Mais do que votar em extremistas, povo optou pela bandidagem
Por Bepe Damasco — Brasil 247
Uma passada de olhos pelos resultados eleitorais deste domingo levam a uma conclusão aterradora: parte expressiva do eleitorado brasileiro não apenas consagrou nas urnas o fascismo nativo, como optou claramente pela bandidagem nas eleições para a Câmara dos Deputados, Senado, governos estaduais e presidência da República.
Entre os eleitos pelo PL e aliados, alguns inclusive campeões de voto, estão acusados de todo tipo de crime, gabaritando praticamente o código penal do nosso país.
Respondem por estupro, atropelamento com mortes e sequelados, agressões a mulheres, roubo de dinheiro público, sexo com menores, obtenção de recursos privados desviados do erário, integrar quadrilha do INSS, injúria, calúnia, difamação, homofobia, transfobia e racismo.
Como essas informações foram amplamente divulgadas pela imprensa e reverberadas pelas redes sociais, e até viraram conversa de botequim. é preciso descartar a hipótese de que o eleitor desconhecia a folha corrida dessas figuras no momento do voto.
Na esmagadora maioria dos casos, fez sua escolha eleitoral com pleno conhecimento de causa.
Não é necessário ser profissional da área da psicologia e da psiquiatria para notar que nos recônditos mais sombrios do espírito de um contingente considerável de brasileiros há identificação com valores nefastos.
Antes do advento do bolsonarismo, porém, as pessoas se envergonhavam de manifestar esses sentimentos.
Até que surgiu uma liderança política para naturalizar e defender à luz do dia tudo que é barbaridade, liberando seus seguidores para fazerem o mesmo nas redes sociais, no bares da vida, nos locais de trabalho e durante os encontros com amigos e familiares.
“Ah, mas Bepe você nunca escreveu isso nas vitórias de Lula e do PT”, diriam alguns. É que o processo de identificação de quase metade da nossa gente com essa ideologia do mal não brotou da noite para o dia, mas foi ganhando terreno ao longo dos anos recentes.
Acabo de ler nesta segunda-feira pós-primeiro turno um excelente artigo do professor Luis Felipe Miguel, no qual ele aponta a existência de um número nada desprezível de brasileiros que ou são perversos, ou se deixam influenciar pela perversidade. Defende ainda a importância de cobrar que as pessoas respondam por suas escolhas políticas e que chegou a hora de parar de romantizar o povo, marca registrada da esquerda.
Nada disso quer dizer que a esquerda não tenha que debater e repensar suas falhas e erros táticos e estratégicos. Contudo, isso não esgota a discussão. Com todos os nossos problemas, lutamos pelo bom e pelo justo. O desafio é dar um jeito de frear a produção em série de tanta gente ruim.
Fonte: Brasil 247