Lula esculhambou com a festa em que a Globo anunciaria a rendição à extrema direita
Por Moisés Mendes — Brasil 247
A Globo vai chamar sua turma, juntar os cacos, decidir o que fazer com o cenário do debate e tentar preparar a invertida. Foi um fracasso, não só do debate – que nunca mais existirá com esse formato –, mas de todo o esforço para que o nome da Globo para enfrentar Lula fosse outro, e não o integrante da família miliciana, assim definido em texto de capa do jornal da organização esta semana.
A Globo, suas parceiras na grande mídia, as estruturas que as sustentam, das fintechs do PCC na Faria Lima ao que resta do empresariado da Fiesp, o centrão e a velha direita, todos eles chegam a dois dias da campanha caindo aos pedaços. Perderam o debate e todos os seus significados.
A Globo não perdeu sozinha. Também perderam a Folha e o Estadão. Perdeu o jornalismo analógico, que viu Cesar Tralli ser substituído por Igor 3k, do Flow. Perderam os que se dedicaram, em nome do poder americano e da interferência de Trump no Brasil, a oferecer uma alternativa ao filho de Bolsonaro.
Fracassaram nessa busca, e no fim os Bolsonaros foram aceitos como o sistema que se impõe, mesmo torto, desleixado, arrotando e sem bons modos. A Globo assimilou Flávio como o sistema possível e o aceitaria em mais um governo fascista se ele arranjasse logo o seu Paulo Guedes.
Mas Lula saltou fora e, na última hora, no debate em que Flávio seria apresentado à sociedade como candidato aceito pela Globo, Renan Santos virou o desviante não previsto. O extremista penetra do MBL teria um púlpito. No dia em que Folha, Globo e Estadão se dedicaram à campanha pelo voto útil.
O pedido de voto para Bolsonaro foi manchete de todos os jornalões. E continua sendo, um dia depois do debate que não aconteceu. A velha direita induz o que sobra do eleitorado indeciso a abandonar Caiado, Cury, Zema e Santos e a se atirar no colo de Flávio. A Folha fala até em ‘voto de revolta’.
Flávio é o sistema que todos protegem, mesmo que sujo e precário, para evitar o quarto governo de Lula. Mas o sujeito se afrouxou e contribuiu para que a Globo fosse derrotada pela arrogância. Por não ter percebido que a imposição de seus métodos se esgotou. E por ter subestimado um gritão do tamanho de Renan Santos nos palcos da extrema direita.
A Globo e toda a sua estrutura de poder e de jornalismo vencido estão representadas no cenário vazio do que talvez tenha sido a última tentativa de manobrar a política com falsas entrevistas transformadas em inquérito e falsos debates armados como arapucas.
Não procure na capa dos jornalões uma chamada séria, mesmo num cantinho, sobre a conversa de Lula no Flow. Não há. Só há referências à pauta sobre a amiga do Lulinha. Como autoengano, para Globo, Folha e Estadão, a conversa não existiu. Escondendo o que Lula disse a Igor 3k, os jornalões têm certeza de que aquilo desaparece.
Escondem que Lula chamou Flávio Bolsonaro de vira-lata traidor da pátria. Que alertou os empresários com os quais conversa que todos os que apoiarem Flávio estarão apoiando a barbárie. Que o Congresso não terá coragem para derrubar a proibição das bets. Que chamou Moro de canalha.
A Globo em campanha pelo voto útil não irá reproduzir esta frase de Lula: “O povo é a minha raiz, é de onde eu vim”. Nem esta outra: “Enquanto eu estiver vivo, trabalharei para que o fascismo não volte”.
Foi um dia terrível para as corporações porque o debate seria o anúncio constrangido da Globo de que Flávio Bolsonaro é o seu candidato, não por escolha, mas por exclusão. Feio e cruel, mas foi o que sobrou. O sistema deformado tem seu preço, com o mesmo ágio cobrado pelas milícias.
Lula impediu a festa do enlace da Globo com Flávio. O cenário e os púlpitos poderão ser adaptados para o Show do Milhão do amigão do Vorcaro. Do resto, nada se salva, nem a grinalda.
Fonte: Brasil 247