Lula segue competitivo e resultado do 2º turno é imprevisível, diz CEO da Nexus

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O presidente Lula (PT) permanece competitivo na disputa presidencial de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), o que torna o resultado da eleição imprevisível, segundo avaliação de Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, em entrevista à CNN Brasil, ao analisar os dados da pesquisa BTG Nexus.

A pesquisa aponta que Flávio Bolsonaro lidera a corrida presidencial com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula — uma vantagem de quatro pontos percentuais. No entanto, Tokarski enfatiza que o cenário eleitoral ainda está longe de ser definido.

O analista explicou que, no primeiro turno, Flávio saiu das urnas com uma vantagem de aproximadamente 1,8 ponto percentual em relação a Lula, o equivalente a cerca de 2,2 milhões de votos. “Até aqui, Flávio dobrou essa vantagem”, afirmou Tokarski. Considerando o impacto da abstenção, essa diferença estaria na casa dos 4 milhões de votos, podendo atingir quase 4,5 milhões em favor de Flávio.

Apesar da ampliação da margem, Tokarski destacou que pesquisas divulgadas na semana anterior por outros institutos — que já realizaram dois levantamentos neste segundo turno — mostram um estreitamento da diferença entre os candidatos. Esse movimento indica que Flávio não manteve o ritmo forte de crescimento que era esperado. “Ele cresce, mas Lula ainda se mantém competitivo”, disse o analista.

Embora 59% dos eleitores apostem na vitória de Flávio Bolsonaro, Tokarski reforçou: “o jogo não está definido ainda”.

Como reflexo desse cenário apertado, o CEO da Nexus apontou uma mudança de postura na campanha de Flávio. O senador anunciou que votará a favor do fim da escala de trabalho 6×1, pauta que vinha sendo trabalhada por Lula para conquistar novos eleitores. “Flávio deve ter percebido que isso poderia gerar um desgaste”, avaliou Tokarski, acrescentando que se trata de uma eleição com favoritismo de Flávio, mas em que uma virada de Lula, embora difícil, “não é impossível”.

Um ponto central da análise é o risco da abstenção. Em 21 estados, que somam mais de 90% do eleitorado brasileiro, não haverá disputa para governador no dia 25, o que deixa a votação para presidente como a única motivação para o eleitor ir às urnas. Isso impõe a ambas as campanhas o desafio de manter seus eleitores mobilizados.

Para a campanha de Flávio, há um risco específico: cerca de 23% de seus eleitores declararam que o principal motivador do voto é a rejeição a Lula, e não a preferência por Flávio. “Se esse eleitor achar que Flávio já está ganhando a eleição, pode acabar desistindo de comparecer”, alertou Tokarski. Além disso, 68% dos eleitores sem eleição para governador vivem em estados governados por representantes de direita — justamente onde Flávio tende a ser mais votado —, o que torna a desmobilização um perigo real para o candidato do PL.

Quanto às manifestações de rua promovidas pelo PT em São Paulo e no Rio de Janeiro, Tokarski informou que as entrevistas da pesquisa BTG Nexus foram realizadas no sábado (10), domingo (11) e segunda-feira (12) — período que coincidiu com os atos. Segundo ele, o levantamento pode ter captado parte desse movimento e do avanço da campanha de Lula nas redes sociais.

“Certamente isso vai ensejar uma reação da campanha bolsonarista, que perdeu espaço nesse debate digital”, afirmou o executivo, ressaltando que a oposição programa uma grande mobilização em São Paulo para o próximo final de semana.

Fonte: Brasil 247

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