Bolsonarista ameaça prender estudante após gesto de apoio a Lula em Brasília
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – Um estudante de 24 anos denunciou à Polícia Civil do Distrito Federal ter sido ameaçado de prisão por um homem que afirmou ser policial após ouvir a expressão “faz o L”, associada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O episódio ocorreu no domingo (18), em Brasília, depois de uma manifestação de apoiadores do presidente na Esplanada dos Ministérios. O suspeito ainda não foi identificado pelas autoridades.
Segundo reportagem do g1, o jovem, identificado como Diego Pereira dos Santos, estava acompanhado da namorada e de amigos quando foi abordado pelo homem, que teria batido na janela do veículo em que o grupo estava. O suspeito exigiu que o estudante saísse do carro, ameaçou prendê-lo e proferiu ofensas que as vítimas consideraram racistas.
Diego relatou que havia participado da manifestação em apoio à reeleição de Lula e, posteriormente, saiu para comer pizza com amigos. Durante o trajeto, enquanto o automóvel estava em movimento, repetiu a expressão “faz o L” para pessoas que encontrava na rua.
O desentendimento começou quando um motorista que estacionava nas proximidades interpretou a manifestação como uma provocação direcionada a ele. De acordo com Ester Rodrigues da Silva, namorada do estudante e responsável por dirigir o carro, o casal estacionou do outro lado da rua antes de ser surpreendido pela abordagem.
O homem se aproximou do veículo, bateu no vidro e questionou Diego sobre o que havia dito. Durante a discussão, afirmou ser policial, ameaçou dar voz de prisão ao estudante e ordenou que ele deixasse o automóvel.
Testemunha relata ameaça e intervenção de amigos
Parte da discussão foi registrada em vídeo por um dos integrantes do grupo. Segundo Ester, a gravação começou quando um amigo percebeu que o homem se aproximava de maneira agressiva.
“Ele só não bateu no Diego porque outros amigos chegaram e intervieram, como aparece no vídeo. O outro amigo só começou a filmar porque viu que ele veio em nossa direção com ódio mesmo. Se não fosse isso, ele nem teria filmado”, afirmou Ester.
O relato da testemunha indica que a intervenção de outras pessoas presentes no local impediu que a situação evoluísse para uma agressão física. As imagens registradas durante o confronto passaram a integrar os elementos relacionados à denúncia.
Polícia investiga denúncias de ameaça e discriminação racial
Além da ameaça de prisão, Diego e Ester relataram ter sido alvo de ofensas que interpretaram como manifestações de preconceito racial.
Conforme o registro policial, o suspeito chamou o estudante de “maconheiro” e “noia”, além de fazer comentários que, segundo as vítimas, tinham conotação racista.
A ocorrência foi encaminhada à Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, por Orientação Sexual, contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin).
O caso foi registrado por injúria, ameaça e discriminação racial. A Polícia Civil do Distrito Federal investiga as circunstâncias do episódio e trabalha para identificar o homem que aparece na gravação.
Até a divulgação das informações, não havia confirmação de que o suspeito fosse integrante de alguma força policial, como ele teria afirmado durante a abordagem.
Fonte: Brasil 247