Mais de 100 economistas defendem que combate à desigualdade deve ser prioridade no próximo governo
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – Uma coalizão formada por mais de 100 economistas e 50 organizações da sociedade civil lançou a iniciativa “Vida em Conta”, que propõe cinco prioridades econômicas para o próximo governo, com foco na redução das desigualdades e na melhora das condições de vida da população brasileira. A informação foi publicada pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo.
O documento, elaborado em 16 páginas, não declara apoio formal a nenhum candidato, mas reconhece avanços registrados desde 2023, durante o governo Lula (PT), e alerta para o que classifica como risco de retrocessos caso seja retomada uma agenda econômica associada ao bolsonarismo.
A iniciativa é articulada pela plataforma Cipó e pelo Transforma, laboratório de economia da Unicamp. Entre os nomes que integram o projeto estão Pedro Rossi, Laura Carvalho, Luiz Gonzaga Belluzzo e Carmem Feijó.
No texto, os economistas afirmam que o Brasil retomou a “reconstrução de políticas públicas, capacidades estatais e instrumentos de planejamento”. Segundo o documento, essas ações “produziram resultados relevantes no combate à fome e à pobreza, na redução da taxa de inflação, na geração de trabalho e renda, no crescimento econômico, na proteção ambiental, na retomada do investimento público e na projeção internacional do país”.
Apesar do diagnóstico positivo sobre parte das medidas adotadas nos últimos anos, o grupo sustenta que o país ainda enfrenta problemas estruturais profundos. “Em termos concretos, a maior parte dos brasileiros ainda sente que, ao final do dia ou do mês, não sobram tempo nem salário suficientes para ter acesso a um padrão de vida digno”, afirma o documento.
As cinco prioridades apresentadas pela coalizão são: reduzir as desigualdades; diminuir o custo de vida e ampliar o tempo e as condições para uma vida digna; fortalecer a soberania tecnológica e colocar a inovação a serviço do desenvolvimento sustentável; acelerar a diversificação produtiva para gerar empregos de qualidade; e reorientar a tributação e o orçamento público para o bem-estar e o desenvolvimento sustentável.
O documento também faz críticas a uma agenda econômica baseada em contenção permanente de gastos, redução do papel do Estado e desonerações sem contrapartidas. Segundo o grupo, há “risco concreto de retorno a uma agenda que, em nome de um Estado mais enxuto e de menos impostos, combina restrições ao gasto público, limitações permanentes à capacidade de ampliar a arrecadação e desonerações tributárias sem contrapartidas claras para o desenvolvimento”.
Como exemplo negativo, a coalizão cita o período entre 2016 e 2022, que compreende o fim do governo Dilma Rousseff, a gestão de Michel Temer (MDB) e o governo de Jair Bolsonaro (PL). “[O período] mostrou que escolhas desse tipo podem limitar o crescimento econômico e o investimento, enfraquecer as capacidades públicas, comprometer a oferta de serviços essenciais e a proteção ambiental e ampliar desigualdades”, diz o texto.
Para a diretora-executiva da Cipó, Maiara Folly, o sucesso da política econômica deve ser medido por sua capacidade de melhorar concretamente a vida da população. “Uma economia bem-sucedida é aquela que reduz desigualdades e transforma as capacidades e riquezas do país em avanços tecnológicos, empregos de qualidade e melhores condições de vida para a população”, afirmou.
A proposta foi construída a partir de pesquisas e conversas com movimentos sociais. A iniciativa também pretende apresentar, em uma etapa posterior, propostas para os primeiros 100 dias do próximo governo e criar um Banco de Iniciativas para reunir e dar visibilidade a ideias de políticas públicas.
Fonte: Brasil 247