Janja é criticada em reunião de coordenação de Lula por chamar Nikolas de “piá de bosta”
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – A atuação da primeira-dama Janja da Silva foi alvo de críticas durante uma reunião da coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizada nesta terça-feira (6), em Brasília. Entre os episódios mencionados pelos participantes esteve o uso da expressão “piá de bosta” para se referir ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), segundo relata a jornalista Bela Megale, em sua coluna.
Segundo relatos sobre o encontro, ao menos três participantes defenderam uma redução da exposição da primeira-dama durante o segundo turno e, simultaneamente, uma participação maior do vice-presidente Geraldo Alckmin na campanha.
Um dos presentes afirmou que a proposta de ampliar o protagonismo de Alckmin recebeu aplausos na reunião.
Declarações sobre Nikolas foram questionadas
Janja chamou Nikolas de “piá de bosta” inicialmente durante um ato da campanha de Lula em Salvador, em 29 de setembro, após o deputado divulgar nas redes sociais um trecho fora de contexto de uma declaração do presidente sobre exames médicos preventivos.
A primeira-dama voltou a usar a expressão durante uma caminhada eleitoral em Belo Horizonte, em 2 de outubro. Na ocasião, também chamou Nikolas de “piá mentiroso”.
O episódio foi mencionado na reunião como exemplo de uma exposição considerada contraproducente por integrantes da campanha.
Outro participante afirmou que, durante uma agenda em Santa Catarina, Janja teria mencionado a família Bolsonaro 17 vezes, situação que, segundo o relato, provocou incômodo entre organizadores locais.
Equipe da primeira-dama também é alvo de queixas
As críticas não se limitaram às declarações públicas de Janja.
Participantes também fizeram reclamações sobre a atuação de integrantes de sua assessoria. Segundo os relatos apresentados no encontro, haveria queixas sobre a maneira como membros da equipe se relacionam com autoridades locais, organizadores de eventos e servidores do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Essas avaliações representam relatos de integrantes da campanha presentes na reunião e não uma manifestação oficial da coordenação ou do presidente Lula.
Mais Alckmin
Em contraste com as críticas à exposição de Janja, participantes defenderam maior presença de Geraldo Alckmin na campanha.
A proposta coincide com a posição apresentada publicamente pelo presidente nacional do PT e coordenador político da campanha, Edinho Silva, que defendeu uma participação mais efetiva do vice-presidente na coordenação durante o segundo turno.
A avaliação é que Alckmin pode contribuir especialmente para ampliar o diálogo com empresários, setores de centro e segmentos que não integram o eleitorado tradicional do PT.
Edinho também defende a incorporação de outras lideranças à coordenação, entre elas Camilo Santana, Rui Costa e Jaques Wagner, sem afastar os integrantes que já fazem parte do comando da campanha.
Comunicação também recebe críticas
Outro ponto discutido na reunião foi a comunicação da campanha.
Participantes avaliaram que a estratégia até agora não conseguiu apresentar de maneira suficientemente clara as realizações do governo Lula. Também houve cobrança por maior integração entre as diferentes áreas responsáveis pela campanha.
A estratégia de comunicação conduzida pelo ministro Sidônio Palmeira e pelo marqueteiro Raul Rabelo passou a ser objeto de questionamentos internos depois do primeiro turno.
Além disso, participantes defenderam que a campanha amplie a interlocução com partidos e lideranças de fora do PT, em linha com a articulação que Edinho vem conduzindo com PSD, MDB, PP, União Brasil, Republicanos e outras legendas.
Segundo turno terá coordenação ampliada
Durante a reunião, houve ainda um episódio envolvendo Edinho. O presidente do PT deixou a sala por um período considerado longo pelos participantes e as intervenções chegaram a ser interrompidas até que ele retornasse.
Edinho afirmou posteriormente que não pretende substituir integrantes da coordenação. A estratégia para o segundo turno será ampliar o grupo e incorporar lideranças capazes de atuar em diferentes regiões e setores da sociedade.
A reorganização acontece depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
A campanha do presidente busca agora ampliar alianças, intensificar a presença territorial e ajustar sua comunicação para os 20 dias de disputa até o segundo turno.
Fonte: Brasil 247