Luta pela democracia e feminismo perdem Amelinha Teles
Por fernandaestima — Fundação Perseu Abramo
Morreu nesta terça-feira (15) a militante histórica, Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles, aos 82 anos. Ela começou a militar aos 16 anos no Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1965, já na clandestinidade, e aderiu ao Partido Comunista do Brasil, convicta da necessidade de se fazer a luta armada.
Amelinha até os dias de hoje lutava por amplificar as batalhas pela democracia usando a trágica história de sua militância e de como a repressão violou sua vida, seu corpo e de seus familiares para mostrar ao país os males e violências de um Estado repressor.
Em 28 de dezembro de 1972, foi presa em São Paulo e levada à Operação Bandeirantes (Oban) e ao DOI-Codi, onde sofreu sessões de tortura física e violência sexual praticadas pessoalmente pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, também responsável pelos interrogatórios e torturas que sofreu a ex-Presidenta Dilma Rousseff.
Na busca por justiça, a família Teles moveu, em 2005, uma ação declaratória contra Carlos Alberto Brilhante Ustra. Em 2008, Ustra tornou-se o primeiro agente do Estado brasileiro a ser oficialmente reconhecido pela Justiça como torturador da ditadura, decisão posteriormente confirmada pelas instâncias superiores.
Jornalista, escritora, educadora popular e militante feminista, dedicou décadas à defesa dos direitos humanos e à reconstrução da história dos perseguidos políticos. Atuou na Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e participou dos esforços de investigação e esclarecimento dos crimes cometidos durante a ditadura. Sua trajetória também esteve profundamente ligada à luta das mulheres e à construção do movimento feminista brasileiro. Fazia parte do Núcleo de Acompanhamento de Políticas Públicas da Fundação Perseu Abramo e suas contribuições sempre foram importantes e relevantes.
Nas redes sociais não são poucas as femenagens, de parlamentares do campo progressista e de esquerda, dos movimentos sociais em geral e também da militância feminista do Brasil.
A Fundação Perseu Abramo lamenta sua morte e manifesta a familiares, amigas e companheiras de luta de Amelinha sua solidariedade, com o mais caloroso abraço.
Amelinha Teles, presente, hoje e sempre.
Fonte: Fundação Perseu Abramo