Lula se distancia de Alexandre de Moraes: “eu não era presidente quando ele foi indicado”
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou se afastar politicamente da crise que envolve o ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, ao afirmar nesta quarta-feira que não foi responsável pela indicação do magistrado à Corte.
Lula declarou que “não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado ao STF” e atribuiu a Flávio Bolsonaro responsabilidade política por ministros do Supremo ligados ao bolsonarismo, como André Mendonça e Nunes Marques. Moraes, porém, foi indicado ao STF por Michel Temer em 2017, quando Flávio ainda não ocupava uma cadeira no Senado.
“Eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado ao STF”, disse Lula. Em seguida, o presidente afirmou: “Ele é o culpado e não eu”, em referência a Flávio Bolsonaro.
A fala ocorre em meio ao desgaste provocado no Supremo pelas discussões sobre uma eventual investigação envolvendo Moraes e seus possíveis vínculos com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A crise também expôs divergências internas na Corte, com embates entre ministros sobre os procedimentos a serem adotados.
Apesar de tentar se desvincular da escolha de Moraes para o STF, Lula defendeu que o ministro seja investigado caso haja elementos para isso. O presidente afirmou que qualquer autoridade deve responder por eventuais irregularidades, desde que tenha direito a um julgamento justo.
“Todo mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado. Eu defendo um julgamento justo, com direito de defesa, mas se a pessoa cometeu delito, ela tem que pagar o preço. Isso vale para mim, vale para o Alexandre de Moraes, vale para o Fachin”, declarou Lula.
Na mesma entrevista, o presidente também fez elogios a Moraes. Lula afirmou que o ministro prestou “dois grandes serviços à democracia brasileira” e citou sua atuação à frente do Tribunal Superior Eleitoral durante a eleição presidencial de 2022.
“Acho que o Alexandre de Moraes prestou dois grandes serviços à democracia brasileira. Ele foi presidente do TSE nas eleições em que eu ganhei as eleições. Ele sabe, o Brasil sabe a tentativa que o Bolsonaro fez para tentar destruir a credibilidade da urna brasileira, que é o processo eleitoral mais moderno e mais rápido”, afirmou.
A declaração mostra a tentativa de Lula de estabelecer uma dupla posição diante da crise: de um lado, afastar seu governo da indicação de Moraes ao Supremo; de outro, preservar a defesa institucional da atuação do ministro no período eleitoral e nos processos relacionados aos ataques à democracia.
Lula também citou André Mendonça e Nunes Marques, ambos indicados ao STF por Jair Bolsonaro, ao tentar transferir para o campo bolsonarista a responsabilidade política por nomes que hoje estão no centro das tensões da Corte. No caso de Moraes, no entanto, a indicação foi feita por Michel Temer, e não por Bolsonaro.
Fonte: Brasil 247