Lula sobre bets: vidas importam mais que arrecadação e apostas online devem acabar
Por Augusto Leite — Partido dos Trabalhadores
FILIAR É UM ATO DE LUTA.
O Partido dos Trabalhadores nasceu da coragem de quem nunca aceitou a injustiça como destino.
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Em Guarulhos, presidente rebate os clubes de futebol e afirma que as bets são vício, destroem famílias e precisam acabar. Ele pediu votos para Haddad, Marina e Tebet
Da Rede PT de Comunicação
Publicado em 18/09/2026 às 21h27
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 18, em Guarulhos (SP), que decidiu enfrentar as bets e defendeu o fim das plataformas de apostas online no país, mesmo com queda de arrecadação, por uma questão grave de saúde pública. Diante da militância, Lula dedicou boa parte de seu discurso para falar dos impactos das apostas sobre famílias e jovens, Na reta final da campanha, pediu apoio à candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo e às candidaturas de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) ao Senado. Geraldo Alckmin (PSB), candidato a vice-presidente e ex-governador de São Paulo, também participou do ato.
A relação entre as bets e futebol ganhou espaço no discurso de Lula um dia depois de os principais clubes e entidades do esporte divulgarem uma nota conjunta contra possíveis restrições ao mercado de apostas online. Segundo o texto, as empresas do setor se tornaram uma importante fonte de receita do futebol e uma mudança abrupta poderia “acabar com o futebol”.
No comício em Guarulhos, o presidente lembrou que grandes conquistas de clubes e da Seleção Brasileira ocorreram antes da expansão das bets no país e afirmou ainda que pretende conversar com as equipes sobre o assunto.
“Esse negócio de que acabar com a bet vai acabar com o futebol é uma balela.”
Lula também citou os cinco títulos mundiais da Seleção. “O Brasil foi campeão do mundo em 1958 e não tinha bets; em 1962, não tinha bets; em 1970, não tinha bets; em 1994, não tinha bets; em 2002, não tinha bet. Depois apareceu a bet e não ganhou mais nada”, disse.
Lula encerrou o trecho retomando a discussão sobre a presença das apostas no esporte: “E vêm falar que acabar com a bet vai acabar com o futebol? Nós temos que acabar com a pouca vergonha no futebol”.
Lula disse acreditar que havia, entre as pessoas presentes no comício, jovens que jogavam e pessoas que já acumulavam dívidas. Segundo ele, o problema também provoca conflitos familiares e leva apostadores a esconder a situação financeira de parentes.
“Eu quero que vocês saibam: se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com a bet neste país”, afirmou.
O presidente rejeitou a ideia de que as bets sejam apenas uma forma de entretenimento.
“Esta jogatina na internet não é jogo de aposta, é um vício, é uma doença chamada ludopatia. A gente vai jogando de forma compulsiva, pensando que vai ganhar, e a gente só perde”, disse.
Lula também colocou em segundo plano a eventual perda de arrecadação tributária provocada pelo fim das plataformas. No discurso, afirmou que as bets arrecadaram R$ 62 bilhões e disse que a prioridade deveria ser a proteção das pessoas.
“O governo não está preocupado se vai perder imposto, o que eu não posso perder é a vida dos pobres jogando”, afirmou.
O presidente também relacionou as apostas a práticas criminosas.
“A gente vai acabar com as bets e vai acabar com a lavagem de dinheiro, com a safadeza e com a roubalheira”.
Para Lula, o acesso permanente às plataformas por meio dos celulares diferencia as bets de formas tradicionais de apostas.
O presidente então relatou encontros que, segundo ele, teve recentemente com pessoas endividadas pelas plataformas. Lula contou que, durante uma gravação no Palácio da Alvorada com o ministro Guilherme Boulos, conversou com dois jovens que trabalhavam no local.
“Um deles já devia R$ 4.000 e o outro já devia R$ 10.000. E quem ganha 4 e deve 10 vai ter muita dificuldade para pagar”, afirmou.
Depois dessa experiência, disse ter chamado oito pessoas em Brasília para ouvir histórias relacionadas às apostas.
