Marcha da Indignação no caminho para derrotar Milei, seu plano e seus cúmplices e construir a Greve Geral

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Por La Izquierda Diario – ArgentinaEsquerda Diário

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Neste sábado estão convocadas manifestações em dezenas de cidades do país. Sobra motivos para sair às ruas. Conheça aqui os eixos principais da Marcha da Indignação, cuja convocatória não para de crescer.

Neste sábado 19 de setembro haverá mobilizações em mais de 70 cidades e locais de cima à baixo da Argentina. A Marcha da Indignação (Marcha de la Bronca) está tendo uma enorme repercussão nos meios de comunicação e nas redes sociais, sendo convocada por sindicatos, delegados sindicais, ativistas e agrupações combativas; centros acadêmicos e coletivos estudantis; organismos de direitos humanos, assembleias ambientais e de bairro, coletivos de artistas e figuras políticas da esquerda. A iniciativa original surgiu à partir de Myriam Bregman, Nicolás del Caño, Christian Castillo e Alejandro Vilca, e desde então não parou de crescer. Uma mobilização que deve ser parte da luta para derrotar Milei, seu plano e seus cúmplices com a greve geral.

Não é só mais uma convocatória: é uma reunião da raiva que há tempo vem crescendo desde baixo em cada lugar de trabalho, em cada faculdade, em cada bairro, em cada casa onde o dinheiro não chega ao fim do mês. Falta muito pouco para que essa indignação acumulada se transforme em mobilização.

Não é preciso esforço para explicar de onde vem essa raiva. Ela é tida pelos trabalhadores que terminam o mês sem dinheiro. Tem ela os aposentados que hoje tem de escolher entre comprar comida ou comprar remédios, depois de terem trabalhado a vida toda. Ela é tida pelos que são demitidos de seus empregos enquanto que os grandes empresários seguem atingindo recordes de lucro. Ela está junto com aqueles que enfrentam os cortes na educação pública, na saúde pública ou nos auxílios às pessoas com deficiência.

Leia também: Marcha de la Bronca en el camino de derrotar a Milei, su plan y sus cómplices con la Huelga General

Este governo chega a este momento mais fraco do que era imaginado há um ano atrás. Está desgastado pelos efeitos de seu próprios cortes, um mal estar social que já não se restringe à alguns estados, e uma série de escândalos que vão desde a fraude da cripto $LIBRA até suspeitas de corrupção que atingem funcionários de primeiríssima linha. Justamente por isso, uma massiva mobilização deste sábado pode ser um enorme pontapé para construir um plano de luta no caminho da greve geral para derrotar Milei, seu plano e seus cúmplices.

As razões para sair à rua se acumulam. Sobram os fechamentos de empresas e os postos de trabalho perdidos, enquanto que os que praticam fuga de capitais são premiados. Sobra o corte no orçamento de hospitais públicos, sustentados na marra por aqueles que ali trabalham e depois são apontados como os culpados. Sobram ataques às universidades, professores, estudantes e à investigação científica, o corte aos restaurantes comunitários e a redução dos programas que assistiam a centenas de milhares de locais. Sobra o corte sobre as pessoas com deficiência, e sobra o uso da palavra “liberdade” para disfarçar o privilégio de uns poucos enquanto procura-se criminalizar os protestos.

Além disso: nesta semana o governo Milei apresentou o orçamento 2027, no qual além de apresentar números de fantasia, propõe-se a continuar o plano de ajuste e inclusive atacar setores sensíveis como as pessoas com deficiência, a universidade e o sistema científico. Também apresentou o projeto sobre as Malvinas que gerou amplo repúdio por abrir a porta a arbitrariedades como penas de até 12 anos de prisão a quem procure “manipular a opinião pública através de campanhas coordenadas de desinformação massiva”. Um artigo ambíguo e perigoso que pode ser usado para disciplinar, perseguir e criminalizar vozes dissidentes e opositores.

Também há indignação pela perseguição a artistas e trabalhadores da cultura, e porque há 50 anos do golpe militar ainda existem vozes que insistem com o negacionismo, quando a história já foi provada: foram 30 mil desaparecidos, foi um plano genocida, e Memória, Verdade e Justiça seguem sendo uma dívida pendente.

Nada disso está acontecendo por acaso. É resposta ao plano de Milei que sustenta a classe capitalista, os grandes grupos econômicos, os bancos, o poder imperialista, o FMI e os fundos abutres: abaixar os salários, eliminar os direitos trabalhistas, acabar com os recursos comuns, empresas e terras públicas, e transferir à maioria trabalhadora o custo de uma dívida que esta não contraiu e da qual só se beneficiam alguns especuladores.

Neste caminho, Milei contou com o aval de governadores e bancadas parlamentares patronais que votaram suas leis, mantiveram seus vetos e lhe garantiram governabilidade, com parlamentares de diferentes siglas políticas dispostas a rebaixar direitos populares em troca de acordos.

Os próprios governadores copiam os cortes porta adentro de seus estados: salários estatais e de professores abaixo da pobreza, demissões em massa na saúde e educação com descontos para fustigar as greves do setor docente. Muitos se apresentaram como críticos do governo nacional, mas administram à favor de mineradoras, petroleiras e grandes patronais. Um caso flagrante: a província de Buenos Aires não fez nada para manter a continuidade da FATE e dos postos de trabalho desta fábrica. Nas últimas horas foi divulgada uma grave notícia que deixa todos em alerta: a segunda turma da Câmara de Apelações de San Isidro ordenou a reintegração de posse da fábrica de pnes que está ocupada faz 211 dias em defesa dos postos de trabalho.

