Lula é orientado a ignorar provocações e explorar imagem de “menino birrento” de Flávio Bolsonaro no debate da Globo

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma mudança de postura para o debate contra Flávio Bolsonaro (PL), marcado para sexta-feira (23), na TV Globo. A orientação é que o petista evite confrontos provocados pelo adversário e concentre suas intervenções em mensagens dirigidas aos eleitores, especialmente aos indecisos. Nos bastidores, integrantes da equipe defendem que Lula trate o senador como um “menino birrento”, deixando-o falar sozinho caso insista em ataques pessoais.

Segundo informações da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, a estratégia foi discutida após a avaliação do desempenho dos candidatos no debate da Band, realizado no último domingo (18). Aliados do presidente consideraram sua participação abaixo das expectativas, mas pesquisas internas identificaram uma reação negativa à postura agressiva de Flávio, sobretudo entre as mulheres.

A análise da campanha petista é que o primeiro confronto terminou sem um vencedor claro. Lula e Flávio teriam conseguido mobilizar principalmente seus próprios apoiadores, sem conquistar de maneira significativa o eleitorado indeciso, considerado decisivo para o segundo turno de domingo (25).

Diante desse cenário, a equipe do presidente pretende explorar o contraste entre a postura de Lula e o comportamento do adversário, evitando que o debate se transforme em uma sequência de ataques e respostas.

“É a lógica da mãe e da tia que tem de lidar com o menino birrento. ‘Deixa lá ele falando sozinho que eu vou fazer o que importa: limpar o quarto e cuidar da casa, enquanto ele fica lá chorando, de birra’”, afirmou reservadamente à coluna um integrante da campanha petista.

Agressividade de Flávio provocou críticas entre eleitoras

O diagnóstico da equipe de Lula tem como base pesquisas qualitativas realizadas durante o debate da Band. Os chamados grupos focais, utilizados pelas campanhas para acompanhar as reações dos eleitores em tempo real, apontaram resistência ao comportamento do candidato do PL.

Entre as mulheres ouvidas nos levantamentos da campanha petista, Flávio foi descrito como “agressivo” e “desrespeitoso” com Lula. As participantes também identificaram no senador uma postura de alguém “birrento” e “que faz de tudo para chamar atenção”, em referência às provocações e ao tom debochado empregado durante o confronto.

A diferença de idade entre os candidatos também apareceu nas avaliações. Enquanto Lula tem 80 anos, Flávio tem 45. Segundo os relatos obtidos pela coluna, parte das entrevistadas considerou excessiva a maneira como o senador se dirigiu ao presidente.

A orientação agora é evitar que Lula responda às provocações no mesmo tom, priorizando a apresentação de suas posições e o contato direto com o público.

“Lula não tem de entrar no jogo do Flávio, nem cair em provocação. Se ele continuar com esse jeito ofensivo, Lula tem de ignorá-lo e falar mais com o povo, deixar o Flávio falando sozinho”, declarou um integrante da campanha.

Campanha de Flávio também pretende mudar postura

A avaliação de que o senador exagerou na agressividade não ficou restrita ao PT. De acordo com a coluna, integrantes da própria campanha de Flávio Bolsonaro consideraram que o candidato ultrapassou o tom desejado durante o debate da Band.

O diagnóstico no comando da campanha do PL é que o senador precisa reduzir a postura de confronto e dedicar mais tempo à apresentação de propostas e às respostas sobre temas de interesse dos eleitores.

A mudança também busca corrigir uma deficiência identificada por aliados no primeiro debate: a dificuldade de Flávio em apresentar suas propostas diante da insistência nos embates diretos com Lula.

Apesar da intenção de moderar o discurso, o candidato do PL deverá manter parte da estratégia de ocupação do palco. A previsão é que continue se movimentando e procurando aparecer no enquadramento das câmeras mesmo durante as intervenções do presidente.

A tática é semelhante à utilizada por Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, nos debates contra Hillary Clinton durante a eleição presidencial norte-americana de 2016.

Debate da Globo será decisivo na reta final da eleição

O encontro de sexta-feira será realizado a apenas dois dias da votação do segundo turno, em um cenário de disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, que aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas eleitorais mais recentes mencionadas pela coluna.

Para o PT, o principal desafio é ampliar o alcance das mensagens do presidente para além de seus apoiadores tradicionais. A avaliação interna de que o debate anterior terminou em empate reforçou a necessidade de conquistar eleitores que ainda não definiram seu voto.

A campanha de Flávio, por sua vez, busca preservar a capacidade de confrontar Lula sem repetir comportamentos que provocaram avaliações negativas entre participantes dos grupos focais.

Fonte: Brasil 247

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