“Fiquei estarrecido. Encontrei um pequeno empresário que estava devendo 2,2 milhões, já tinha vendido a loja dele, o carro e até o terreno do pai que não podia vender para pagar a dívida. Encontrei uma menina de 27 anos, dona de uma loja no interior de Minas Gerais, devendo R$ 730.000”, relatou.
Lula também mencionou casos que, segundo seu relato, envolveram tentativas de suicídio, rompimentos familiares e morte.
“Encontrei outra mulher que brigou com o marido porque estava devendo R$ 30.000 e o marido não sabia; essa mulher levantava de noite para jogar escondido e levava o celular para o chuveiro para jogar embaixo da água para o marido não saber”, contou.
O presidente comparou a dependência das apostas aos efeitos provocados por outras formas de vício e recordou encontros com mães de dependentes de crack.
“Eu encontrava com mães que diziam: ‘Lula, meu filho tirou o botijão de gás do fogão para vender e comprar crack; roubou a comida da prateleira; vendeu a minha cama para comprar crack’. Esse negócio da bet é a coisa mais horrorosa que eu vi na vida”, afirmou.
Fernando Haddad concentrou seu discurso em críticas ao governo de Tarcísio de Freitas e apontou educação, saúde e segurança pública como áreas em que considera necessária uma mudança de gestão.
“Depois de ficar seis meses estudando São Paulo e estudando forma de corrigir os problemas do estado, Tarcísio não deu conta daquilo. O Tarcísio não deu conta dos problemas que ele pretendia resolver”, acrescentou.
Haddad citou a queda de São Paulo em indicadores do ensino médio, reclamou do tempo de espera por consultas, exames e cirurgias e criticou a condução da segurança pública estadual. “Para onde você olha, você vê um retrocesso”, afirmou.
O candidato também contrapôs a relação do Governo Lula com São Paulo à postura de Tarcísio em relação ao governo federal. Citou a ampliação do financiamento do BNDES e a renegociação da dívida estadual e acusou o governador de não reconhecer as ações da União.
“Nós temos um time de mentirosos de um lado e um time de gente que trabalha pelo bem do povo do outro. O sonho do Tarcísio era deixar São Paulo agora para concorrer à Presidência da República. Eu gostaria da ajuda de vocês para realizar o sonho do Tarcísio: ele tem que deixar São Paulo”, afirmou.
O candidato pediu mobilização na reta final da campanha e que apoiadores conversem com eleitores que ainda estejam indecisos ou pretendam votar em adversários. “De dez pessoas que estão do lado de lá, se uma em cada 10 vier para o lado de cá, vocês vão ter um governador diferente aqui no estado de São Paulo”, disse.
Candidata ao Senado, Marina Silva destacou a necessidade de ampliar a presença das mulheres no Congresso e defendeu sua candidatura ao Senado ao lado de Simone Tebet.
Ela criticou diretamente a gestão de Tarcísio de Freitas ao citar segurança pública, educação e economia. “Eles que expliquem por que a educação em São Paulo caiu do 1º para o 10º lugar, por que o Brasil cresce 2,5% e São Paulo só 1%”, declarou.
Marina também mencionou os casos de feminicídio no estado e questionou a avaliação do governo estadual sobre a segurança pública. Segundo ela, os adversários “dizem que está tudo resolvido na segurança pública, mas não está”.
A candidata relacionou sua campanha à ampliação da representação feminina e declarou: “São Paulo vai eleger a primeira mulher preta da sua história”.
Simone Tebet falou sobre economia, direitos trabalhistas e políticas para mulheres. Citou a valorização do salário mínimo, a discussão sobre o fim da escala 6×1 e a isenção de impostos sobre a cesta básica.
Na segurança pública, Simone direcionou as críticas a Guilherme Derrite, candidato ao Senado e ex-secretário de Segurança Pública de Tarcísio. “Apenas 20% das Delegacias da Mulher encontram-se abertas à noite e nos fins de semana, que é o momento em que somos mais violentadas”, afirmou.
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Fonte: Partido dos Trabalhadores