Marcos Molina usa jato da MBRF para evento pessoal e acionistas minoritários protestam

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – Acionistas minoritários da MBRF, empresa fruto da fusão entre Marfrig e Brasil Foods, questionam o uso de um jato Gulfstream G650 da companhia pelo empresário Marcos Molina em viagens de caráter pessoal, incluindo uma ida à Europa para o casamento de sua filha. Os investidores sustentam que a utilização de um ativo da empresa em benefício particular pode contrariar a Lei das Sociedades por Ações. A companhia nega qualquer irregularidade. As informações são da coluna Painel S.A., da Folha de S. Paulo.

Segundo a publicação, a controvérsia envolve as condições em que o controlador pode utilizar a aeronave da companhia fora de compromissos diretamente relacionados aos negócios da empresa.

A MBRF sustenta que o avião é utilizado prioritariamente para finalidades corporativas, mas que seu uso pessoal está previsto entre os benefícios concedidos aos administradores e foi aprovado pelos acionistas.

Viagem à Europa entra no centro da discussão

Um dos episódios questionados pelos minoritários é a utilização do Gulfstream G650 para uma viagem à Europa relacionada ao casamento da filha de Molina.

Segundo estimativas apresentadas pelos acionistas, um voo dessa natureza teria custo entre R$ 410 mil e R$ 435 mil.

Os minoritários questionam tanto a legalidade do uso do bem da companhia para uma finalidade particular quanto a forma pela qual o benefício é contabilizado e informado ao mercado.

A MBRF contesta esses argumentos e afirma que todas as obrigações tributárias relacionadas ao benefício foram cumpridas.

Minoritários citam Lei das S.A.

Os questionamentos dos investidores se baseiam em dispositivos da Lei das S.A. que tratam do uso de bens e serviços da companhia por administradores ou controladores em benefício próprio.

Os acionistas querem saber se as autorizações existentes são suficientes para permitir o uso do avião em viagens particulares e se os custos correspondentes estão adequadamente refletidos nas informações prestadas ao mercado.

A empresa afirma que atua em conformidade com a legislação e que os benefícios pessoais concedidos aos administradores estão devidamente previstos e divulgados na documentação pública da companhia.

MBRF diz que benefício foi aprovado

A MBRF afirma que a utilização pessoal da aeronave integra um pacote de benefícios aprovado em assembleia de acionistas.

Segundo a companhia, esses benefícios não devem ser classificados como remuneração variável. A empresa os caracteriza como benefícios diretos e indiretos concedidos aos integrantes de sua administração.

A MBRF também rejeita a alegação de falta de transparência. De acordo com a companhia, os valores correspondentes estão contemplados nas informações divulgadas oficialmente aos investidores.

Para 2027, o valor total previsto para benefícios destinados ao conselho é de aproximadamente R$ 2,29 milhões, incluindo benefícios diretos e indiretos sem vinculação a metas específicas.

Divergências vêm desde a fusão

A controvérsia sobre o jato ocorre depois de outros embates entre Molina e acionistas minoritários.

Um dos principais focos de divergência foi a operação de fusão entre Marfrig e BRF, especialmente a relação de troca de ações definida para a transação.

Investidores minoritários questionaram aspectos da operação perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A assembleia destinada a analisar a fusão chegou a ser suspensa três vezes antes de a operação ser aprovada, em agosto.

As divergências mostraram a existência de uma relação de tensão entre o grupo controlador e parte dos investidores minoritários sobre questões de governança corporativa.

Governança volta ao centro do debate

O novo questionamento desloca novamente a discussão para a governança da companhia e para os limites entre os interesses particulares de seus controladores e administradores e a utilização de ativos empresariais.

De um lado, os minoritários sustentam que o uso de uma aeronave corporativa em uma viagem ligada a um evento familiar precisa obedecer estritamente às exigências da legislação societária e às regras de transparência.

De outro, a MBRF afirma que a utilização está prevista nas políticas de benefícios da companhia, foi submetida à aprovação dos acionistas, está devidamente divulgada e cumpre as obrigações legais e tributárias.

Fonte: Brasil 247

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