Lula está mais preparado que Flávio Bolsonaro para o 2º turno, avalia presidente do PT

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Por Leonardo Miazzo — Carta Capital

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Edinho Silva também projetou crescimento no Congresso Nacional e vitórias no 1º turno em estados estratégicos

A dois dias da eleição, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, indicou que a tendência é de segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na corrida ao Palácio do Planalto, uma disputa para a qual considera o presidente mais preparado que o senador, por contar com uma estrutura de palanques estaduais mais robusta.

“Construímos alianças muito sólidas”, disse Edinho a jornalistas em São Paulo. “Sem dúvida essa construção nos favorece.”

Segundo ele, porém, eleições muito polarizadas podem se resolver no primeiro turno em decorrência de movimentos pelo “voto útil” na reta final da campanha. O fato de Fernando Haddad (PT) não ter conseguido crescer nas pesquisas para o governo de São Paulo, avalia, é um reflexo desse fenômeno.

Ao contrário de pleitos anteriores, Lula está “isolado” no campo progressista, uma vez que todas as demais candidaturas relevantes orbitam a direita ou a extrema-direita. Isso significa que em um eventual segundo turno a campanha lulista terá de ser hábil para conquistar eleitores alinhados à centro-direita. De acordo com Edinho, há espaço para esse diálogo: “Precisamos abrir o debate dos valores democráticos. Mesmo candidaturas de um espectro mais à direita valorizam a democracia e querem um Brasil democrático”.

Assim, embora Lula tenha conseguido unificar o campo progressista, um eventual segundo turno exigirá conversas amplas. “Naturalmente teremos de incorporar propostas dos opositores. O PT está aberto para conversar com outras forças políticas para construir uma ampla frente de alianças” , enfatizou Edinho.

O fato de Flávio Bolsonaro chegar à reta final com um desempenho expressivo nas intenções de voto não assusta o PT, segundo Edinho. Para ele, há um sentimento de insatisfação com a política do qual o adversário seria o catalisador.

“Ele representa uma força antagônica e já larga com cerca de 30% do eleitorado”, analisa. “Sabemos que essa parcela da sociedade é muito conservadora e elitista, e não vamos disputá-la, pois são eleitores muito ideológicos.” Por outro lado, pondera Edinho, o PT enxerga um vasto campo de eleitores indecisos que ainda podem ser conquistados.

No Legislativo, o PT projeta um crescimento expressivo: a meta é saltar dos atuais 69 deputados federais para 80, além de ampliar a bancada de aliados no Senado. Nos estados, o partido alimenta expectativas de vitórias já no primeiro turno com candidaturas próprias em redutos estratégicos, a exemplo de Bahia (com Jerônimo Rodrigues), Ceará (Elmano de Freitas) e Piauí (Rafael Fonteles).

Edinho também destacou pautas cruciais da reta final. Sobre a edição da medida provisória que proibiu as apostas esportivas, o presidente do PT lembrou que esse setor se transformou em um mecanismo de lavagem de dinheiro e em uma grave armadilha de endividamento da população.

De acordo com ele, a decisão de cortar o mal pela raiz veio da sensibilidade de Lula após ouvir relatos de famílias destruídas pelo vício: “Desde o início ele era contra, e teve a coragem de enfrentar esse problema.”

O dirigente acendeu ainda um alerta contra a escalada da intolerância religiosa e o uso político da fé, lamentando episódios de desrespeito a Nossa Senhora Aparecida e advertindo que o extremismo provoca uma espiral perigosa: “Quem alimenta o monstro da intolerância acaba devorado por ele”.

Edinho Silva também denunciou o que classificou como tentativas inéditas de ingerência externa na eleição brasileira, apontando ações de setores da extrema-direita dos Estados Unidos na reta final da campanha. Ele classificou Donald Trump como “o maior líder fascista do século XXI” e tachou de inédita e descabida a decisão norte-americana de suspender, nesta sexta-feira 2, os serviços consulares presenciais por causa de “questões de segurança”. Trata-se, em sua avaliação, de uma tentativa de criar instabilidade para influenciar a opinião pública nacional.


Mariana Serafini

Repórter da edição semanal de ‘CartaCapital’

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Fonte: Carta Capital

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