Mais mulheres na política para um Brasil melhor
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Democracia
Eliziane Gama
21/9/2026 17:45
A mulher é menos inteligente e menos competente que o homem?
Certamente, uma pergunta descabida e sem sentido, mas em uma sociedade marcada por valores machistas e na qual imperam narrativas sem base real religiosa, ou filosófica ou biológica sempre é bom relembrar que homens e mulheres nasceram para povoar o mundo e, compartilhando suas experiências, construir a humanidade de antes, de hoje, do futuro.
Homens e mulheres têm a mesma capacidade de cognição, de trabalho, criativa.Qualquer interpretação fora desses marcos nasce da ignorância daqueles que ainda imaginam arrastar as mulheres pelo cabelo com um tacape na mão, imagem trágica que costuma representar supostamente o início da vida humana, quando esta ainda se recolhia ao interior das cavernas.
Salvo interpretações fundamentalistas e reducionistas, a primazia masculina não encontra guarida, por exemplo, nos textos religiosos cristãos. Gênesis 1;27 é finalístico e não comporta dubiedades: “criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; o homem e a mulher os criou”. Ou seja, biblicamente o homem e a mulher nascem à imagem de Deus, sem hierarquia ou submissão. Arranjos sociais outros foram dados por circunstâncias históricas e tradição, não por determinação dos textos sagrados.
A filosofia, em todos os seus ramos, também não dá guarida à masculinidade como centro gravitacional por excelência. Ao contrário, ao evoluir, e entendendo a marcha humana, os preceitos filosóficos afirmam a igualdade entre esses dois gêneros, obviamente resguardadas as diferenças biológicas naturais.
E a biologia e as ciências, com suas pesquisas e rigor, há muito bateram o martelo: homens e mulheres têm a mesma capacidade. E se antes, em tempos passados, a biologia podia determinar alguma diferença quanto à divisão do trabalho dada pela força muscular, a tecnologia e outros processos de socialização deixaram essa questão para trás, e toda atividade nos dias atuais pode ser exercida com a mesma eficiência pelas mãos masculinas e femininas.
As mulheres plantam flores, geram e criam os seus filhos, cantam, escrevem poesia, julgam nos tribunais, brilham nas salas de aula e centros de pesquisa, mas também já integram forças militares e policiais, dirigem carros pesados pelas estradas, comandam perfuratrizes que abrem túneis pelo interior bruto das montanhas. E praticam com destreza esportes de todo tipo e se destacam, inclusive, em um campo antes tido como exclusivo dos homens: o do futebol.
As mulheres, com sua competência e eficiência, adentraram praticamente todos os segmentos da atividade humana – e essa marcha não tem como ser contida. Quem sabe, na verdade os homens é que precisam se reinventar, assumindo sem preconceitos atividades consideradas menos nobre pelo machismo – o compartilhamento das atividades do lar, por exemplo.
Se a mulher avança de maneira destemida, infelizmente há muitas áreas que resistem a essa marcha, por medo ou por injunções culturais. Uma delas é a da política.
A representação das mulheres no parlamento raramente ultrapassa a 20% das bancadas. A mulher, por exemplo, nunca presidiu o Senado, enquanto essa conquista já foi alcançada no Executivo e no Supremo. O rancho machista costuma reservar às mulheres as suplências ou as vagas a vice nos pleitos eleitorais majoritários, em muitos casos resultado de meros arranjos familiares.
Esse ciclo precisa ser quebrado, o que exige das mulheres mais energia e coragem para proclamar à sociedade: sim, se não abrimos mão do cuidar da família e dos filhos, também queremos a igualdade na política e na repartição do poder.
A busca da igualdade no exercício do poder não se volta para reproduzir desvios de conduta no trato da questão pública, realidade que nos entristece muito. É para levar ao poder a sensibilidade e o olhar feminino, lapidados no decorrer dos séculos pelo carinho que sempre atou a relação mãe e filho e, obviamente, cimentou estruturas familiares.
O olhar e o carinho maternais são um bem escasso na política. É imperioso que se façam presentes mais e mais no Brasil e no mundo.
No Senado apresentei várias proposições, algumas transformadas em normas e outras ainda em tramitação, voltadas à busca de mais isonomia entre homens e mulheres. Claro, e muitas outras em benefício das mulheres, em virtude da tripla jornada de trabalho a que estão submetidas.
É angustiante ver ainda na sociedade a violência praticada contra as mulheres por mentes doentias e estúpidas. Percebemos que basta uma presença mais forte da extrema-direita no cenário nacional e o culto a uma suposta virilidade ancestral para que o feminicídio aumente. Essa marcha da insensatez precisa ser combatida, eliminada.
A presença maior das mulheres na política e nos espaços de poder é uma exigência democrática.
A mulher não quer tutelar ninguém, porém não admite também ser tutelada. Buscar isonomia e equidade entre homens e mulheres é apostar no diálogo, na harmonia, na paz.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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Fonte: Congresso em Foco