E é preciso nomear também as cúpulas sindicais, cujo acordo de governabilidade facilitou o caminho da motosserra: negociação por cima terminando com o aval para a reforma trabalhista, em troca de manter privilégios próprios, enquanto cada luta ficava largada à própria sorte, sem continuidade ou coordenação.

Desde que este governo assumiu, houveram respostas: as e os trabalhadores da saúde pública, como o Garrahan como bandeira; professores; universidades mobilizadas de forma massiva; a ciência e a cultura; operários da fábrica de pneus; organizações sociais; movimentos de mulheres e de diversidades; povos originários; assembleias ambientais; pessoas com deficiência e suas famílias. Também os movimentos de mulheres e diversidades – os mais atacados por este governo – estiveram mobilizadxs em cada 8 de março, e frente a cada feminicídio, diante de discursos fascistas como o de Milei em Davos. Agora se preparam para o Encontro Plurinacional em Córdoba. Por sua vez, as aposentadas e aposentados foram convertidos em alvo do primeiro corte e eles e elas respondendo transformando-se em símbolos mais firmes da resistência, marchando toda quarta-feira em frente ao Congresso mesmo com a repressão. De sua vez, o movimento das pessoas com deficiência mostrou neste ano que as ruas podem frear o governo, após meses de protesto contra salários congelados e o esvaziamento que se pôde ver na es ANDIS e no Incluir Saúde, com fundos desviados que chegaram até funcionários que ainda conservam seus cargos. A isso se soma o repúdio às reintegrações de posse violentas que sofrem as comunidades originárias em Catamarca e Neuquén, e o pedido de liberdade e para que caiam as acusações contra os que hoje enfrentam processos judiciais por lutar, entre eles trabalhadores da saúde e da FATE.

Todos estes coletivos estarão presentes neste sábado. Esta Marcha da Indignação procura, sobretudo, que nenhuma dessas lutas fique isolada. A marcha será um grande marco na luta pela construção de um plano de lutas no caminho de uma greve geral para derrotar Milei, seu plano e seus cúmplices.

A marcha também denunciará o extrativismo que entrega o solo e a água às corporações — megamineração, fracking, desmanches, agronegócios — e o rechaço ao RIGI (Regime de incentivo para grandes investimentos – NdT), ao super RIGI e às modificações sobre a Lei de Glaciais.

Um ponto central que atravessa toda a convocatória é o rechaço a que se siga pagando uma dívida externa considerada ilegítima e fraudulenta: cada dólar que vai ao Fundo sai dos salários, das aposentadorias, da saúde, da educação e da habitação. Daí a exigência que se repete: não pagar a dívida, romper com o FMI, e que o ajuste seja pago por aqueles que evadem capitais.

O olhar também se volta para fora das fronteiras: questiona-se o avanço de Washington sobre a região, a intervenção sobre a Venezuela, o bloqueio a Cuba e as pressões diplomáticas sobre processos eleitorais latino-americanos, reafirma-se a reivindicação pelas Malvinas, e o repúdio ao genocídio executado por Israel contra o povo palestino com o apoio dos Estados Unidos, exigindo que o governo argentino corte os laços com o estado israelense.

Para além da indignação, há uma agenda concreta por trás desta convocatória: recomposição salarial e das aposentadorias imediatamente; freio às demissões e reincorporação dos que foram demitidos; anulação da reforma trabalhista e das medidas de corte, mais orçamento para saúde e educação, universidades, ciência e cultura; derrubada dos cortes nos programas sociais e alimentares; alívio para as dívidas que fustigam as famílias trabalhadoras; reabertura da FATE; fim da repressão aos povos originários; freio às novas privatizações e re nacionalização das já privatizadas sob controle dos trabalhadores e usuários; e não pagamento da dívida externa. Não haverá saída favorável para o povo enquanto se destinam milhões de dólares ao pagamento de uma dívida ilegítima, fraudulenta e usurária. Cada dólar entregado ao Fundo Monetário é tirado dos salários, aposentadorias, saúde, educação e da habitação. Lutamos pelo não pagamento da dívida e ruptura com o FMI. Que a crise seja paga pelos que se enriqueceram e evadiram capitais do país.

Não dá para esperar. Ficar esperando as próximas eleições enquanto seguimos perdendo empregos, salários e direitos não resolve nada, e confiar em direções que se dizem opositoras enquanto votam leis ditadas pelo governo ou copiam o ajuste em seus distritos, também não. Temos que nos preparar para derrotar o conjunto do plano dos grandes grupos econômicos e o FMI, anular a reforma trabalhista e toda a legislação de ajuste e entrega, e recuperar cada direito que nos tiraram.

Precisamos unir as lutas que hoje enfrentam separadamente um mesmo plano. Por isso esta Marcha defende o apoio ativo, a unidade e a vitória de todas as lutas, e também luta para converter toda essa indignação em uma força nacional capaz de derrotar o ajuste. Precisamos construir um verdadeiro plano de lutas em vias da greve geral. Está colocado o chamamento de assembleias em cada lugar de trabalho e plenárias de representantes para discutir como continuar, assim como coordenar desde baixo em cada sindicato, escola, universidade, hospital e bairro, e em todas as províncias, as organizações operárias, sociais, políticas, estudantis, feministas, ambientais, culturais, de aposentados, de direitos humanos e dos povos originários.

Passam os dias. A indignação que cada um carrega individualmente — pelo salário que não rende, pelo parente sem trabalho, pela aposentadoria que não cobre os remédios, pela faculdade desfinanciada, pelo companheiro com processo judicial por lutar — tem agora a chance de se fundir com milhares de pessoas mais e tornar-se uma força organizada.

Fonte: Esquerda Diário

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