Lula fecha giro de campanha no Nordeste com defesa de políticas sociais, educação e saúde
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta terça-feira (29) de um ato de campanha em Salvador, última parada de seu giro pelo Nordeste antes do primeiro turno das eleições de 2026. No discurso, Lula abordou educação, saúde, políticas de inclusão social, economia, soberania, liberdade religiosa, exploração de petróleo e combate às apostas online. A passagem pela Bahia integra a agenda de viagens do candidato nesta reta final da campanha.
A mobilização na capital baiana reuniu militantes, movimentos populares e lideranças políticas. Lula abriu sua fala destacando a relação que mantém com o estado e agradecendo a recepção que recebeu ao longo de sua trajetória política.
“Eu, na verdade, tenho gratidão com a Bahia”, afirmou.
O presidente mencionou personagens históricos, escritores e artistas baianos e disse manter forte identificação com o estado e com a população nordestina.
Lula também falou sobre a sequência de compromissos realizados nos últimos dias. Segundo o presidente, sua agenda passou por Recife, Belém, Fortaleza e Salvador e seguirá por cidades do Sudeste antes do encerramento da campanha.
Ao comentar o ritmo das viagens, Lula disse que sua disposição está relacionada às causas que pretende continuar defendendo.
“Ninguém fica velho se tiver uma causa para lutar, se tiver um compromisso de vida. E eu tenho uma causa: fazer com que o povo pobre deste país não seja tratado como invisível”, declarou.
Educação e inclusão social
A educação ocupou uma parte significativa do discurso. Lula mencionou o ProUni, as cotas nas universidades, o Fies, a expansão dos institutos federais e o Pé-de-Meia ao defender políticas destinadas a ampliar o acesso e a permanência de estudantes de baixa renda no sistema educacional.
“Eu queria provar que ninguém é mais inteligente do que ninguém. Queria provar que, se todo mundo comer, todo mundo fica inteligente”, afirmou.
O presidente também comparou os gastos com estudantes aos custos do sistema prisional para defender a prioridade dos investimentos públicos em educação.
“É muito mais barato a gente investir em escola do que investir em cadeia, não só do ponto de vista econômico, mas do ponto de vista do futuro deste país”, disse.
Lula ainda contrapôs investimentos em ensino à ampliação da circulação de armas. No discurso, recordou a campanha de entrega voluntária realizada durante seu primeiro período na Presidência e citou a distribuição de livros didáticos pelo governo.
Lula explica fala sobre exames preventivos
O presidente também retomou uma declaração feita na segunda-feira (28), em Belém, durante uma fala sobre prevenção ao câncer de próstata. Lula afirmou que tratava da resistência de parte dos homens aos exames preventivos e comparava esse comportamento à maior frequência com que mulheres realizam consultas e procedimentos médicos.
“Eu estava falando de doença. Estava falando de câncer”, afirmou.
A declaração passou a circular nas redes sociais em vídeos e publicações críticas. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) esteve entre os políticos que repercutiram o episódio. A campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra postagens que, segundo a representação, descontextualizaram a fala do presidente. A controvérsia teve origem em um trecho sobre prevenção e exames de saúde.
A primeira-dama Janja da Silva também comentou o assunto durante o ato e defendeu o contexto da declaração. Em seguida, destacou políticas voltadas à saúde da mulher, incluindo ações de prevenção e diagnóstico de câncer.
Liberdade religiosa
Lula dedicou outro trecho de sua fala à liberdade religiosa e a Nossa Senhora Aparecida. O assunto entrou na campanha após a circulação de uma informação falsa que atribuía ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) uma iniciativa para retirar da santa o título de padroeira do Brasil. A alegação não corresponde aos registros do projeto citado nas publicações.
No discurso, Lula reconheceu que não sabia se a informação que havia recebido era verdadeira, mas aproveitou o tema para defender o respeito entre diferentes religiões.
“Enquanto nós existirmos, Nossa Senhora Aparecida será a padroeira do Brasil. Neste país, as pessoas vão aprender a respeitar as religiões dos outros”, afirmou.
O presidente mencionou católicos, evangélicos, religiões de matriz africana e tradições indígenas ao defender a liberdade de crença.
“Cada um professa a religião que quiser. Cada um frequenta a religião que quiser”, declarou.
Petróleo, minerais críticos e industrialização
Lula também falou sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial e afirmou que considera a região estratégica para o desenvolvimento econômico brasileiro. Na avaliação apresentada no discurso, os recursos provenientes da atividade podem financiar áreas como educação, ciência, tecnologia e saúde.
O presidente relacionou novas descobertas de petróleo aos investimentos em pesquisa e defendeu que o país use a exploração de recursos naturais para ampliar sua capacidade tecnológica e industrial.
Lula também abordou os minerais críticos e as terras raras. Segundo ele, o Brasil deve evitar um modelo baseado apenas na exportação de matérias-primas e buscar agregar valor aos recursos extraídos no território nacional.
“A gente não quer ser vendedor de minério de ferro. A gente quer ser vendedor de inteligência e de conhecimento”, afirmou.
Ao desenvolver o argumento, o presidente mencionou o escritor uruguaio Eduardo Galeano e fez uma comparação com ciclos históricos de exploração mineral na América Latina. Lula disse que o país deve pesquisar, processar e industrializar seus recursos para ampliar a participação brasileira nas cadeias de maior valor agregado.
O presidente associou essa estratégia à formação de trabalhadores para setores ligados à indústria digital, à transição energética e às novas tecnologias.
Fonte: Brasil 247