método e previsibilidade — o médico que diagnostica a enfermidade com calma e prescreve o remédio necessário, transmitindo confiança e autoridade sem afetação.
Para o jurista, essa combinação reúne firmeza popular e capacidade de gestão, desarmando o estereótipo de fraqueza frequentemente explorado pela oposição.
Sensibilidade política contra a tecnocracia
Mascaro também abordou o debate sobre a condução econômica do país, criticando o domínio tecnocrático de economistas formados em gabinetes e distantes do cotidiano social. Para ele, quadros com trajetória política e experiência de rua costumam ter mais sensibilidade quanto ao impacto corrosivo de juros extorsivos e do arrocho salarial sobre a vida do trabalhador do que operadores financeiros da Faria Lima.
Concluindo sua avaliação, Mascaro ressaltou que a verdadeira esperança deve ser concreta: aquela que enxerga o desejo legítimo da população por prosperidade, trabalho digno, segurança e orgulho do próprio país, transformando aspirações individuais em um projeto coletivo e soberano de nação.
Fonte: Brasil 247