Lula rebate Trump sobre classificação de facções e diz que terrorismo foi o 8 de Janeiro
Por Vinícius Nunes — Carta Capital
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O presidente disse que terrorista é Jair Bolsonaro que ‘tentou matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes’
O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira 18 que discorda da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, adotada pelo governo de Donald Trump . Em agenda sobre segurança pública no Rio, Lula disse que o Brasil precisa enfrentar o crime organizado, mas afirmou que o conceito de terrorismo utilizado por Trump está relacionado à disputa pelo poder.
“Precisamos ganhar do crime organizado. Não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado, não fala da briga pelo poder . Quem era isso era o [Jair] Bolsonaro tentando dar o golpe de 8 de Janeiro. Isso é terrorismo, pensando em matar Lula, [Geraldo] Alckmin e até Alexandre de Moraes. Esse era o plano. Isso é terrorismo de Estado”, disse.
A declaração ocorre depois de Trump ter incluído PCC e CV na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos e de o governo norte-americano ter feito críticas à atuação brasileira contra as duas facções . Em documento divulgado nesta semana, a administração Trump acusou o Brasil de falhar no combate às organizações criminosas.
Lula afirmou que o crime organizado precisa ser enfrentado e que as facções produzem efeitos de terror sobre moradores de áreas sob seu domínio. A diferença apontada pelo presidente está na natureza da atuação. Para ele, o terrorismo mencionado por Trump estaria associado à disputa pelo poder político, enquanto as facções atuam no controle de territórios e atividades econômicas.
O embate sobre o combate ao crime organizado ocorre poucos dias antes da viagem de Lula a Nova York. O presidente embarca no domingo 20 e fará, na terça-feira 22, o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU . O Brasil tradicionalmente abre o debate geral, seguido pelos Estados Unidos. O combate ao crime organizado deve ser um dos pilares da fala de Lula.
O Planalto não espera uma reunião bilateral entre Lula e Trump durante a passagem dos dois pela ONU. Como os presidentes discursarão em sequência — Lula primeiro e Trump logo depois —, a expectativa é de que possa ocorrer apenas um contato informal entre os dois, como um aperto de mãos na transição entre os discursos.
Na ONU, Lula deverá tratar do tema sem necessariamente citar nominalmente Trump ou os Estados Unidos . A estratégia prevista pelo governo é apresentar o combate ao crime organizado como uma questão de soberania e de cooperação internacional, em contraposição a iniciativas consideradas unilaterais.
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Fonte: Carta Capital