Trump pediu ao Brasil que permitisse candidatura de ‘dissidentes políticos’ em 2026
Por Camila Bezerra — GGN

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao Brasil que permitisse a candidatura de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026. A solicitação constava de um documento encaminhado ao Itamaraty durante as negociações entre os dois países sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
A informação foi confirmada nesta quinta-feira (17) por integrantes da diplomacia brasileira à TV Globo, após o jornal O Estado de S. Paulo divulgar o conteúdo do pedido.
Segundo as fontes, o documento não especificava quais seriam os supostos “dissidentes políticos” que deveriam ser autorizados a disputar as eleições. O governo brasileiro, porém, decidiu rejeitar a proposta e, de acordo com os diplomatas ouvidos, considerou que o texto continha “absurdos”.
Por esse motivo, a solicitação não chegou a ser incorporada à pauta das negociações bilaterais conduzidas pelas diplomacias dos dois países.
Ainda segundo integrantes do Itamaraty, o pedido circulou apenas entre funcionários de nível técnico das chancelarias e não chegou às autoridades de mais alto escalão. Entre os nomes que não teriam participado dessa discussão estão o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, além dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Até a última atualização desta reportagem, o governo dos Estados Unidos não havia se manifestado sobre a informação.
Trump já havia citado Bolsonaro
O pedido ocorreu no contexto da disputa entre Brasil e Estados Unidos em torno das tarifas anunciadas pelo governo Trump no ano passado.
Na ocasião, o presidente americano enviou uma carta a Lula para justificar a decisão de elevar as tarifas sobre produtos brasileiros. No documento, Trump afirmou que a medida também estava relacionada, segundo ele, a supostos “ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres”.
Trump mencionou ainda o ex-presidente Jair Bolsonaro e criticou o processo judicial contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na carta, o presidente americano classificou como uma “vergonha internacional” o tratamento dado pelo Brasil a Bolsonaro e afirmou que o julgamento deveria ser interrompido. Trump também utilizou a expressão “caça às bruxas” para se referir ao processo.
Apesar das declarações públicas de Trump sobre Bolsonaro, as fontes do Itamaraty não informaram se o ex-presidente era um dos nomes contemplados no documento que tratava dos chamados “dissidentes políticos”.
O episódio se soma às discussões mantidas entre Brasília e Washington desde o anúncio do tarifaço, que passou a incluir questões comerciais e temas relacionados às relações políticas entre os dois países.
*Com informações do g1 e do Estadão.
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Fonte: GGN